“Acervo em movimento” | Maio a agosto de 2022

Acervo em movimento

A Secretaria de Estado da Cultura do RS (Sedac), por meio do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), inaugura versão renovada e inédita da exposição de longa duração “Acervo em movimento”.

Aberta a partir de 21.05.2022 e em exibição até 14.08.2022, esta versão traz a público 2 núcleos distintos, organizados em salas separadas: um núcleo coletivo que aborda a representação conferida ao negro em obras do Acervo do MARGS, e um núcleo individual dedicado à presença da obra da artista Maria Lídia Magliani na coleção do Museu.

NÚCLEO 1

Este núcleo coletivo propõe um exame crítico da representação conferida ao negro em imagens de obras de caráter figurativo e narrativo no Acervo do MARGS. 

São apresentados, na Galeria João Fahrion, mais de 50 trabalhos, de mais de 30 artistas (confira abaixo a lista dos nomes), compondo um conjunto diverso em pintura, gravura, escultura, cerâmica, desenho e fotografia, em um arco histórico do século 19 à contemporaneidade. 

Esse núcleo tem por base estudo realizado pela pesquisadora Izis Abreu, integrante do Núcleo Educativo e de Programa Público do MARGS e autora da dissertação de mestrado intitulada “Repositório memorial da diferença racial: representações visuais de sujeitos racializados como negros no acervo do MARGS”, defendida em 2022 pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGAV) do Instituto de Artes da UFRGS.

NÚCLEO 2

Este núcleo individual presta uma homenagem à artista Maria Lídia Magliani (1946-2012), cujo falecimento completará 10 anos em dezembro de 2022. 

É apresentado o conjunto de suas obras que integram o Acervo do MARGS, com exceção das 3 que no momento estão emprestadas temporariamente integrando a retrospectiva da artista na Fundação Iberê Camargo (em cartaz até 31.07.2022) e das 3 que integram a exposição “Presença Negra no MARGS” (em cartaz até 21.08.2022 no 1º andar do Museu). 

Assim, este núcleo dedicado a Magliani apresenta 10 obras da artista, reunidas nas Salas Pedro Weingärtner e Angelo Guido. 

Um dos destaques são os painéis que Magliani pintou para a peça teatral “A libertação do diretor-presidente”, dirigida por Julio Zanotta e que estreou no Teatro Renascença em agosto de 1979.

Outros destaques são obras de Magliani adquiridas recentemente pelo MARGS, algumas delas por meio de compra, e que serão exibidas pela primeira vez. 

O MARGS possui um total de 16 obras de Magliani (o acervo do Museu pode ser consultado em nosso site). E, no momento, está em tratativa a ampliação da presença da artista no Acervo Documental do Museu, a partir da incorporação de um conjunto documental atualmente sob guarda do Núcleo Magliani, coordenado por Julio Castro. 

Todas essas aquisições de obras e documentos vêm a afirmar o MARGS como um ponto referencial para a memória, a pesquisa e a preservação da obra da artista gaúcha Maria Lídia Magliani.

 

O PROGRAMA “ACERVO EM MOVIMENTO”

“Acervo em Movimento” é um programa expositivo dedicado à exibição pública do acervo do MARGS e suas mais de 5 mil obras de arte. 

O projeto, que marcou a estreia da atual gestão em 2019, opera com um modelo expositivo de rotatividade das obras expostas, mediante um processo curatorial transversal e compartilhado entre as equipes. Obras entram e saem da exposição com o objetivo de manter uma renovação frequente e constante do conjunto em exibição.

Assim, “Acervo em movimento” pergunta ao visitante: quais relações podem ser feitas entre objetos de diferentes origens, períodos e linguagens? O convite é que o público constitua os seus caminhos interpretativos, estabelecendo os seus próprios encontros, relações e conexões.

Nas palavras do diretor-curador do MARGS, Francisco Dalcol:

“Com a estratégia de rotatividade das obras expostas, as substituições geram recombinações que procuram propor novos diálogos e chaves de compreensão, oferecendo ao público uma exposição sempre viva e dinâmica, que aposta na experiência mais do que nos discursos, e na descoberta mais do que nas verdades. Nesta nova versão, a novidade, além do tema em si da cidade de Porto Alegre, é que estamos trazendo algumas obras que estiveram presentes em meses recentes em outras exposições do Museu, e que agora são apresentadas novamente, porém em novos contextos propostos quanto a relações visuais, conceituais, históricas e discursivas.”

Como um dos programas expositivos implementados pela atual gestão já em seu início em 2019, “Acervo em movimento” é um projeto de caráter permanente que integra uma política institucional de exibição do acervo do MARGS instituída com o objetivo de explorar estratégias de sua abordagem por meio de processos curatoriais voltados à experimentação de modelos expositivos.

A exposição de longa duração com rotatividade de obras do Acervo do MARGS ocupa 3 espaços expositivos de modo permanente no 2º andar do Museu: a galeria João Fahrion e as salas Pedro Weingärtner e Angelo Guido.

 

ACERVO EM MOVIMENTO (maio-agosto 2022)

LISTA DE ARTISTAS

Ana Zveibil

Antônio Parreiras

Benito Castañeda

Bernard Bouts

Carlos Scliar

Carlos Vilaró

Danúbio Gonçalves

Edgar Koetz

Emiliano Di Cavalcanti

Francisco Cuoco

Glauco Rodrigues

Gilda Vogt

Glênio Bianchetti

Guido Mondin

Hilda Goltz

Ingeborg Friedrich

Jaci Santos

Jair Dias

Jean-Baptiste Debret

José Carlos Moura

José Lutzenberger

Leda Flores

Lívio Abramo

Luiz Carlos Felizardo

Luiza Prado

Maria Di Gesu

Maria Lídia Magliani

Moacir Andrade

Nelson Faedrich

Pedro Peralta

Plínio Bernhardt

Sophia Tassinari

Suzana Francisconi

Wilbur Olmedo

 

NÚCLEO 1 | REPRESENTAÇÕES DO NEGRO

TEXTO CURATORIAL

Por Izis Abreu

Historiadora da Arte e mestra em História, Teoria e Crítica de Arte
Integrante do Núcleo Educativo e de Programa Público do MARGS
Autora da dissertação de mestrado “Repositório memorial da diferença racial: representações visuais de sujeitos racializados como negros no acervo do MARGS”, defendida em 2022 pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGAV) do Instituto de Artes da UFRGS

Como pessoas negras estão retratadas no Acervo Artístico do MARGS? Como esses modos de representação veiculam certas ideias, perspectivas e visões de mundo? Quais histórias e discursos essas obras narram? Como essas imagens dialogam conosco atualmente? Que tipos de efeitos elas perfazem? Como, no presente, reinstauram o passado, reiteram certos estereótipos, renovam traumas, recolocam contextos de opressão e os reativam? Essas narrativas são produzidas desde que lugar de enunciação? Quem possui autorização discursiva para produzir narrativas sobre si e sobre o outro? E quais ganham visibilidade?

Esses são alguns questionamentos que o núcleo desta sala, na atual configuração de “Acervo em movimento”, lança ao exibir uma fração das quatro narrativas ou enunciados visuais sobre pessoas pretas mais recorrentes no acervo artístico do MARGS: trabalho, nudez feminina, religiosidade ou crença e expressões artísticas e culturais, cada qual apresentada em uma parede.

Tal conjunto de imagens pode ser interpretado como regime racializados de representação, historicamente forjados na cultura visual, que têm os estereótipos raciais como elemento primordial na construção de identidades, realidades e valores capazes de definir lugares sociais específicos a serem ocupados por certos indivíduos, conforme sua pertença racial, de gênero, classe e/ou sexualidade. 

Esses regimes discursivos encontram nos estereótipos raciais, amplamente difundidos e fixados em nosso imaginário social ao longo dos últimos 500 anos, os signos necessários para produzir imagens de controle que justifiquem a opressão racial. 

Isso acontece porque os valores ideológicos da raça (racismo) ainda moldam o modus operandi das nossas relações sociais, bem como a forma como percebemos a raça, produzindo e reproduzindo, ainda que de forma inconsciente, como parece ser o caso das obras exibidas, imagens racializadas de sujeitos negros e negras. 

Conforme nos alerta Chimamanda Adichie (2009) sobre o perigo da história única, “mostre um povo como uma coisa, como somente uma coisa, repetidamente, e [isso] será o que ele se tornará”. 

 

ACERVO EM MOVIMENTO

TEXTO CURATORIAL

Por Francisco Dalcol
Diretor-curador do MARGS
Doutor em Teoria, Crítica e História da Arte

O Acervo Artístico do MARGS guarda mais de 5 mil obras de arte do século 19 à atualidade, de artistas brasileiros e estrangeiros. Abrange, assim, desde produções regidas pelos modelos acadêmicos europeus, passando pelas rupturas das manifestações dos modernismos em diferentes geografias, até chegar à pluralidade dos desdobramentos operados pelas práticas artísticas contemporâneas. 

“Acervo em movimento” é um programa expositivo concebido para trazer a público esse rico e diversificado acervo, por meio de uma exposição de longa duração que se vale da estratégia de rotatividade do que está exposto. 

Assim, obras entram e saem da exposição com o objetivo de manter uma renovação frequente e constante do conjunto em exibição.

As alterações se dão segundo escolhas propostas pela curadoria do Museu e em colaboração com as equipes, que exercitam de modo compartilhado e transversal um mesmo método de organização de uma mostra dedicada a exibir o acervo.

Para que o público acompanhe a dinâmica de substituições das obras, bem como as configurações assumidas pela exposição em suas diferentes fases e momentos, a data de entrada de cada trabalho consta informada em sua etiqueta.

Fundamentado por noções de dispositivo, montagem e display, o modelo de exposição recombinante adotado por “Acervo em movimento” lança mão de um processo curatorial de caráter experimental. 

Cada mudança — em parte ou no todo da mostra — opera o que passamos a denominar como “nova virada da exposição”, sendo sempre concebida como uma resposta à configuração anterior, e por vezes até às outras exposições ora em exibição, estabelecendo diálogos com as demais salas e galerias do Museu. 

Com a estratégia de rotatividade das obras expostas, as substituições geram recombinações que procuram propor novos diálogos e chaves de compreensão, oferecendo ao público uma exposição sempre viva e dinâmica, que aposta na experiência mais do que nos discursos, e na descoberta mais do que nas verdades. 

O interesse é sondar as provisórias relações de vizinhança estabelecidas entre as obras, assim como as tensões das partes com o todo, propondo desdobramentos que intensificam e multiplicam as formas de ver, sentir e reagir. 

Parte-se do entendimento de que obras de arte não “falam” apenas por si mesmas, uma vez que seus sentidos são também efeito do que podem produzir no interior dos territórios narrativos e discursivos que uma exposição é capaz de colocar em causa.

Assim, esta exposição pergunta ao visitante: quais relações podem ser feitas entre objetos de diferentes origens, períodos e linguagens? 

O convite é que o público constitua os seus caminhos interpretativos, estabelecendo os seus próprios encontros, relações e conexões, os quais sempre envolvem o que já sabemos, a expectativa do que ainda não vislumbramos e o estranhamento transformador da experiência inesperada e arrebatadora. 

Ao abrir mão de roteiros predeterminados por categorias e convenções como técnica e estilo, assim como por recortes geográficos e geracionais de procedência e pertencimento, “Acervo em movimento” se alinha às discussões que reavaliam o processo histórico da modernidade artística e sua noção de desenvolvimento linear, cronológico, evolutivo e sucessivo.

Assim, procura-se oferecer um exame crítico de hierarquias, assimetrias e leituras consensuais que reiterariam a construção de um cânone entre as obras do acervo do MARGS, cujo caráter excludente é aqui reavaliado à luz das questões contemporâneas, em favor da exigência de maior compromisso com pluralidade, diversidade, inclusão, representatividade e equidade.

Em sua proposição, “Acervo em movimento” busca mobilizar questões prementes que orientam a visão curatorial e linha de atuação da direção artística do Museu, como a necessidade de se descolonizar narrativas eurocêntricas, dessacralizar a retórica autoritária dos discursos canônicos, tensionar hierarquias preestabelecidas que reiteram os relatos dominantes, e explicitar as presenças e ausências em acervos e exposições. 

Como um dos programas expositivos implementados pela atual gestão já em seu início em 2019, “Acervo em movimento” é um projeto de caráter permanente que integra uma política institucional de exibição do acervo do MARGS instituída com o objetivo de explorar estratégias de sua abordagem por meio de processos curatoriais voltados à experimentação de modelos expositivos.

 

SERVIÇO

“Acervo em movimento”

Nova versão da exposição de longa duração com rotatividade de obras do acervo do MARGS traz a público 2 núcleos distintos, organizados em salas separadas: um núcleo coletivo que aborda a representação conferida ao negro em obras do Acervo do MARGS, e um núcleo individual dedicado especialmente à presença da obra da artista Maria Lídia Magliani na coleção do Museu.

Quando: 21.05.2022 a 14.08.2021

Onde: 2º andar do MARGS (galeria João Fahrion e salas Pedro Weingärtner e Angelo Guido)

Visitação: o período de visitação das exposições no MARGS é de terça-feira a domingo, das 10h às 19h (último acesso 18h30), sempre com entrada gratuita. O Museu também oferece ao público visitas mediadas às mostras, mediante agendamento através do e-mail educativo@margs.rs.gov.br. São também oferecidas visitas técnicas ao Museu, mediante solicitação prévia e avaliação.

 

MARGS | MUSEU DE ARTE DO RIO GRANDE DO SUL 

Instituição museológica pública, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura do RS, voltada à história da arte e à memória artística, assim como às manifestações, linguagens, investigações, pesquisas e produções em artes visuais.

O MARGS realiza seus projetos por meio do Plano Anual via Lei de Incentivo à Cultura Federal, gerido pela Associação de Amigos do Museu (AAMARGS). O Plano Anual 2021 (Pronac: 203582) conta com os seguintes patrocinadores e apoiadores.

Patrocínio:

Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE

CMPC Celulose Riograndense Ltda

Vero Banrisul

Sulgás

Apoio:

Café do MARGS

Banca do Livro

Bistrô do MARGS

Arteplantas

Tintas Killing

iSend

Realização:

AAMARGS – Associação dos Amigos do Museu de Arte do Rio Grande do Sul 

MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul 

SEDAC – Secretaria de Estado da Cultura do RS / Governo do Estado do Rio Grande do Sul

Secretaria Especial da Cultura / Ministério do Turismo / Governo Federal

MARGS

Praça da Alfândega, s/n°

Centro Histórico, Porto Alegre, RS, 90010-150

Visitação de terça a domingo, 10h às 19h, entrada gratuita

Telefone: (51) 3227-2311

Site: www.margs.rs.gov.br

Facebook: https://www.facebook.com/museumargs

Instagram: www.instagram.com/museumargs

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