Núcleo de Acervos e Pesquisa

O Núcleo de Acervos e Pesquisa do MARGS é responsável pela guarda, documentação, catalogação, organização e gestão dos Acervos Artístico e Documental do museu, fornecendo subsídios para a pesquisa, o estudo, a conservação, o restauro e a exibição de obras, documentos e demais itens pertencentes ao museu. Ao zelar pela manutenção dos acervos mantidos sob guarda do MARGS, atua no sentido de garantir a sua preservação e conservação.

É também atribuição do Núcleo de Acervos e Pesquisa supervisionar o acesso ao acervo e aos arquivos sob sua guarda, bem como coordenar os trâmites envolvendo doações e aquisições de obras para o museu, assim como empréstimos para outras instituições.

E, juntamente ao trabalho interno, presta atendimento a pesquisadores externos mediante solicitação e agendamento prévio.

 

Equipe:

Raul Holtz – Servidor. Coordenador do Núcleo de Acervos e Pesquisa. Graduado em Arquivologia (UFRGS).

Ana Maria Hein – Servidora. Graduada em História (PUC-RS).

Nina Sanmartin – Estagiária. Estudante de graduação do bacharelado em História da Arte (IA- UFRGS).

Contato:

(51) 3225-7773

acervo@margs.rs.gov.br

 

O Acervo Artístico do MARGS reúne mais de 5.000 obras de arte, desde a primeira metade do século XIX até os dias atuais, abrangendo diferentes linguagens das artes visuais, como pintura, escultura, gravura, cerâmica, desenho, arte têxtil, fotografia, instalação, performance, arte digital e design, entre outras. Esse acervo de arte do Museu é composto por arte brasileira, com ênfase na produção de artistas gaúchos, e também por obras de artistas estrangeiros, da qual conta com nomes significativos da arte mundial.

 

1. Uma visão sobre a formação do Acervo Artístico do MARGS

Falar do acervo artístico de um museu é falar tanto de obras que nos acostumamos a ver expostas ao longo do tempo quanto de tesouros mantidos em locais inacessíveis ao olhar do público. Os museus mostram e os museus guardam, escondem, preservam. Um museu é o seu acervo, embora ele precise também, para existir como museu, do jogo urdido com perícia entre o exibir e o ocultar. Algo que o MARGS tem conseguido muito bem.

Podemos dizer que se trata de um museu de médio, ou mesmo de pequeno porte, tendo em conta que nele não encontraremos senão cerca de 5.000 obras. Pouco, se levarmos em conta que os grandes museus apresentam cifras acima de 100.000, às vezes até, muito acima. Mas, com isso, não se desqualifica o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, cujo papel tem sido dos mais significativos, tanto como instância de consagração quanto como centro impulsionador das artes plásticas no Sul. Em primeiro lugar, porque a instituição tem cumprido a contento o papel de atrair o olhar do público para o que tem a exibir. Mas, principalmente, porque – desde de que Malagoli, seu fundador, adquiriu as primeiras peças, enfocando especialmente o modernismo no Brasil – o acervo do Museu nunca deixou de se ampliar em função de um eixo organizador.

Assim é que uma análise geral do acervo do MARGS, facilmente acaba por se transformar também em uma visão ampla dos caminhos percorridos pela arte no Brasil durante o século vinte. A observação do surgimento e do desdobramento da modernidade brasileira impõe-se como fio condutor da coleção. Embora algumas das obras remontem a épocas anteriores, e estejam presentes artistas europeus e de outros países americanos, é especialmente para o desdobramento da produção de arte em terras brasileiras, a partir de fins do século 19, que aponta essa coleção. Mesmo o núcleo de autores europeus presentes, pode ser identificado como representativo das influências que preparam o surgimento do modernismo no Brasil. Logo, verifica-se também que ressaltam, no conjunto, os caminhos seguidos pela produção sul-rio-grandense de artes plásticas. Por isso, podemos dizer que o MARGS é um museu voltado para a pesquisa da história da arte brasileira e, mais particularmente, para a pesquisa do desenvolvimento da arte no Rio Grande do Sul.

A partir dessa constatação é que o acervo do Museu se qualifica entre os mais representativos, uma vez que ele possibilita acompanharmos todo o desenvolvimento da arte brasileira e, de forma especial, da arte surgida no Sul, ao longo do tempo em que se constituiu a República e o Estado Moderno no Brasil. Um acervo que registra e nos conta o desdobrar-se de um processo artístico que podemos organizar em segmentos que se estendem desde a preparação do modernismo até a sua releitura – ou ultrapassagem – nos últimos anos do século 20 e nos primeiros momentos do século 21.

A passagem para o século 20

Encontram-se no acervo do MARGS obras de fins do século dezenove e início do século vinte que ilustram dois aspectos marcantes da arte que se produzia então no Brasil: a total dependência dos modelos europeus e a prevalência dos preceitos da Academia. Já se insinuam aí, entretanto, algumas sinalizações que apontam para os futuros caminhos da modernidade, como podemos ver nas pinturas de Visconti, Artur Timótheo da Costa e, mesmo, nas gravuras e pinturas do gaúcho Pedro Weingärtner, que marca o início do sistema de arte auto-referenciado no Rio Grande do Sul.

Não é por acaso que encontramos bons exemplos da produção artística de Pedro Weingärtner no acervo do MARGS. Trata-se do primeiro artista em que a sociedade sul-rio-grandense se reconhece como produtora de arte. Suas pinturas, realizadas no Estado ou na Europa, onde permanecia longas temporadas, eram saudadas com orgulho pelos jornais locais como obras de arte do Rio Grande do Sul. A partir de então é que o sistema das artes plásticas irá se estruturar e consolidar no Sul com o desenvolvimento de uma produção sistemática.

Deste período, cabe destacar as presenças dos europeus: Joseph Bail, Juan Julio E. Geoffroy, Jean Paul Laurens, Lucien Simon, Luigi Napoleone Grady e Rosa Bonheur. Um elenco reduzido, mas que nos apresenta um bom exemplo da preocupação da elite brasileira, que se iniciava nos costumes do civilismo republicano, com buscar modelos entre os retratistas e pintores de alegorias situados nos limites do bom comportamento acadêmico.

Entre os brasileiros, Arthur Timótheo da Costa, Eliseu Visconti, Henrique Bernardelli, Rodolfo Bernardelli e Pedro Alexandrino nos trazem os ecos da Academia Brasileira de Belas Artes, ao mesmo tempo em que evidenciam a reorganização da sociedade brasileira, reproduzindo cenas do cotidiano burguês. Uma pesquisa da realidade imediata que, em Arthur Thimóteo da Costa, pode ser caracterizada como pré-modernista. Uma tendência renovadora que também se evidencia em Eliseu Visconti e Pedro Weingärtner, que se voltam para as questões da forma e do estilo que, a partir da influência européia, tomavam conta da arte e da literatura nas novas repúblicas latino-americanas.

O modernismo

Tanto dos artistas que agitaram São Paulo e o Brasil com a Semana de Arte Moderna de 1922 quanto dos que os seguiram, consolidando e abrindo novas perspectivas para o modernismo em terras brasileiras, há significativos exemplos no acervo do MARGS. Diversos aspectos da movimentação rumo à modernidade que agitou a arte e a cultura brasileira desde a década de 1920 até meados do século 20, gerando tendências e alternativas diversas, estão representados no conjunto de obras que o Museu abriga.

Também nos leva, o acervo do MARGS, pelos caminhos da modernidade no Rio Grande do Sul. Caminhos que apontam a Europa, com a qual os artistas possuíam contato direto, distanciando-se das propostas oriundas de São Paulo e do Rio de Janeiro. O que fica particularmente evidente quando observamos as marcas do expressionismo alemão em João Fahrion e tomamos conhecimento de que, após passar uma temporada na República de Weimar, ele fez questão de doar duas gravuras da expressionista Käte Kollwitz para o Museu.

Entre os destaques do Modernismo Brasileiro, o MARGS conta com obras dos que participaram dos primeiros agitados momentos, na década de 1920, como Di Cavalcanti, Lasar Segall, Oswaldo Goeldi e Tarsila do Amaral. Encontramos também os que, a partir dos anos de 1930, retomam as preocupações do Realismo-naturalismo, com uma linguagem menos sofisticada e mais voltada para questões sociais. É o caso de Ado Malagoli, Edson Motta e Bustamante Sá, que participaram do Núcleo Bernardelli, no Rio de Janeiro. É também o caso de Aldo Bonadei e Volpi, que podem ser vistos como representantes do Grupo Santa Helena ou, junto com Rossi Osir, podem ser incluídos entre os membros daquele elenco de descendentes de italianos, com um olhar voltado para o dia-a-dia da cidade e da gente simples, que Mário de Andrade denominou de Família Artística Paulista. Entre os representantes dessa segunda fase modernista, como não poderia deixar de ser, está marcada a presença de Cândido Portinari, que acabou por ser transformado em um ícone da nacionalidade graças à maneira como elabora a síntese dos projetos de salvação nacional, propostos desde a primeira hora do Modernismo. Igualmente situados nesses tempos de consolidação do moderno, mas menos comprometidos tanto com o vanguardismo quanto com o ativismo social, embora vinculados à realidade popular através de uma pintura que poderíamos denominar de figuração lírico-popular, aparecem ainda as figuras de Alberto Guignard e Heitor dos Prazeres.

Em meio aos artistas que trazem para o Sul os ecos da modernidade européia, gerando o que se pode chamar de um modernismo à moda sulina, destacam-se no acervo do Museu: Fernando Corona, Sotéro Cosme e João Fahrion, cujas obras se impuseram ao gosto local não só em exposições, mas veiculadas por revistas – como Máscara, Kodak e, depois, a Revista do Globo – ou servindo de ilustração a livros, em um momento de grande intensidade do movimento editorial no Rio Grande do Sul. Junto à assimilação das propostas das vanguardas européias, cabe reconhecer, por outro lado, uma atitude mais cautelosa e arredia de uma modernidade hesitante que conviverá ainda por muito tempo com tendências oriundas do academicismo e do pré-modernismo. É o caso de Angelo Guido, Aldo Locatelli, Leopoldo Gotuzzo, Luiz Maristany de Trias, Benito Castañeda, José Lutzenberger e Libindo Ferrás.

Meados do século 20

Com o expansionismo da sociedade urbano-industrial, empreendido após a Segunda Guerra, chegam e se desenvolvem no Brasil sinalizações artísticas integradas à crescente mundialização da economia e da linguagem, como é o caso das várias tendências abstracionistas e, mais adiante, da Pop Arte. No Rio Grande do Sul, entretanto, ocorre uma atitude de oposição e de resistência expressa nas obras do Clube de Gravura de Porto Alegre. É interessante observar como se evidencia na montagem do acervo do MARGS a mesma tendência geral da cultura e da arte no Rio Grande do Sul para um certo auto-centramento gerador de desconfiança com relação às propostas do centro do País. As aquisições, até então e ainda durante muito tempo, privilegiam os diversos tipos de figuração e quase desconhecem a pujança do Concretismo e do Neo-concretismo de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Não se contam em grande número, na coleção do Museu, os exemplares do abstracionismo com que o sistema brasileiro de artes integrava-se aos influxos do expressionismo abstrato e do concretismo que se impunham no circuito internacional das artes plásticas, tanto gerando a movimentação do Concretismo em São Paulo e do Neo-concretismo no Rio de Janeiro quanto dando surgimento a obras com a linguagem do informalismo. Entre eles, cabe destacar: Fayga Ostrower, Hércules Barzotti, Paulo Pasta, Lygia Pape, Arthur Luiz Piza, Manabu Mabe. Também é significativo observar que, muito poucos artistas do Rio Grande do Sul seguem nos anos de 1950 e de 1960 pelos caminhos da abstração, seja ela informal ou de cunho concretista. A grande exceção é Iberê Camargo que toma, nessa época, os rumos do informalismo, embora se evidencie o quanto a figuração, de uma ou de outra maneira, sempre rondou a sua obra.

Há, em compensação, bons exemplos no MARGS dos vários aspectos que a figuração tomava nesse tempo. Das obras de Avatar Moraes, Cláudio Tozzi, Leo Fuhro e Rubens Guerchman, nos vêm exemplos da figuração crítica e da figuração com influências do Pop. Em Farnese, Odriozola e Samico, as possibilidades de um realismo-mágico. E, ainda, exemplos de uma tradição sempre presente na arte brasileira e em suas realizações no Sul que podemos caracterizar como uma figuração livre que se evidencia em artistas como Darel, Evandro Carlos Jardim, Lívio Abramo, Mario Cravo Júnior, Marcelo Grassmann, Thomas Ianeli.

Com relação ao que estava sendo produzido no Rio Grande do Sul, ressalta a presença do Clube de Gravura de Porto Alegre, com uma figuração de resistência ao abstracionismo e centrada no ativismo social promovido pela 3ª Internacional. Uma produção gráfica que logo iria influenciar tanto uruguaios e argentinos quanto outras regiões brasileiras, como é o caso de Recife. Dos autores do Clube, destacam-se no acervo obras de Carlos Scliar, Vasco Prado, Danúbio Gonçalves, Glauco Rodrigues, Glênio Bianchetti, Plínio Bernhardt, Edgar Koetz e Gastão Hofstetter. Ao lado desses, pode-se observar como se desenvolveu na região uma figuração com preocupação voltada para a busca de soluções formais e para questões da existência, em que se destacam, entre outros, Alice Brueggemann, Alice Soares, Joel Amaral, Trindade Leal, Edgar Koetz, Caringi, Gastão Hoffstetter, Plínio Bernhardt, Francisco Stokinger, Yeddo Titze, Leo Dexheimer, Cláudio Carriconde e Joaquim da Fonseca. E não falta exemplo também de como, nessa mesma época, tomou vulto, no Rio Grande, o muralismo com tons clássicos do italiano Aldo Locatelli.

As décadas de 1970 e 1980

Com a entrada mais decidida do Brasil na modernidade industrial, implementa-se um forte desenvolvimento do mercado de arte. As linguagens oriundas das grandes mostras internacionais penetram mais rapidamente e desenvolvem-se com maior velocidade nos principais centros brasileiros. Hiper-realismo, experiências conceituais, tecnológicas e, logo, as influências européias do neo-expressionismo e da transvanguarda apontam caminhos nas Bienais de São Paulo. Concomitantemente, entretanto, estão presentes a vigilância e as restrições do regime de força. Tudo isso gera, por um lado, motivações para o desenvolvimento da arte e, por outro, uma necessidade de escapar dos controles oficiais. Uma intensa produção de linguagens gráficas, mais imediatas e de acordo com a urgência que então se impunha à comunicação, parecem responder a esses condicionantes. Outra resposta é a recorrente utilização da metáfora e da alegoria que iludem o bloqueio da censura. O MARGS volta-se, neste período, de forma especial para os aspectos da arte que se desenvolvia no Rio Grande do Sul. Não deixa, entretanto, de apontar os caminhos de uma nova figuração brasileira e de preocupar-se com registrar aspectos da contemporaneidade no País.

Entre os exemplos da nova figuração brasileira, cabe destacar Glauco Rodrigues, Iberê Camargo, João Câmara Filho, Siron Franco, Maria Lidia Magliani; seguindo na direção das propostas conceituais, Regina Silveira; e como registro do Hiperrealismo, Glauco Pinto de Moraes e Carlos Petrucci.

Inúmeros são os artistas sul-rio-grandenses com obras desse período no acervo do Museu, entre eles, com pintura e produção gráfica, Ana Alegria, Armando Almeida, Alfredo Nicolaiewsky, Anico Herskowits, Carlos de Britto Velho, Carlos Pasquetti, Clara Pechansky, Carlos Wladimirsky, Eleonora Fabre, Fernando Baril, Frantz, Heloisa Schneiders da Silva, Karin Lambrecht, Luiz Brasil, Luiz Gonzaga, Maria Tomaseli Cirne Lima, Maria Lúcia Cattani, Mário Röhnelt, Milton Kurtz, Marlies Ritter, Patrício Farias, Paulo Amaral, Paulo Peres, Paulo Porcella, Regina Ohlweiler, Vera Chaves, Wilson Cavalcanti; e, com escultura, Carlos Tenius, Francisco Stockinger, Gustavo Nakle, João Bez Batti, Vasco Prado.

A presença da gravura

Mesmo uma visão geral do acervo do MARGS que não se detenha na análise das obras em função da técnica e da linguagem, não pode deixar de observar a intensa presença da gravura sul-rio-grandense e brasileira neste conjunto.

Entre os gravadores do Rio Grande do Sul, encontramos exemplos que marcam o decidido desenvolvimento da reprodução gráfica desde Pedro Weingärtner até Iberê Camargo, ambos mestres na gravura em metal. Há as impressões das xilogravuras e das linoleogravuras do Clube de Gravura de Porto Alegre, realizadas por Scliar, Vasco, Danúbio, Koetz, Glauco Rodrigues, Bianchetti, Plínio Bernhardt e outros. E há também litografias, litogravuras, as várias técnicas do metal, serigrafias, xilogravuras e monografias de inúmeros artistas em que se vem mantendo e renovando a tradição da gravura sulina, como Anico Hercowitz, Armando Almeida, Anestor Tavares, Camilo Otacílio, Cavalcanti, Circe Saldanha, Cris Rocha, Clarice Jaeger, Diana Domingues, José Carlos Moura, Leo Fuhro, Luiz Brasil, Maria Tomaselli Cirne Lima, Maria Lúcia Cattani, Maria de Gesu, Maristela Salvatori, Marta Loguércio, Paulo Peres, Regina Ohlweiler, Vera Chaves e Zorávia Betiol.

Também não faltam exemplos da gravura produzida por artistas de outras regiões brasileiras, ao longo do século 20, como Tarsila do Amaral, Oswaldo Goeldi, Livio Abramo, Maciej Babinski, Renina Katz, Samico, Newton Cavalcanti, Maria Bonomi, Marcelo Grassman, Evandro Carlos Jardim, Rubem Grilo, Roberto Magalhães, Darel Valença Lins, Carlos Martins, Arthur Piza e Carlos Zilio.

A passagem para o século 21

Desde fins da década de 80 até a reforma de suas instalações entre 1995 e 1997, o MARGS esteve especialmente ocupado com o enfrentamento de problemas apresentados pelas condições materiais para a guarda e manutenção das obras que abriga. Apesar disso, não descuidou da busca dos diversos caminhos a que se abria a contemporaneidade brasileira. É nessa direção que aponta a realização do Salão Caminhos do Desenho Brasileiro que trouxe, entre outros, Daniel Senise para o acervo. Assumiu também, o Museu, com clareza, o papel de pesquisa e divulgação da arte sulina, incluindo aí a busca de aproximação com os vizinhos países da Bacia do Prata. Já em 1989, quando ainda não se falava em Mercosul, começavam ser realizados os Encontros Latino-Americanos de Artes Plásticas, com forte participação do MARGS. Cabe também destacar a preocupação do Museu com a arte no Rio Grande do Sul, de que apresentou amplos panoramas com as exposições Arte Sul – 89, Arte Sul – 93 e Arte Sul – 96.

Destes últimos tempos, destacam-se no no acervo os brasileiros: Alex Fleming, Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Carlos Fajardo, Carlos Vergara, Cláudio Tozzi, José Resende, José Roberto Aguilar, Leonilson, Nuno Ramos, Siron Franco, Tunga, Victor Arruda, Waltércio Caldas. Dos Encontros Latino-Americanos, ficou um trabalho que merece destaque, realizado por artistas sul-rio-grandenses em conjunto com o argentino Luís Felipe Noé – um dos principais ciradores da otra figuración que foi influência marcante para o surgimento da nova objetividade no Rio e em São Paulo. Também não faltam obras realizadas no Rio Grande do Sul durante a passagem para o século 21, tanto por artistas já anteriormente consagrados quanto por outros mais representativos da produção gerada a partir de 1990, como Félix Bressan e Mauro Fuke, entre outros.

Conclusão

Pouco mais de um século, pouco mais do que exemplos de cada momento, o suficiente, porém, para inúmeras viagens pelos caminhos por onde se tem forjado a arte em terras brasileiras, e ainda pelas trilhas e desvios por onde o sistema de artes se foi constituindo no Sul. Um acervo que não tem cessado de se ampliar, mas ainda guarda a orientação dada por seu idealizador, Ado Malagoli, o que o torna significativo, e até mesmo imprescindível, como material de referência para a pesquisa da arte no Brasil.

Texto de José Luiz do Amaral

2. O Acervo Artístico do MARGS no século XXI

Nestes primeiros 20 anos do século XXI, a qualificação do Acervo Artístico do MARGS foi expressiva. a quantidade de obras saltou de 2.283 em 1999, para 5.336 no final de 2014, representando um acréscimo de mais de 100% do total das obras. Ou seja, em 20 anos foi incorporado mais que o dobro de tudo o que foi colecionado no período de 1954 até 1999. Estas aquisições elevaram o Acervo Artístico do MARGS a outro nível, tanto em número quanto em qualidade, sendo possível completar algumas lacunas existentes de artistas que não estavam representados ou daqueles/as cuja presença e representatividade não contemplava a abrangência de sua produção e trajetória artística.

As aquisições deste período representam a consolidação de um dos objetivos mais importantes de um Museu de Arte, que é a de colecionar as obras de sua contemporaneidade e projetá-las para o futuro. O MARGS tem essa responsabilidade por ser um Museu de Arte que não se vincula somente a um período (como um museus de arte moderna, por exemplo), sendo que a própria temporalidade abarcada por seu acervo desde os princípios de sua formação aponta para uma ampla abrangência em termos de História da Arte — a saber, do século XIX para cá.

Com as obras que entraram no Acervo Artístico do MARGS nestes últimos 20 anos, foi possível criar e dar início a coleções, tais como a Coleção de Design e a Coleção de Arte Contemporânea Estrangeira. Possibilitou, também, a qualificação de coleções existentes, sendo a Coleção de Cerâmica Contemporânea um exemplo desta qualificação.

Uma das missões de um Museu de Arte é exibir o seu acervo através de um programa de exposições e, a partir daí, produzir conhecimento e tornar-se um elemento importante na produção de saber e no processo de amadurecimento cultural da sociedade. Para que isso seja possível, o acervo da instituição tem de estar em constante expansão e mesmo movimentação, por meio de Políticas de Acervo e Aquisições  que estabeleçam parâmetros, prioridades e linhas de ação para novas e constantes aquisições com respaldo de comissões e comitês de acervo.

 

Clique aqui para pesquisar o catálogo online de obras do MARGS.

O Acervo Documental do MARGS conta com mais de 8 mil publicações bibliográficas e 5 mil pastas contendo documentos sobre a trajetória de artistas e a história de agentes do sistema artístico.

Assim, além de documentos históricos e administrativos desde a fundação do MARGS, em 1954, o Acervo Documental se destaca também pelo expressivo conjunto de documentos relacionados à produção sul-rio-grandense de artes visuais, com especial atenção à biografia e à obra de artistas e demais profissionais com destacada trajetória e reconhecimento no circuito artístico. Os assuntos estão organizados segundo uma hemeroteca.

Quanto a coleção bibliográfica, é formado por volumes, catálogos de exposições, periódicos, álbuns e figuras. Há também uma coleção de vídeos e arquivos fotográficos.

Política de Empréstimos

Como parte integrante das Políticas Institucionais de Exposições e de Acervos, a Política de Empréstimos de obras e itens dos Acervos Artístico e Documental do MARGS para outras instituições do Brasil e do exterior, a fim de integrarem exposições e projetos externos, tem por objetivos:

> Ampliar o acesso aos acervos e alcançar novos públicos,

> Contribuir para exposições, curadorias e programas públicos de qualidade e relevância em museus e instituições do Brasil e no exterior.

As solicitações de empréstimo são aquelas demandadas por outras instituições e museus do Brasil e do exterior, a fim de integrar projetos, curadorias e exposições temporárias em âmbito institucional.

São passíveis de empréstimo obras que se encontrem em condições de integridade de conservação para sua apresentação pública ou que passem por processo de restauração para esta finalidade.

As obras que estejam em exposição no período pleiteado, ou que estejam reservadas para futuras exposições, NÃO estão disponíveis para empréstimo.

Em acordo a procedimentos técnicos e parâmetros de conservação e museologia, o MARGS somente empresta obras para espaços expositivos que disponham de procedimentos de controle ambiental de temperatura e umidade, assim como para solicitantes que apresentem condições e garantias de segurança, salvaguarda e proteção adequadas.

Antes da formalização da solicitação de empréstimo para avaliação pelo Museu, a equipe se reserva o direito de não responder a questões relativas sobre as obras, tais como disponibilidade das peças e valores para seguro.

 

Envio das solicitações de empréstimo temporário 

As solicitações de empréstimo temporário de obras e itens dos Acervos Artístico e Documental do MARGS devem ser formalizadas pelo solicitante e encaminhadas ao Núcleo de Acervos e Pesquisa para avaliação pelo Museu.

No caso de obras de arte, devem ser enviadas para o email acervo@margs.rs.gov.br; e no caso de documentos, livros e publicações, devem ser enviadas para o email documentacao@margs.rs.gov.br.

A formalização da solicitação de empréstimo deve conter as seguintes informações:

a) Carta de solicitação de empréstimo

Assinada pelo representante legal da instituição (deve ser da Pessoa Física que se responsabilizará pelo empréstimo e cuja documentação deverá integrar o contrato de empréstimo), contendo as seguintes informações sobre a exposição:

> Justificativa do empréstimo;

> Título e descrição da exposição, enquadramento curatorial e conceito da mostra;

> Instituição, local e espaço(s) expositivos onde se quer apresentar os empréstimos;

> Currículos e dossiê informativo sobre os proponentes;

> Currículo e dossiê informativo sobre o/a(s) curador/a(s) (no caso de haver curadoria);

> Data de início e término da mostra;

> Data de início e término do empréstimo (incluindo embalagem, coleta, transporte, exposição, re-embalagem e devolução);

> Indicar se a mostra contará com a publicação de catálogo;

> Lista da(s) obra(s) e/ou documento(s) solicitado(s);

> Informar que toda e qualquer despesa decorrente do empréstimo solicitado será custeada pelo solicitante.

b) Facility Report

O solicitante deve enviar o Facility Report da instituição onde se quer apresentar o empréstimo. Na ausência desse documento, deve enviar relatório equivalente no qual constem as condições técnicas do local onde serão exibidas as obras emprestadas, demonstrando a existência de condições ambientais dos espaços expositivos e de segurança adequadas para a sua apresentação.

Assim, na ausência de Facility Report, recomenda-se que a instituição solicitante repasse informações que atendam aos seguintes itens para avaliação do corpo técnico o Museu:

> Descrição do espaço expositivo onde se quer apresentar o empréstimo, idealmente acompanhado de planta arquitetônica;

> Descrição dos procedimentos do controle de temperatura e umidade do espaço expositivo.

> Existência de sistema de alarme contra incêndio;

> Presença de seguranças no prédio e no espaço expositivo. Descrever número de vigilantes, bem como sua atuação e presença segundos os turnos de visitação pública (diurno) e de fechamento (plantão noturno);

> Existência de sistema de câmeras de vigilância e como funciona o monitoramento;

> Presença de mediadores ou monitores no espaço expositivo. Descrever número de profissionais, bem como sua atuação e presença nos períodos de visitação pública;

> Presença de extintores e brigadista de incêndio;

> Existência de Plano de Prevenção, Emergência e Prevenção de riscos, similar ou o que o está previsto quanto a prevenção e segurança contra incêndio e sinistros;

> Descrever equipamento luminotécnico, tipo de lâmpadas utilizadas no espaço expositivo.

c) Quaisquer outras informações que o solicitante julgar serem necessárias

OBS: o MARGS se reserva o direto de não emprestar obras para espaços expositivos que não disponham de procedimentos de satisfatórios de segurança e controle ambiental de temperatura e umidade.

Prazos

Prazos mínimos para recebimento das solicitações:

> Empréstimos nacionais: 03 meses de antecedência da abertura da exposição;

> Empréstimos internacionais: 06 meses de antecedência da abertura da exposição.

Solicitações fora dos prazos estabelecidos serão avaliadas e poderão ser recusadas.

 

Avaliação das solicitações de empréstimo

Uma vez formalizadas, as solicitações de empréstimo são avaliadas pela Direção e corpo técnico do Museu em duas (02) etapas.

Na primeira etapa, leva-se em conta as condições e garantias para o empréstimo apresentadas pelo solicitante e instituição que pretende exibir as obras. A avaliação é feita com base em critérios, condições e procedimentos quanto a segurança, salvaguarda e proteção. São também levados em conta a disponibilidade e o estado de conservação em que se encontram as obras solicitadas.

Se a solicitação de empréstimo for aprovada, o solicitante receberá comunicação do Núcleo de Acervos e Pesquisa a fim de tratar da segunda etapa de avaliação, que envolve Regras e Condições de Empréstimo pelo Museu (condições de seguro, manuseio, embalagem, transporte e montagem).

Nessa segunda etapa de avaliação, serão solicitadas informações e esclarecimentos sobre os profissionais, equipes e empresas responsáveis pela embalagem, transporte, manuseio, montagem de molduras (no caso de obras em papel) e montagem de exposição.

Se a avaliação for favorável, o Museu fará nova comunicação a fim de tratar da documentação necessária para a elaboração do Termo de Empréstimo e demais procedimentos.

Nas duas etapas, o MARGS se reserva o direito de solicitar informações e esclarecimentos adicionais que não constem informados pelo solicitante.

Regras e condições de empréstimo

O solicitante deve arcar com quaisquer custos decorrentes do empréstimo, tais como embalagem, transporte, seguro das obras, custos de acompanhamento de courier, e preparação das obras (restauros, elaboração e montagem de molduras, colocação de vidros anti-reflexo etc.).

a) Seguro das obras de arte

O MARGS somente empresta obras de seus acervos desde que com seguro providenciado e custeado por parte do solicitante. Os valores das obras para fins de seguro são repassados à solicitante pelo MARGS somente após a aprovação da solicitação de empréstimo. O tipo de seguro é o chamado prego-a-prego.

b) Laudos das obras de arte

O MARGS realiza os laudos de saída e chegada das obras no Museu, cabendo ao solicitante do empréstimo garantir e arcar com os custos para os laudos de chegada e saída da instituição promotora (no caso de o MARGS optar por não destacar courier).

c) Courier

Cabe ao MARGS definir a necessidade de courier para acompanhar a saída das obras do museu, a chegada à instituição solicitante, o acompanhamento da montagem e desmontagem, o retorno das obras ao museu e para a realização de laudos (saída-chegada do Museu e chegada-saída da instituição solicitante). Nesse caso, cabe à instituição solicitante arcar com custos de viagem, deslocamento, estadia e diária de trabalho ao profissional destacado pelo MARGS.

d) Preparação das obras, embalagem, manuseio, transporte e montagem

O MARGS define as necessidades de acordo com as obras, suas especificidades, tipologia e o conjunto solicitado. O não cumprimento pelo solicitante acarreta no cancelado do empréstimo.

Para toda e qualquer obra, a solicitante do empréstimo deverá atender às solicitações e condições do Museu e prestar informações sobre os procedimentos e os profissionais e empresas responsáveis por:

> Embalagem

> Manuseio

> Preparação de obras e montagem de molduras

> Transporte

> Montagem da exposição

Para obras em papel, a solicitante do empréstimo deverá fornecer informações sobre o processo e os materiais que serão utilizados, tais como molduras e paspatour.

O MARGS tem a prerrogativa de aprovar ou não os profissionais e empresas destacadas pela solicitante do empréstimo. Também poderá cobrar, através da Associação dos Amigos do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (AAMARGS), valor corresponde ao custeio da preparação das obras (colocação de molduras, restauração etc.), a depender das condições das obras solicitadas.

Condições adicionais para empréstimos internacionais

Em cumprimento à Lei Federal nº 4.845 de 19 de novembro de 1965, a saída temporária de obras do território nacional está sujeita à aprovação do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) – escritório de Brasília. Para maiores informações, ver Portaria nº 262 de 14 de agosto de 1992.

 

OBSERVAÇÕES:

Em razão da reforma do Museu e da pandemia da Covid-19, e para a segurança de funcionários/as e demais profissionais, a circulação de obras será evitada temporariamente. Assim, os empréstimos de obras estão por ora suspensos. Solicitações excepcionais serão avaliadas caso a caso.

O acompanhamento de courier será efetuado em casos pontuais, e será avaliado a sua necessidade considerando os seguintes fatores: o estado de conservação da obra, necessidade de montagem específica, inexistência de profissional da área de conservação na instituição solicitante, o tempo de viagem/deslocamento e outros fatores. O seguro deve contemplar períodos maiores de cobertura para incluir o período de quarentena, e a equipe de transporte, se necessário for, deve retornar ao museu após a quarentena para abrir as caixas.

As solicitações de uso de imagem de obras do Acervo Artístico do MARGS devem ser formalizadas pelo solicitante e encaminhadas ao Núcleo de Acervos e Pesquisa (acervo@margs.rs.gov.br) para avaliação pelo Museu.

Será enviado ao Solicitante um formulário no qual devem ser informadas a necessidade e justificativa do uso de imagem. Em caso de aprovação, será firmado um termo entre Museu e Solicitante com esclarecimentos, condições e regras de uso de imagem.

Juntamente ao trabalho interno de coordenação, gestão, documentação e pesquisa dos Acervos Artístico e Documental, o Núcleo de Acervos e Pesquisa presta atendimento a pesquisadores externos mediante solicitação.

Contato:

(51) 3212-8783

O atendimento ao público é realizado de terça a sexta-feira, das 10h às 12h e das 13h30  às 17h30, mediante agendamento prévio por e-mail.

As solicitações de pesquisa referentes ao Acervo Artístico devem ser formalizadas pelo solicitante e encaminhadas ao Núcleo de Acervos e Pesquisa pelo email acervo@margs.rs.gov.br para avaliação pelo Museu.

Já as solicitações de pesquisa referentes ao Acervo Documental devem ser formalizadas pelo solicitante e encaminhadas para o email documentacao@margs.rs.gov.br ou pesquisa@margs.rs.gov.br  para avaliação pelo Museu.

 

OBSERVAÇÃO:

Em razão da reforma e da pandemia da Covid-19, o expediente presencial do Museu está se dando em revezamento e rodízio nas escalas das equipes.

Para a segurança de funcionários/as e pesquisadores/as, o atendimento presencial segue suspenso durante a reforma e a pandemia da Covid-19. A retomada será avaliada posteriormente, dando-se de forma gradativa.

No momento, o atendimento está sendo realizado por meio digital.

Apoio e Realização