Exposição de longa duração “Acervo em movimento” retorna renovada, com substituição total das obras em exibição

Acervo em movimento

Com a reabertura em 22.10.2020, o MARGS retorna com 4 exposições temporárias e novidades na mostra de longa duração do Acervo Artístico do Museu.

O público poderá conferir as individuais “Túlio Pinto — Momentum”“Bruno Borne — Ponto vernal” e “Mariza Carpes — Digo de onde venho”, além da coletiva “Gostem ou não — Artistas mulheres no acervo do MARGS”.

Já o programa expositivo “Acervo em movimento” retorna com a exposição de longa duração totalmente renovada, com substituição integral das obras em exibição.

Esta nova configuração presta algumas homenagens, ao mesmo tempo em que estabelece uma relação com ações e conteúdos desenvolvidos pelo Museu em suas plataformas digitais durante o fechamento ao público.

Nesse sentido, três artistas são homenageados/as pelos seus centenários de nascimento: Carlos Scliar (1920-2001), Fayga Ostrower (1920-2001) e Wilbur Olmedo (1920-1998).

Além disso, são homenageadas duas artistas que faleceram durante a pandemia: Aglaé Machado de Oliveira — AMO (1929-2020) e Francesca Coniglio Ducceschi (1920-2020).

Por fim, a mostra presta tributos ao artista Luiz Gonzaga (1940-), que celebra seus 80 anos em 2020, e ao fotógrafo Luiz Carlos Felizardo (1949-), tema do documentário em curta-metragem “Um fotógrafo na estrada”, lançado em julho pela Associação de Amigos do Museu (AAMARGS) pelo projeto “Acervo MARGS”, que apresenta e homenageia artistas que integram o Acervo Artístico do MARGS.

“Acervo em movimento” é uma exposição de longa duração, porém viva e dinâmica, uma vez que opera com um modelo curatorial-expositivo de rotatividade de obras do acervo do MARGS, com substituições que se alternam marcando distintos períodos expositivos.

Baseado no Acervo do MARGS, o programa expositivo consiste em um exercício experimental de curadoria com as equipes do Museu, que atuam no desenvolvimento da mostra em regime compartilhado. Esse experimento teve início em março de 2019, marcando a estreia da atual  gestão do MARGS.

“Acervo em movimento” integra uma política institucional de exibição dedicada a explorar estratégias de abordagem do acervo do Museu por meio de exercícios curatoriais voltados à experimentação de modelos expositivos.

 

Palavra do diretor-curador

O acervo artístico do MARGS guarda mais de 5 mil obras de arte do século 19 à atualidade, de artistas brasileiros e estrangeiros. Abrange, assim, desde produções regidas pelos modelos acadêmicos europeus, passando pelas rupturas das manifestações dos modernismos em diferentes geografias, até chegar à pluralidade dos desdobramentos operados pelas práticas artísticas contemporâneas.

“Acervo em movimento” é um projeto concebido para trazer a público esse rico e diversificado acervo, lançando mão de uma proposta curatorial de caráter experimental e compartilhado.

Baseando-se em noções de dispositivo e montagem, coloca-se em operação uma estratégia expositiva de rotatividade das obras. Resulta disso um modelo de exposição recombinante, em que obras entram e saem de exibição segundo escolhas propostas pelas equipes do museu, que conjuntamente e em revezamento exercitam um mesmo metódo de organização de uma mostra dedicada a exibir o acervo.

As alterações de obras se dão entre períodos expositivos e também durante uma mesma temporada de exibição, de modo que cada nova configuração da mostra seja também uma resposta à anterior, e mesmo até às demais exposições ora em exibição nas outras salas e galerias do museu.

Com a estratégia de rotatividade das obras em exibição, as substituições e as recombinações  procuram oferecer ao público uma exposição sempre viva e dinâmica, que aposta na experiência mais do que nos discursos, e na descoberta mais do que nas verdades.

O interesse é sondar as provisórias relações de vizinhança estabelecidas entre as obras, assim como as tensões das partes com o todo, propondo desdobramentos que intensificam e multiplicam as forma de ver, sentir e reagir. Parte-se do entendimento de que obras de arte não “falam” apenas por si mesmas, uma vez que seus sentidos são também efeito do que podem produzir no interior dos territórios discursivos que uma exposição é capaz de colocar em causa.

Abrindo mão de roteiros predeterminados e procurando eliminar hierarquias entre as obras do acervo, esta exposição pergunta ao visitante: quais relações podem ser feitas entre objetos de diferentes origens, períodos e estilos?

O convite é que o público constitua os seus caminhos interpretativos, estabelecendo os seus próprios encontros, relações e conexões, os quais sempre envolvem o que já sabemos, a expectativa do que ainda não vislumbramos e o estranhamento transformador da experiência inesperada e arrebatadora.

Em sua proposição, “Acervo em movimento” procura mobilizar questões prementes que orientam a atual direção do museu, como a necessidade de se descolonizar narrativas eurocêntricas, dessacralizar a retórica autoritária dos discursos canônicos, tensionar hierarquias preestabelecidas que reiteram os relatos dominantes, e explicitar as representatividades e suas lacunas em acervos e exposições.

Marcando a estreia de uma política de exibição dedicada a explorar estratégias de abordagem do acervo do MARGS por meio de exercícios curatoriais voltados à experimentação de modelos expositivos, “Acervo em movimento” estreou nas Pinacotecas do museu no primeiro semestre de 2019, passando a circular por outras salas e galerias expositivas em caráter de projeto permanente ao longo desta gestão.

Francisco Dalcol
Diretor-curador do MARGS
Doutor em Teoria, Crítica e História da Arte

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