“Acervo em movimento” | Exposição de longa duração com rotatividade de obras da coleção do MARGS | Dezembro de 2019 a março de 2021

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) apresenta a mais nova fase da exposição “Acervo em movimento — Um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do MARGS”.

Esta versão da exposição foi inaugurada em 14.12.2019, e interrompida em 18.03.2020 em razão do fechamento do Museu em enfrentamento à pandemia do Covid-19.

 

A exposição

Projeto de caráter permanente da atual gestão, “Acervo em movimento — um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do MARGS” é uma exposição viva e dinâmica, uma vez que opera com um modelo de rotatividade de obras da coleção do MARGS, com substituições que se alternam marcando distintos períodos expositivos.

A estreia se deu em março de 2019, nas Pinacotecas do museu, marcando a chegada da nova gestão do museu. A exposição se desenvolve como um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do museu (Núcleos de Curadoria, Acervo, Educativo, Documentação e Pesquisa, Restauro e Conservação), que conjuntamente e em revezamento exercitam uma mesma estratégia de organização de uma mostra dedicada ao acervo. Assim, coloca-se em operação um modelo de exposição recombinante, em que obras entram e saem durante o período expositivo.

À primeira seleção, proposta em março pelo diretor-curador, seguiram-se nos meses seguintes alterações no conjunto em intervalos quase mensais, sendo uma resposta à outra, cada qual implementada por uma equipe do MARGS.

Em agosto, a exposição entrou em sua segunda fase, passando a ocupar a Sala Aldo Locatelli. Desde então, foram realizadas duas “viradas” com entradas e saídas de obras do acervo do museu.

Agora, a mostra passou por uma substituição total, a cargo do Núcleo de Acervo do MARGS (Daniela S. Tyburski, Eneida Michel da Silva e Raul César Holtz Silva), que foi designado para ser responsável pelas escolhas e decisões curatoriais quanto às obras que entram na exposição e a disposição que assumirão no espaço expositivo.

A equipe do Núcleo de Acervo privilegiou obras acadêmicas e modernas, cumprindo assim o objetivo da direção artística de contrabalançar a maior presença que a arte contemporânea terá com as demais exposições em exibição no mesmo período.

A nova seleção de obras apresenta a produção de artistas cujo estilo se caracteriza pelo academicismo, ocorrido em fins do séc. 19 e início do séc. 20, e pelo modernismo, que se caracteriza por romper com os padrões acadêmicos, traçando um novo ponto de vista estético e conceitual ao longo do século 20. Representando os acadêmicos, serão apresentadas obras de Pedro Alexandrino (1884-1942), Henry Geoffroy (1853-1924), Lucien Simon (1861-1945), Pedro Weingärtner (1853-1929) e LibindoFerrás (1877-1951), dentre outros. Já entre os modernos haverá obras de Alfredo Volpi (1896-1988), Tarsila do Amaral (1886-1973), Bustamante Sá (1907-1988) e Vasco Prado (1914-1998), dentre outros.

Ao lançar mão da estratégia de substituições dos trabalhos de arte enquanto metodologia crítica, “Acervo em movimento” busca oferecer uma exposição que aposta na experiência mais do que nos discursos, e na descoberta mais do que nas verdades.

O projeto integra uma política institucional de exibição dedicado a explorar estratégias de abordagem do acervo do museu por meio de exercícios curatoriais voltados à experimentação de modelos expositivos.

 

Texto curatorial

O Acervo Artístico do MARGS guarda mais de 5.600 obras de arte do século 19 à atualidade, de artistas brasileiros e estrangeiros. Abrange, assim, desde produções regidas pelos modelos acadêmicos, passando pelas rupturas das manifestações dos modernismos em diferentes geografias, até chegar à pluralidade dos desdobramentos operados pelas práticas artísticas contemporâneas. 

“Acervo em movimento” é um programa expositivo concebido em 2019 para trazer a público esse rico e diversificado acervo, por meio de uma exposição de longa duração que se vale da estratégia de rotatividade do que está exposto. 

Assim, obras entram e saem da exposição com o objetivo de manter uma renovação frequente e constante do conjunto em exibição.

As alterações se dão segundo escolhas propostas pela curadoria do Museu e em colaboração com as equipes, que exercitam de modo compartilhado e transversal um mesmo método de organização de uma mostra dedicada a exibir o acervo.

Para que o público acompanhe a dinâmica de substituições das obras, bem como as configurações assumidas pela exposição em suas diferentes fases e momentos, a data de entrada de cada trabalho consta informada em sua etiqueta.

Fundamentado por noções de dispositivo, montagem e display, o modelo de exposição recombinante adotado por “Acervo em movimento” lança mão de um processo curatorial de caráter experimental. 

Cada mudança — em parte ou no todo da mostra — opera o que passamos a denominar como “nova virada da exposição”, sendo sempre concebida como uma resposta à configuração anterior, e por vezes até às outras exposições no mesmo momento em exibição no Museu, estabelecendo diálogos com as demais salas e galerias. 

Com a estratégia de rotatividade das obras expostas, as substituições geram recombinações que procuram propor novas relações e chaves de compreensão, oferecendo ao público uma exposição sempre viva e dinâmica, que aposta mais na experiência da descoberta do que na orientação do discurso.

O interesse é sondar as provisórias relações de vizinhança estabelecidas entre as obras, assim como as tensões das partes com o todo, propondo desdobramentos que intensificam e multiplicam as formas de ver, sentir e reagir. 

Parte-se do entendimento de que obras de arte não “falam” apenas por si mesmas, uma vez que seus sentidos são também efeito do que podem produzir no interior dos territórios relacionais e narrativos que uma exposição é capaz de colocar em causa. 

Assim, esta exposição pergunta ao visitante: quais podem ser as relações entre trabalhos distintos e de diferentes épocas, contextos e linguagens?

O convite é que o público constitua os seus caminhos interpretativos, estabelecendo os seus próprios encontros, relações e conexões, os quais sempre envolvem o que já sabemos, a expectativa do que ainda não vislumbramos e o estranhamento transformador da experiência inesperada e arrebatadora. 

Ao abrir mão de agrupamentos segundo roteiros lineares e predeterminados por categorias e convenções como técnica, suporte e tipologia, assim como por recortes geográficos de origem e pertencimento, “Acervo em movimento” se alinha às discussões que reavaliam o processo histórico da modernidade artística em sua noção de desenvolvimento cronológico, evolutivo e sucessivo.

Assim, procura-se oferecer um exame crítico de hierarquias, assimetrias e leituras consensuais que reiterariam a construção de um cânone entre as obras do acervo do MARGS, cujo caráter excludente é aqui reavaliado à luz de questões contemporâneas em favor da exigência de maior compromisso com pluralidade, diversidade, inclusão e representatividade.

Em sua proposição, “Acervo em movimento” busca mobilizar questões prementes que orientam a visão curatorial e linha de atuação da direção artística do MARGS, como a necessidade de se descolonizar narrativas hegemônicas, dessacralizar a retórica dos discursos canônicos, tensionar hierarquias dominantes e explicitar as presenças e ausências em acervos e exposições. 

Como programa expositivo que marcou a estreia da gestão 2019-2022 do MARGS, “Acervo em movimento” é um programa de caráter permanente que integra a política institucional de aquisições e divulgação do acervo do Museu, instituído com o objetivo de explorar estratégias de abordagem de sua exibição por meio de processos curatoriais voltados à experimentação de estratégias expositivas.

Francisco Dalcol
Diretor-curador do MARGS
Doutor em Teoria, Crítica e História da Arte

 

SERVIÇO

 

Acervo em movimento – Um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do MARGS” (exposição de longa duração com rotatividade de obras do acervo)

Curadoria: Equipes do MARGS

Visitação: inaugurada em 14.12.2019 e interrompida em 18.03.2020 em razão do fechamento do Museu em enfrentamento à pandemia do Covid-19, a mostra retornará quando o MARGS reabrir para visitação do público no dia 22.10.2020

Local: Sala Aldo Locatelli

Entrada gratuita

 

 

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