Exposição “Acervo em Movimento” tem substituições de obras, com escolhas do Núcleo de Curadoria

Nesta terça, 9 de abril, a partir das 10h, o público pode conferir a primeira alteração das obras que integram a exposição “Acervo em Movimento: um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do MARGS”, inaugurada em 16/3 nas Pinacotecas do museu. A proposta do projeto curatorial é que, a cada mês, uma equipe do museu se encarregue de substituir cerca de 1/3 das obras em exposição, com o objetivo de propor novas relações, conexões, discussões e experiências frente ao conjunto dos trabalhos expostos.

Nesta primeira “virada” da exposição, a cargo do Núcleo de Curadoria do MARGS, 19 obras darão lugar a outras 19 que saem das reservas técnicas do acervo artístico do museu para passar a integrar a mostra, entre as quais se destacam as de artistas como Magliani, Jac Leirner, Regina Silveira e Alice Soares (veja em anexo a lista de obras).

As escolhas priorizam a equidade de gêneros e raça, aumentando a participação de artistas negros e artistas mulheres em relação à configuração inicial proposta na abertura da exposição pelo diretor-curador Francisco Dalcol. Nesse sentido, o conjunto da exposição passa de 20% de artistas mulheres a 50%. Mais do que estatística, a importância da representatividade está nas obras em si, pois é necessário que se tenha um olhar crítico sobre as representações imagéticas referentes ao feminino e aos indivíduos negros e negras nos acervos das instituições de arte, a fim de se desconstruir narrativas identitárias estereotipadas e ainda pautadas por regimes de visualidade moderno/coloniais.

 

A exposição

Acervo em Movimento é uma ampla exposição baseada no acervo do museu, ocupando as três galerias das Pinacotecas, o espaço mais nobre do MARGS. O projeto expositivo consiste em um exercício experimental de curadoria com as equipes do museu, que atuarão no desenvolvimento da mostra em regime compartilhado. A exposição inaugura com uma seleção de obras do acervo, passando até julho por alterações quase mensais com entradas e saídas de outras obras. Cada uma dessa “viradas” será conduzida por integrantes dos Núcleos de Curadoria, Acervo, Educativo, Documentação e Pesquisa, e Restauro e Conservação.

Acervo em Movimento constitui um primeiro experimento curatorial voltado ao acervo, o qual se quer permanente na política de exibição do MARGS nesta gestão, passando a ocupar diferentes salas do museu depois desta estreia nas Pinacotecas.

 

As alterações de obras acontecem nas segundas-feiras, quando o museu está fechado e podem ser conferidas no dia seguinte.

 

Datas das alterações:

16.03 – Abertura com seleção de obras pelo Diretor-Curador (Duração de 23 dias)

08.04 – Obras escolhidas pelo Núcleo de Curadoria (Duração de 27 dias)

06.05 – Obras escolhidas pelo Núcleo Educativo (Duração de 27 dias)

03.06 – Obras escolhidas pelo Núcleo de Acervo (Duração de 27 dias)

01.07 – Obras escolhidas pelo Núcleo de Documentação e Restauro (Duração de 20 dias)

21.07 –Encerramento da exposição

 

Ações do Núcleo Educativo

Durante o período de visitação até julho, serão realizadas atividades, ações, falas e um curso dentro do programa público da exposição.

Acompanhe a programação:

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TEXTO CURATORIAL

O Acervo Artístico do MARGS guarda mais de 5.600 obras de arte do século 19 à atualidade, de artistas brasileiros e estrangeiros. Abrange, assim, desde produções regidas pelos modelos acadêmicos, passando pelas rupturas das manifestações dos modernismos em diferentes geografias, até chegar à pluralidade dos desdobramentos operados pelas práticas artísticas contemporâneas.

“Acervo em movimento” é um programa expositivo concebido em 2019 para trazer a público esse rico e diversificado acervo, por meio de uma exposição de longa duração que se vale da estratégia de rotatividade do que está exposto.

Assim, obras entram e saem da exposição com o objetivo de manter uma renovação frequente e constante do conjunto em exibição.

As alterações se dão segundo escolhas propostas pela curadoria do Museu e em colaboração com as equipes, que exercitam de modo compartilhado e transversal um mesmo método de organização de uma mostra dedicada a exibir o acervo.

Para que o público acompanhe a dinâmica de substituições das obras, bem como as configurações assumidas pela exposição em suas diferentes fases e momentos, a data de entrada de cada trabalho consta informada em sua etiqueta.

Fundamentado por noções de dispositivo, montagem e display, o modelo de exposição recombinante adotado por “Acervo em movimento” lança mão de um processo curatorial de caráter experimental.

Cada mudança — em parte ou no todo da mostra — opera o que passamos a denominar como “nova virada da exposição”, sendo sempre concebida como uma resposta à configuração anterior, e por vezes até às outras exposições no mesmo momento em exibição no Museu, estabelecendo diálogos com as demais salas e galerias.

Com a estratégia de rotatividade das obras expostas, as substituições geram recombinações que procuram propor novas relações e chaves de compreensão, oferecendo ao público uma exposição sempre viva e dinâmica, que aposta mais na experiência da descoberta do que na orientação do discurso.

O interesse é sondar as provisórias relações de vizinhança estabelecidas entre as obras, assim como as tensões das partes com o todo, propondo desdobramentos que intensificam e multiplicam as formas de ver, sentir e reagir.

Parte-se do entendimento de que obras de arte não “falam” apenas por si mesmas, uma vez que seus sentidos são também efeito do que podem produzir no interior dos territórios relacionais e narrativos que uma exposição é capaz de colocar em causa.

Assim, esta exposição pergunta ao visitante: quais podem ser as relações entre trabalhos distintos e de diferentes épocas, contextos e linguagens?

O convite é que o público constitua os seus caminhos interpretativos, estabelecendo os seus próprios encontros, relações e conexões, os quais sempre envolvem o que já sabemos, a expectativa do que ainda não vislumbramos e o estranhamento transformador da experiência inesperada e arrebatadora.

Ao abrir mão de agrupamentos segundo roteiros lineares e predeterminados por categorias e convenções como técnica, suporte e tipologia, assim como por recortes geográficos de origem e pertencimento, “Acervo em movimento” se alinha às discussões que reavaliam o processo histórico da modernidade artística em sua noção de desenvolvimento cronológico, evolutivo e sucessivo.

Assim, procura-se oferecer um exame crítico de hierarquias, assimetrias e leituras consensuais que reiterariam a construção de um cânone entre as obras do acervo do MARGS, cujo caráter excludente é aqui reavaliado à luz de questões contemporâneas em favor da exigência de maior compromisso com pluralidade, diversidade, inclusão e representatividade.

Em sua proposição, “Acervo em movimento” busca mobilizar questões prementes que orientam a visão curatorial e linha de atuação da direção artística do MARGS, como a necessidade de se descolonizar narrativas hegemônicas, dessacralizar a retórica dos discursos canônicos, tensionar hierarquias dominantes e explicitar as presenças e ausências em acervos e exposições.

Como programa expositivo que marcou a estreia da gestão 2019-2022 do MARGS, “Acervo em movimento” é um programa de caráter permanente que integra a política institucional de aquisições e divulgação do acervo do Museu, instituído com o objetivo de explorar estratégias de abordagem de sua exibição por meio de processos curatoriais voltados à experimentação de estratégias expositivas.

Francisco Dalcol
Diretor-curador do MARGS
Doutor em Teoria, Crítica e História da Arte

 

SERVIÇO

1ª alteração das obras da exposição Acervo em Movimento: um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do MARGS (de 9 de abril a 6 de maio)

Visitação: até 21 de julho de 2019

Local: Pinacotecas do MARGS (Praça da Alfândega, s./n.º)

Entrada Franca

 

O MARGS funciona de terças a domingos, das 10h às 19h, sempre com entrada gratuita.

Visitas mediadas podem ser agendadas no e-mail educativo@margs.rs.gov.br

 

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