O Museu de Arte do Rio Grande do Sul e sua história

Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) é uma instituição museológica pública, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura do RS (SEDAC), voltada à história da arte e à memória artística, assim como às manifestações, linguagens, investigações, pesquisas e produções contemporâneas em artes visuais.

Criado em 1954, o MARGS é o principal museu de arte do Estado do Rio Grande do Sul e um dos mais importantes do país. Seu acervo reúne mais de 5.000 obras de arte, desde a primeira metade do século XIX até os dias atuais, abrangendo diferentes linguagens das artes visuais, como pintura, escultura, gravura, cerâmica, desenho, arte têxtil, fotografia, instalação, performance, arte digital e design, entre outras.

Esse acervo de arte do Museu é composta por arte brasileira, com ênfase na produção de artistas gaúchos, e também por obras de artistas estrangeiros, da qual conta com nomes significativos da arte mundial. Além disso, o MARGS possuiu um Acervo Documental com mais de 8 mil publicações bibliográficas e 5 mil pastas contendo documentos sobre a trajetória de artistas e a história de agentes do sistema artístico.

O MARGS é uma instituição vinculada à Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Foi criado pela lei n° 2345, de 29 de janeiro de 1954, e regulamentado pelos decretos nº 5065, de 27 de julho de 1954, e n° 7389, de 11 de março de 1974, e pelas portarias nº 03/84 – D.O. 16/08/84 e nº 01/85 – D. O. 5/8/85.

Missão institucional

O MARGS tem como principal finalidade colecionar, catalogar, documentar, guardar, conservar, restaurar, pesquisar, estudar e exibir os seus Acervos Artístico e Documental.

Conforme a definição de sua natureza, objetivo e funções estabelecida nos termos de seu Plano Museológico, o MARGS tem como finalidade e prioridades:

a) conhecer e tornar conhecida a produção de artes visuais brasileira e estrangeira em seus aspectos técnicos, estéticos e históricos;

b) conhecer e tornar conhecida a contribuição da produção de artes visuais ao desenvolvimento cultural do estado;

c) adquirir, pelos meios possíveis, obras visuais de arte brasileira e estrangeira;

d) adquirir, pelos meios possíveis, obras bibliográficas sobre arte e documentos, de ou sobre artistas, que possuam valor estético, histórico ou informativo;

e) incorporar, por tombamento, ao acervo do museu as obras de arte, bibliográficas e documentos adquiridos;

f) colecionar, catalogar, conservar, restaurar e exibir o seu acervo;

g) colocar continuamente à disposição de pesquisadores e do público em geral o seu acervo bibliográfico e documental, quando organizado e tombado, e por mostras temporárias o acervo artístico em condições de exposição;

h) promover, através de exposições, eventos, convênios e outros projetos, o intercâmbio artístico e a colaboração com outros centros culturais congêneres do país e do exterior;

i) apoiar programas de educação artística do sistema estadual de ensino em todos os graus.

A criação do Museu

O MARGS foi fundado em 27 de julho de 1954. Ao contrário de outros museus, que são criados quando já existe uma coleção reunida à espera de organização e institucionalização, o MARGS foi criado por um decreto (n° 5065) sem  acervo ou sede própria. Era preciso um nome para administrar o projeto, e a escolha recaiu sobre Ado Malagoli, um pintor e professor laureado que possuía também os talentos indispensáveis de organizador e gestor cultural, além da bagagem de uma sólida formação intelectual e acadêmica.

O MARGS surgiu como um dos primeiros projetos museológicos de importância e abrangência no Rio Grande do Sul. A orientação imprimida por Malagoli tinha um claro propósito de atualizar o circuito artístico local por meio da constituição de um acervo composto por prioridades regionais e nacionais, incluindo artistas contemporâneos. Este papel atualizador acompanhou já as primeiras exposições temporárias apresentadas — que discutiam a modernidade no Brasil, as novas possibilidades de expressão, resgatavam áreas negligenciadas como os primitivos e a arte sacra —; bem como pelos seus ciclos de palestras, abordando temas como o colecionismo, a legitimação das vanguardas e o sistema institucional da arte. A primeira exposição realizada pela instituição, intitulada “Arte Brasileira Contemporânea”, ocorreu em 1955, na Casa das Molduras.

As primeiras sedes

A sede do museu, ao longo da sua existência, ocupou diferentes espaços em Porto Alegre. Primeiramente, em 1957, foi instalado no foyer do Theatro São Pedro, sendo sua inauguração marcada por uma retrospectiva de Pedro Weingärtner. Em 1958, foi aberta uma exposição de Candido Portinari que atraiu grande público e serviu para consolidar a presença do MARGS no circuito de arte local.

No início da década de 1970, com o fechamento do Theatro São Pedro para reforma, o museu foi transferido para a sobreloja do Edifício Paraguay, na Avenida Salgado Filho. A partir desta época, a instituição passou a documentar sistematicamente as suas atividades, iniciando a publicação de um “Boletim Informativo”. Também organizou os primeiros núcleos, assim profissionalizando a estrutura e a rotina administrativa da operação conforme parâmetros museológicos.

O prédio histórico

Somente em 1978 o museu instalou-se definitivamente na atual sede, na Praça da Alfândega, no Centro Histórico de Porto Alegre. O prédio foi construído entre 1913 e 1916 para abrigar a Delegacia Fiscal. O imponente edifício, de quase 5.000m2, foi encomendado à firma do engenheiro Rudolph Arhons, com projeto do arquiteto alemão Theo Wiederspahn. Os ornamentos foram executados pela oficina de escultura de João Vicente Friedrichs, tendo como ornamentistas Victorio Livi e Franz Radermacker. Alfred Adloff foi o responsável pelas esculturas.

Reconhecido como de interesse público por seu valor histórico-arquitetônico, o prédio foi tombado em nível estadual em 1983, pela então Divisão do Patrimônio Histórico e Cultural do Estado (Dphic). A portaria de tombamento foi a de n. 04/83, de 20/06/1983, retificada através da portaria 03/84, de 1/08/1984 e ratificada pela portaria 01/85, de 11/07/1985. O tombamento foi inscrito em 30/06/1983, sob o número 22, no Livro do Tombo Histórico, e publicado no Diário Oficial do Estado em 16/08/1984. Em nível federal, foi tombado em 2002 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), comO integrante do sítio histórico das praças da Matriz e da Alfândega.

A partir da década de 1980, o Museu ganhou maior visibilidade, recebeu melhorias na sua estrutura e instalações, e realizou exposições importantes, além de editar livros sobre artistas locais de reconhecimento. Também nesta década foi fundada a Associação dos Amigos do MARGS (1982).

Entre o final de 1996 e início de 1998, o prédio passou por um profundo trabalho de reforma, motivado pelo seu estado de deterioração. Com o restauro completo por que passou o prédio, recuperando toda sua infraestrutura e recebendo climatização e equipamentos expositivos atualizados, o MARGS pôde enfim amparar-se em parâmetros de maior exigência quanto à operação museológica, alavancando expansão de suas atividades no cenário nacional e mesmo internacional.

A partir de 1997, com a 1ª Bienal do Mercosul, passa a abrigar seções especiais da Bienal do Mercosul em todas as suas edições até aqui.

É também no final dos anos 1990 que o Núcleo de Restauro foi completamente aparelhado, tornando-o caso exemplar de museu no Estado do RS a contar com equipe responsável pelas boas práticas de conservação e restauração voltadas ao acervo.

Entre 2006 e 2007, a estrutura externa do prédio e terraço foram novamente restaurados, recebendo pintura e demais reparos de manutenção.

A instituição hoje

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul — MARGS exerce uma função cultural preponderante no Estado do Rio Grande do Sul. Articulado a museus e instituições do Brasil e outros países, proporciona sustentação a projetos nacionais e internacionais. Sendo já desde sua fundação em 1954 um agente decisivo na dinamização do circuito cultural gaúcho, em décadas recentes o Museu tem trazido a Porto Alegre exposições de grande importância e desenvolvido projetos educativos e curatoriais de relevância e importante contribuição para os públicos e o campo artístico e intelectual. Também tem abrigado seções especiais da Bienal do Mercosul em todas as suas edições, desde 1997.

O MARGS tem como principal finalidade colecionar, catalogar, documentar, guardar, conservar, restaurar, pesquisar e exibir os seus Acervos Artístico e Documental, além de gerar produção de conhecimento e difusão de conteúdos.

Ao procurar promover saber e experiências avançadas sobre a história da arte e a produção em artes visuais, tem como compromisso democratizar o acesso a este conhecimento por meio do desenvolvimento de programas, ações e estratégias voltadas para os diversos públicos aos quais a instituição se volta, com especial atenção à constituição e formação desses públicos.

Além de integrar a estrutura da Secretaria da Cultura, o MARGS se mantém graças aos esforços da sua associação. A Associação dos Amigos do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – AAMARGS – instituição sem fins lucrativos que tem como objetivo dar sustentabilidade aos trabalhos do museu.

Tendo em conta padrões, normas e exigências museológicas internacionais, o MARGS conta com sistema de climatização (controle de temperatura e umidade) em suas reservas técnicas e espaços expositivos, além de Facility Report, oportunizando a conservação adequada das obras de seu Acervo Artístico e as condições de exibição de obras provenientes de empréstimos temporários de coleções e acervos de outros museus e instituições.

Hoje, sob a direção de Francisco Dalcol, na figura de diretor-curador, implementou-se no Museu uma linha de ação a par de discussões e problemáticas prementes a serem enfrentadas de modo (auto)crítico pelas instituições museológicas e artísticas, sobretudo por aquelas que se orientam pela busca de relevância e atualidade; a fim de desenvolver exposições, projetos, ações e atividades que proporcionem aos públicos experiências inclusivas, acolhedoras enriquecedoras e transformadoras. Nesse empenho, assumiu-se como compromisso fundamental a defesa de premissas democráticas e de valores cidadãos, como inclusão, diversidade, pluralidade e representatividade.

A atual gestão e direção artística do MARGS têm como prerrogativa investir em uma política curatorial e educacional que se volte em grande parte aos acervos artístico e documental do Museu, por meio de visibilidade e produção de conhecimento original a partir dessas coleções, além de tornar conhecida a pesquisa e a produção de artes visuais brasileira e estrangeira em seus aspectos históricos, teóricos, estéticos e mesmo técnicos, com o objetivo de contribuir com o desenvolvimento cultural do Estado do Rio Grande do Sul.

Assim, tem-se como prioridade a pesquisa e a produção de conhecimento avançado sobre arte, com o compromisso de democratizar o acesso a estes conteúdos por meio do desenvolvimento de ações e estratégias que envolvem a gestão museológica, o programa artístico-expositivo, a ação educativa, os programas públicos, a comunicação e difusão de conteúdos, bem como as Políticas Institucionais de Exposições e de Acervos, com os Comitês de Acervo e de Curadoria.

O programa artístico-expositivo é composto por exposições de realização própria pelo Museu, tendo como objeto as obras pertencentes ao seu acervo e de outros; além de projetos externos que a instituição recebe e apresenta em seus espaços expositivos.

No MARGS, a curadoria é entendida como um processo de trabalho coletivo que compreende o ciclo completo de procedimentos técnicos, científicos e intelectuais relacionados à aquisição, interpretação, conservação e divulgação dos Acervos Artístico e Documental da instituição, bem como de concepção e desenvolvimentos de exposições. O processo curatorial integra as responsabilidades de pesquisa e divulgação do Museu e se materializa numa cadeia de trabalho colaborativa entre funcionários e colaboradores. O MARGS conta com equipe própria de especialistas nas áreas de documentação, catalogação, conservação, restauro e educação em arte, além de profissionais responsáveis pelas atividades-meio de produção de exposições e eventos como expografia, designer gráfico e divulgação.

Desse modo, o MARGS prioriza a concepção e produção de suas próprias exposições, mas também apresenta exposições propostas por iniciativa de terceiros ou que integrem programas institucionais específicos.

A atual gestão implementou quatro (04) programas expositivos, cada qual como uma finalidade e orientação específicas. São eles:

a) “Acervo em movimento”

Projeto de caráter permanente da atual gestão, que opera com um modelo de rotatividade de obras da coleção do MARGS, com substituições frequentes pelas equipes do museu, que conjuntamente e em revezamento exercitam um mesmo método de organização de uma mostra permanente dedicada a exibir o acervo. O projeto integra uma política institucional de exibição dedicada a explorar estratégias de abordagem do acervo do museu por meio de exercícios curatoriais voltados à experimentação de modelos expositivos, valendo-se do modelo de curadoria compartilhada entre as equipes do museu.

b) “História do MARGS como História das Exposições”

Programa com o qual se trabalha a memória da instituição de uma maneira inovadora, abordando a história do museu, as obras e constituição de seu acervo e a trajetória e produção de artistas que nele expuseram, resultando em projetos curatoriais que revisitam, resgatam e reexaminam episódios, eventos e exposições emblemáticas do passado do MARGS, de modo a compreender sua inserção e recepção públicas.

c) “Histórias ausentes”

Programa com o qual se procura conferir visibilidade e legibilidade a manifestações artísticas e narrativas invisibilizadas pelos discursos dominantes da historiografia oficial, destacando trajetórias, atuações e produções artísticas que permanecem não legitimadas pelo sistema das artes.

d) “Poéticas do agora”

Programa que destaca artistas com produção atual cujas pesquisas recentes em poéticas visuais têm se mostrado promissoras e relevantes no campo artístico contemporâneo, tendo por objetivo valorizar produções em poéticas visuais artísticas que investem na pesquisa e experimentação de linguagem, bem como na transdisciplinaridade dos meios, operações e procedimentos.

A programação se dá no âmbito do Programa Público do MARGS, pelo qual são concebidos, realizados e apresentados  gratuitamente eventos como cursos, palestras, conferências e simpósios que têm lugar em seu auditório, bem como nos canais virtuais (site, email) e em seus perfis nas redes sociais (Facebook e Instagram).

Diretores/as do MARGS

Ado Malagoli (1954 a 1959)

Glênio Bianchetti  (1960 a 1962)

Francisco Stockinger  (1963 a 1964)

Carlos Scarinci (1964 a 1967)

Francisco Stockinger  (1967)

Gilberto Morás Marques  (1968 a 1972)

Antônio Hohlfeldt  (02/1972 a 06/1972)

Armando Almeida  (07/72 a 02/1973)

Flávio Rocha (03/1973 a 11/1973)

Kurt G. Schmeling  (12/ 1973 a 03/1974)

Plínio César Bernhardt  (04/1974 a 04/1975)

Luiz Inácio Franco de Medeiros  (05/1975 a 03/1979)

Jader Siqueira  (05/1979 a 09/1980)

Roberto Valfredo Bicca Pimentel — Tatata Pimentel (10/1980 a 03/1983)

Evelyn Berg Ioschpe  (04/1983 a 03/1987)

Vasco Prado, Carlos Scarinci e Mirian Avruch  (04/1987 a 07/1988)

Mirian Avruch  (07/1988 a 02/1991)

Albano Volkmer  (03/1991 a 11/1993)

Ernani Behs  (1993 a 1994)

Romanita Disconzi (1995 a 1996)

Paulo César Brasil do Amaral  (1997 a 1998)

Fábio Luiz Borgatti Coutinho  (1999 a 2002)

Paulo César Brasil do Amaral  (2003 a 2007)

Cézar Prestes (2007 a 2010)

Gaudêncio Cardoso Fidelis (2011 a 2014)

Paulo César Brasil do Amaral (2015 a 2018)

Francisco Eduardo Coser Dalcol (2019 a 2022)

      Museu de Arte do Rio Grande do Sul | MARGS

  • Endereço: Praça da Alfândega, s/n° Centro – 90010-150 Porto Alegre – RS – BRASIL
  • Telefones: 051 3227-2311 e 051 3221-2446
  • E- mail: museu@margs.rs.gov.br
  • Funcionamento: terças a domingos, das 10h às 19h, com entrada gratuita.
  • Facebook: facebook.com/museumargs
  • Instagram: instagram.com/museumargs
  • Site: www.margs.rs.gov.br
  • O Museu não possui estacionamento.
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