MARGS apresenta exposição dedicada às artistas mulheres presentes no acervo do museu

Coletiva tem curadoria das autoras do projeto de pesquisa Mulheres nos Acervos,
que investiga a produção artística feminina nas coleções públicas de arte de Porto Alegre

Intitulada “Gostem ou não”, exposição apresenta obras de artistas mulheres que consolidaram suas carreiras através de instâncias de legitimação ou autolegitimação em diferentes períodos da história da arte

Com a temática do projeto, procura-se criar um ambiente preparatório para a 12ª Bienal do Mercosul,
que em 2020 ocupará todo o museu com uma edição sobre arte e feminismo

 

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) apresenta a exposição “Gostem ou não — artistas mulheres no acervo do MARGS”, que tem inauguração na quinta-feira 19.12, às 18h, na galeria Iberê Camargo e na sala Oscar Boeira.

As exposição segue em exibição até 22.03.2020, quando os espaços expositivos do MARGS darão lugar aos preparativos para a 12ª Bienal do Mercosul, cuja abertura está prevista para o mês de abril.

O MARGS funciona de terças a domingos, das 10h às 19h, sempre com entrada gratuita. Visitas mediadas podem ser agendadas pelo e-mail educativo@margs.rs.gov.br.

 

Sobre a exposição

Com o objetivo de trazer a público uma exposição sobre artistas mulheres no acervo do MARGS, as autoras do projeto Mulheres nos Acervos — que pesquisam a produção artística feminina nas coleções públicas de arte de Porto Alegre — foram convidadas a desenvolver uma proposição curatorial-expositiva para o museu. Integram o grupo Cristina Barros, Marina Roncatto, Mel Ferrari e Nina Sanmartin, que em comum são alunas ou egressas do curso de graduação em História da Arte do Instituto de Artes da UFRGS.

Em interlocução com a Direção, as pesquisadoras organizaram uma mostra a partir de suas investigações e reflexões. Intitulada “Gostem ou não — artistas mulheres no acervo do MARGS”, a coletiva apresenta, em formato expositivo, uma investigação recente sobre a presença e a representatividade das artistas mulheres no acervo do MARGS, ao mesmo tempo integrando o contexto mais amplo do projeto de pesquisa, que tem resultado em mostras também organizadas pelas pesquisadoras nas outras instituições cujos acervos são também objeto do estudo.

O título da mostra no MARGS é baseado em uma afirmação feita pela pintora Alice Brueggemann (1917-2001) ao jornal Correio do Povo em 1964: “Se gostam ou não do que faço não me interessa”. Nesta ocasião, Brueggemann já era uma artista de trajetória consolidada, mas mesmo assim era frequentemente indagada sobre as escolhas de sua pesquisa artística.

A partir da análise feita sobre o acervo do MARGS, o grupo de pesquisadoras apresenta em sua curadoria artistas e obras, de valor artístico e histórico, que consolidaram suas carreiras através de instâncias de legitimação ou autolegitimação em diferentes períodos da história da arte.

Além do levantamento de dados efetuado pela pesquisa, “Gostem ou não” traz a público obras do acervo artístico do MARGS nunca expostas, como “Projectio I” (1984), de Regina Silveira, e “Atlas do céu azul” (2008), de Marina Camargo, e também aquisições recentes de artistas como Christina Balbão, Alice Brueggemann e Maria Lídia Magliani.

Além disso, o Núcleo Educativo e o Núcleo de Documentação e Pesquisa tornam-se grandes colaboradores no processo de pesquisa da mostra, na medida em que as discussões levantadas pelo projeto já vêm sendo trabalhadas e discutidas dentro do museu por esses setores.

Mulheres nos Acervos é uma pesquisa colaborativa proposta pelas pesquisadoras de história da arte Cristina Barros, Marina Roncatto, Mel Ferrari e Nina Sanmartin, que consiste na coleta e análise de dados sobre a presença de trabalhos artísticos de autoria feminina nas coleções públicas de arte da cidade de Porto Alegre. Em 2019, o projeto já apresentou os resultados da pesquisa e exposições na Pinacoteca Aldo Locatelli e na Pinacoteca Ruben Berta, ambas pertencentes à Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

No MARGS, a simultaneidade da exposição do projeto Mulheres no Acervo e da individual de Mariza Carpes, que tomarão todas as salas expositivas do segundo pavimento do MARGS, foi concebida propositadamente. A intenção é criar um contexto preliminar para a chegada da 12ª Bienal do Mercosul, que a seguir, entre abril e julho de 2020, ocupará todo o MARGS com uma edição voltada às relações entre arte e feminismo.

Assim, em sintonia e afinidade com a temática da próxima Bienal, o MARGS procura oferecer, por meio de sua programação artística, um ambiente preparatório para momento em que o museu prosseguirá sendo palco de debates e experiências sobre a produção de artistas mulheres.

 

Texto curatorial

“Se gostam ou não do que faço, não me interessa”, afirmou Alice Brueggemann (1917-2001), em 1964, em entrevista ao jornal Correio do Povo. Nessa ocasião, a pintora já havia consolidado sua trajetória, mas, mesmo assim, era frequentemente indagada sobre as escolhas de sua pesquisa artística. Brueggemann foi uma das primeiras mulheres a se afirmar como “artista plástica profissional” no Rio Grande do Sul, mantendo por mais de 40 anos um ateliê conjunto com Alice Soares (1917-2005). Foi investigando processos de legitimação ou autolegitimação como esse que estabelecemos o eixo central da pesquisa curatorial de “Gostem ou não – Artistas mulheres no acervo do MARGS”.

A partir dos acervos da instituição, chegamos a um conjunto de artistas e obras, de valor artístico e histórico, que representam diferentes períodos da História da Arte. Nesse sentido, nossos esforços procuram compreender suas trajetórias e como elas se consolidaram e se consolidam no campo da arte. É importante frisar que a escolha diz respeito ao entendimento de que pesquisar os processos de legitimação de artistas mulheres é tão importante quanto pesquisar os silenciamentos de tantas outras, pois assim também é possível compreendermos suas condições de produção e de aceitação por seus pares.

Além da pesquisa curatorial, “Gostem ou não” apresenta aos públicos do MARGS o levantamento de dados efetuado pelo projeto Mulheres nos Acervos, que indica que mulheres representam 35% do total de artistas (390) e 39% do total de obras (2.048). Nossa pesquisa revela, no entanto, que, embora a assimetria entre os gêneros ainda seja uma realidade na coleção do museu, seus números estão acima da média mundial de coleções museológicas de arte (20% de mulheres para 80% de homens).

Nessa perspectiva, a importância de a instituição conhecer a si mesma passa não só por seu acervo, como também por suas estruturas de funcionamento e suas políticas de gestão. Se observarmos a história do MARGS, por exemplo, em um total de 27 gestões, apenas 3 mulheres foram diretoras: Evelyn Berg Ioschpe, Mirian Avruch e RomanitaDisconzi. Entretanto, a equipe técnica do museu sempre foi formada, majoritariamente, por mulheres, fato que nos faz crer que os dados levantados são reflexos dessa dinâmica, uma vez que as políticas de aquisição e exibição estão atreladas diretamente aos cargos de poder.

Entendemos que, para atingir a equidade, é preciso refletir sobre essas políticas e seguir construindo diálogos horizontais, que exigem participações plurais e confrontos com narrativas hegemônicas. Assim, alinhamo-nos com a pesquisadora mexicana Brenda Caro Cocotle: “ou descolonizamos o museu, ou nada feito”.

 

A exposição

Dividida em dois eixos, a exposição apresenta na galeria Iberê Camargo obras produzidas majoritariamente entre o século 19 e o século 20. Já na sala Oscar Boeira são priorizadas obras de arte contemporânea produzidas já no século 21, além dos dados levantados pela pesquisa Mulheres nos Acervos em cartazes colados nas paredes da galeria.

Nesse conjunto, “Gostem ou não” traz a público obras do acervo artístico do MARGS nunca expostas desde suas doações, como “Projectio I” (1984), de Regina Silveira, e “Atlas do céu azul” (2008), de Marina Camargo, além de aquisições recentes de artistas como Alice Brueggemann, Christina Balbão e Maria Lídia Magliani, única artista negra identificada no acervo do museu.

Cabe ainda ressaltar que “Gostem ou não” discute questões de gênero, ainda que as artistas presentes na exposição não tenham necessariamente trabalhado com essas problemáticas em suas obras, visto que produziram e produzem arte a partir de diferentes dinâmicas de poder e situações sociopolíticas. Entretanto, a pluralidade de diálogos e contraposições provenientes dessas produções permite uma abordagem desta que é uma das pautas tão caras ao nosso tempo: a presença de mulheres no campo artístico.

 

 Cristina Barros, Marina Roncatto, Mel Ferrari e Nina Sanmartin
Mulheres nos Acervos

 

 

Palavra do diretor-curador

O MARGS tem investido em uma política de exposições que procura estar a par de discussões e problemáticas prementes a serem enfrentadas pelas instituições museológicas e artísticas, sobretudo por aquelas que se orientam pela busca de relevância e atualidade. Nesse compromisso, está a reivindicação histórica e reparatória por uma maior visibilidade, representatividade e legitimação das artistas mulheres. Trata-se de um empenho que ganhou evidência no MARGS neste primeiro ano da atual gestão, resultando em um conjunto de exposições monográficas de artistas mulheres apresentadas em 2019.

O compromisso crítico que assumimos se reforça agora com esta mostra coletiva que o MARGS apresenta. Com o objetivo de trazer a público uma exposição sobre artistas mulheres no acervo do museu, convidamos o projeto Mulheres nos Acervos — que pesquisa a produção artística feminina nas coleções de arte públicas de Porto Alegre — a desenvolver uma proposição curatorial-expositiva.

Em interlocução com a Direção, as autoras do estudo organizaram a mostra a partir de suas investigações e reflexões. Assim, “Gostem ou não — artistas mulheres no acervo do MARGS” apresenta em formato expositivo uma pesquisa recente sobre a presença e a representatividade das artistas mulheres no acervo do MARGS, ao mesmo tempo integrando o contexto mais amplo do projeto de investigação, que tem resultado em mostras também organizadas pelas pesquisadoras nas outras instituições estudadas.

O momento oferecido por esta exposição coletiva se intensifica por apresentarmos ao mesmo tempo, nas demais salas do mesmo andar do MARGS, uma individual dedicada à obra de Mariza Carpes, que não apenas consagra a produção da artista e professora, como confere maior visibilidade e legibilidade à sua consolidada trajetória.

A simultaneidade dos dois projetos expositivos foi concebida propositadamente, com a intenção de criar um contexto preliminar para a chegada da 12ª Bienal do Mercosul, que a seguir, entre abril e julho de 2020, ocupará todo o museu com uma edição voltada às relações entre arte e feminismo.

Assim, em sintonia e afinidade com a temática da próxima Bienal, procuramos oferecer um ambiente preparatório para momento em que o MARGS prosseguirá sendo palco de debates e experiências sobre a produção de artistas mulheres.

 

Francisco Dalcol
Diretor-curador do MARGS
Doutor em Teoria, Crítica e História da Arte

 

Biografias resumidas

Cristina Barros

Graduanda do Bacharelado em História da Arte na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Estagiária do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS). Possui experiência em mediação cultural e curadoria. Desde 2018 faz parte do corpo editorial da revista acadêmica ÍCONE: Revista Brasileira de História da Arte, vinculada ao Departamento de Artes Visuais e ao Bacharelado em História da Arte da UFRGS. Na pesquisa acadêmica, dedica-se aos estudos de legitimação de práticas artísticas contemporâneas e é bolsista PROBIC/FAPERGS.

Marina Roncatto

Marina M. Roncatto é graduanda do Bacharelado em História da Arte na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Bolsista de Extensão do Setor de Acervo Artístico da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo (IA – DAV/UFRGS), onde contribuiu no processo de catalogação e produção de textos para o catálogo geral lançado em 2015. Em 2017 trabalhou como auxiliar de curadoria da exposição “Aã” na Fundação Vera Chaves Barcellos e em 2018 fez a curadoria da exposição “O Silêncio, o Tempo e a Voz” para o saguão da Reitoria da UFRGS. Neste mesmo ano atuou na performance e instalação “Capa canal” de Héctor Zamora e na instalação performática “Departamento de recursos não revelados” de Mark Dion, ambas presentes na 11º Bienal do Mercosul.

Mel Ferrari

Mélodi Ferrari é historiadora da arte, produtora cultural, pesquisadora e curadora independente. Graduada em História da Arte (2018/2) e Comunicação Social (2012/1), possui especialização em Economia da Cultura (2015/1), todas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem pesquisa publicada sobre Políticas Culturais em Museus e agora dedica-se ao estudo da arte do Rio Grande do Sul através do projeto sobre gênero e acervos Mulheres Nos Acervos. Já atuou como mediadora em instituições culturais da cidade e trabalhou no núcleo de curadoria do MARGS.  Foi curadora de exposições no MARGS, Instituto de Artes Visuais do RS, Instituto de Artes da UFRGS e Pinacotecas da Prefeitura de Porto Alegre. Coordena o projeto educativo da exposição Estratégias do Feminino no Farol Santander Porto Alegre. Integra o conselho curatorial do Linha, espaço de ateliês compartilhados. É sócia e produtora da Papelera – Feira de Artes Gráficas. É coordenadora do colegiado setorial de artes visuais do Estado do Rio Grande do Sul.

Nina Sanmartin

Nina Sanmartin Moreira Alves é graduanda do Bacharelado em História da Arte na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Bolsista de Extensão do Setor de Acervo Artístico da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo (IA – DAV/UFRGS). Em 2018, atuou como co-curadora da exposição Sinfonia da Alvorada, coletiva com artistas do acervo do MARGS e convidado (Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre). Possui experiência em produção cultural e catalogação de acervos de artes visuais.

 

SERVIÇO

“Gostem ou não – Artistas mulheres no acervo do MARGS”
Exposição coletiva
Curadoria: Mulheres nos Acervos
Data: De 19.12.2019 a 22.03.2020
Abertura: 19.12.2019, das 18h às 21h
Local: Galeria Iberê Camargo e sala Oscar Boeira
Entrada gratuita

 

MUSEU DE ARTE DO RIO GRANDE DO SUL – MARGS

 

Patrocínio

Banrisul

BRDE

Sulgás

 

Apoio

Café do MARGS

Banca do livro

Bistrôdo MARGS

Arteplantas

Celulose Riograndense

Oliveira Construções

Tintas Killing

I SEND

 

Realização

Governo do Estado do Rio Grande do Sul

Secretaria de Estado da Cultura do RS

MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul

AAMARGS – Associação dos Amigos do Museu de Arte do Rio Grande do Sul

 

MARGS

Praça da Alfândega, s/n°

Centro Histórico, Porto Alegre, RS

90010-150
Visitação de terça a domingo, 10h às 19h, entrada gratuita

Telefone: (51) 3227-2311

Site: www.margs.rs.gov.br

Facebook: www.facebook.com/museumargs

Instagram: www.instagram.com/museumargs

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