Núcleo de Acervo

Perfil do Acervo

Define-se o MARGS como um Museu Enciclopédico orientado para a arte produzida no Ocidente a partir de meados do século 19 até a contemporaneidade, de modo especial, para a arte gerada no Brasil e no Rio Grande do Sul;

Objetivo geral

O Núcleo de Acervo do MARGS tem por objetivo a sistematização, a conservação e a ampliação dos acervo artístico do Museu, bem como a organização da documentação referente as obras e os artistas que compõem o seu acervo.

Objetivos específicos

Planejar e supervisionar a aquisição de obras para o acervo artístico do Museu;

Sistematizar o acervo artístico do Museu e promover o seu estudo, de modo a fornecer subsídios para a pesquisa, para a conservação e o restauro, bem como para a organização de exposições;

Organizar a guarda e providenciar os cuidados necessários à conservação das obras de arte pertencentes ao Museu;

Organizar e supervisionar o acesso aos acervos e arquivos sob sua guarda, de modo a dar atendimento às demandas de setores do Museu e de consulentes em geral.

Metas

O Núcleo de Acervo do MARGS tem por metas:

A conservação e a ampliação do acervo artístico do Museu, levando em conta o perfil do MARGS como um Museu orientado para a arte produzida no Ocidente a partir de meados do século 19 e, de modo especial, para a arte gerada no Brasil e no Rio Grande do Sul;

ATIVIDADES

Guarda e manutenção das obras de arte mantidas pelo Museu, acompanhando sua movimentação, zelando por sua preservação;

Controle e atualização do registro e indexação das obras de arte mantidas pelo Museu;

Previsão de prioridades e avaliação da aquisição de obras de arte;

Manutenção e planejamento da sistematização das obras e de sua localização em coleções;

Apoio à produção de pesquisa e auxílio a consulentes.

Atendimento externo (por agendamento):

De terça a sexta-feira das 10hs às 18hs.

Equipe:

Raul Holtz Silva (coordenador)

Eneida Michel da Silva

Contato:

acervo@margs.rs.gov.br

Telefone: (51) 3225-7773

Por José Luiz do Amaral

Falar do acervo artístico de um museu é falar tanto de obras que nos acostumamos a ver expostas ao longo do tempo quanto de tesouros mantidos em locais inacessíveis ao olhar do público. Os museus mostram e os museus guardam, escondem, preservam. Um museu é o seu acervo, embora ele precise também, para existir como museu, do jogo urdido com perícia entre o exibir e o ocultar. Algo que o MARGS tem conseguido muito bem.

Podemos dizer que se trata de um museu de médio, ou mesmo de pequeno porte, tendo em conta que nele não encontraremos senão cerca de 3.000 obras. Pouco, se levarmos em conta que os grandes museus apresentam cifras acima de 100.000, às vezes até, muito acima. Mas, com isso, não se desqualifica o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, cujo papel tem sido dos mais significativos, tanto como instância de consagração quanto como centro impulsionador das artes plásticas no Sul. Em primeiro lugar, porque a instituição tem cumprido a contento o papel de atrair o olhar do público para o que tem a exibir. Mas, principalmente, porque – desde de que Malagoli, seu fundador, adquiriu as primeiras peças, enfocando especialmente o modernismo no Brasil – o acervo do Museu nunca deixou de se ampliar em função de um eixo organizador.

Assim é que uma análise geral do acervo do MARGS, facilmente acaba por se transformar também em uma visão ampla dos caminhos percorridos pela arte no Brasil durante o século vinte. A observação do surgimento e do desdobramento da modernidade brasileira impõe-se como fio condutor da coleção. Embora algumas das obras remontem a épocas anteriores, e estejam presentes artistas europeus e de outros países americanos, é especialmente para o desdobramento da produção de arte em terras brasileiras, a partir de fins do século 19, que aponta essa coleção. Mesmo o núcleo de autores europeus presentes, pode ser identificado como representativo das influências que preparam o surgimento do modernismo no Brasil. Logo, verifica-se também que ressaltam, no conjunto, os caminhos seguidos pela produção sul-rio-grandense de artes plásticas. Por isso, podemos dizer que o MARGS é um museu voltado para a pesquisa da história da arte brasileira e, mais particularmente, para a pesquisa do desenvolvimento da arte no Rio Grande do Sul.

A partir dessa constatação é que o acervo do Museu se qualifica entre os mais representativos, uma vez que ele possibilita acompanharmos todo o desenvolvimento da arte brasileira e, de forma especial, da arte surgida no Sul, ao longo do tempo em que se constituiu a República e o Estado Moderno no Brasil. Um acervo que registra e nos conta o desdobrar-se de um processo artístico que podemos organizar em segmentos que se estendem desde a preparação do modernismo até a sua releitura – ou ultrapassagem – nos últimos anos do século 20 e nos primeiros momentos do século 21.

A passagem para o século 20

Encontram-se no acervo do MARGS obras de fins do século dezenove e início do século vinte que ilustram dois aspectos marcantes da arte que se produzia então no Brasil: a total dependência dos modelos europeus e a prevalência dos preceitos da Academia. Já se insinuam aí, entretanto, algumas sinalizações que apontam para os futuros caminhos da modernidade, como podemos ver nas pinturas de Visconti, Artur Timótheo da Costa e, mesmo, nas gravuras e pinturas do gaúcho Pedro Weingärtner, que marca o início do sistema de arte auto-referenciado no Rio Grande do Sul.

Não é por acaso que encontramos bons exemplos da produção artística de Pedro Weingärtner no acervo do MARGS. Trata-se do primeiro artista em que a sociedade sul-rio-grandense se reconhece como produtora de arte. Suas pinturas, realizadas no Estado ou na Europa, onde permanecia longas temporadas, eram saudadas com orgulho pelos jornais locais como obras de arte do Rio Grande do Sul. A partir de então é que o sistema das artes plásticas irá se estruturar e consolidar no Sul com o desenvolvimento de uma produção sistemática.

Deste período, cabe destacar as presenças dos europeus: Joseph Bail, Juan Julio E. Geoffroy, Jean Paul Laurens, Lucien Simon, Luigi Napoleone Grady e Rosa Bonheur. Um elenco reduzido, mas que nos apresenta um bom exemplo da preocupação da elite brasileira, que se iniciava nos costumes do civilismo republicano, com buscar modelos entre os retratistas e pintores de alegorias situados nos limites do bom comportamento acadêmico.

Entre os brasileiros, Arthur Timótheo da Costa, Eliseu Visconti, Henrique Bernardelli, Rodolfo Bernardelli e Pedro Alexandrino nos trazem os ecos da Academia Brasileira de Belas Artes, ao mesmo tempo em que evidenciam a reorganização da sociedade brasileira, reproduzindo cenas do cotidiano burguês. Uma pesquisa da realidade imediata que, em Arthur Thimóteo da Costa, pode ser caracterizada como pré-modernista. Uma tendência renovadora que também se evidencia em Eliseu Visconti e Pedro Weingärtner, que se voltam para as questões da forma e do estilo que, a partir da influência européia, tomavam conta da arte e da literatura nas novas repúblicas latino-americanas.

O modernismo

Tanto dos artistas que agitaram São Paulo e o Brasil com a Semana de Arte Moderna de 1922 quanto dos que os seguiram, consolidando e abrindo novas perspectivas para o modernismo em terras brasileiras, há significativos exemplos no acervo do MARGS. Diversos aspectos da movimentação rumo à modernidade que agitou a arte e a cultura brasileira desde a década de 1920 até meados do século 20, gerando tendências e alternativas diversas, estão representados no conjunto de obras que o Museu abriga.

Também nos leva, o acervo do MARGS, pelos caminhos da modernidade no Rio Grande do Sul. Caminhos que apontam a Europa, com a qual os artistas possuíam contato direto, distanciando-se das propostas oriundas de São Paulo e do Rio de Janeiro. O que fica particularmente evidente quando observamos as marcas do expressionismo alemão em João Fahrion e tomamos conhecimento de que, após passar uma temporada na República de Weimar, ele fez questão de doar duas gravuras da expressionista Käte Kollwitz para o Museu.

Entre os destaques do Modernismo Brasileiro, o MARGS conta com obras dos que participaram dos primeiros agitados momentos, na década de 1920, como Di Cavalcanti, Lasar Segall, Oswaldo Goeldi e Tarsila do Amaral. Encontramos também os que, a partir dos anos de 1930, retomam as preocupações do Realismo-naturalismo, com uma linguagem menos sofisticada e mais voltada para questões sociais. É o caso de Ado Malagoli, Edson Motta e Bustamante Sá, que participaram do Núcleo Bernardelli, no Rio de Janeiro. É também o caso de Aldo Bonadei e Volpi, que podem ser vistos como representantes do Grupo Santa Helena ou, junto com Rossi Osir, podem ser incluídos entre os membros daquele elenco de descendentes de italianos, com um olhar voltado para o dia-a-dia da cidade e da gente simples, que Mário de Andrade denominou de Família Artística Paulista. Entre os representantes dessa segunda fase modernista, como não poderia deixar de ser, está marcada a presença de Cândido Portinari, que acabou por ser transformado em um ícone da nacionalidade graças à maneira como elabora a síntese dos projetos de salvação nacional, propostos desde a primeira hora do Modernismo. Igualmente situados nesses tempos de consolidação do moderno, mas menos comprometidos tanto com o vanguardismo quanto com o ativismo social, embora vinculados à realidade popular através de uma pintura que poderíamos denominar de figuração lírico-popular, aparecem ainda as figuras de Alberto Guignard e Heitor dos Prazeres.

Em meio aos artistas que trazem para o Sul os ecos da modernidade européia, gerando o que se pode chamar de um modernismo à moda sulina, destacam-se no acervo do Museu: Fernando Corona, Sotéro Cosme e João Fahrion, cujas obras se impuseram ao gosto local não só em exposições, mas veiculadas por revistas – como Máscara, Kodak e, depois, a Revista do Globo – ou servindo de ilustração a livros, em um momento de grande intensidade do movimento editorial no Rio Grande do Sul. Junto à assimilação das propostas das vanguardas européias, cabe reconhecer, por outro lado, uma atitude mais cautelosa e arredia de uma modernidade hesitante que conviverá ainda por muito tempo com tendências oriundas do academicismo e do pré-modernismo. É o caso de Angelo Guido, Aldo Locatelli, Leopoldo Gotuzzo, Luiz Maristany de Trias, Benito Castañeda, José Lutzenberger e Libindo Ferrás.

Meados do século 20

Com o expansionismo da sociedade urbano-industrial, empreendido após a Segunda Guerra, chegam e se desenvolvem no Brasil sinalizações artísticas integradas à crescente mundialização da economia e da linguagem, como é o caso das várias tendências abstracionistas e, mais adiante, da Pop Arte. No Rio Grande do Sul, entretanto, ocorre uma atitude de oposição e de resistência expressa nas obras do Clube de Gravura de Porto Alegre. É interessante observar como se evidencia na montagem do acervo do MARGS a mesma tendência geral da cultura e da arte no Rio Grande do Sul para um certo auto-centramento gerador de desconfiança com relação às propostas do centro do País. As aquisições, até então e ainda durante muito tempo, privilegiam os diversos tipos de figuração e quase desconhecem a pujança do Concretismo e do Neo-concretismo de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Não se contam em grande número, na coleção do Museu, os exemplares do abstracionismo com que o sistema brasileiro de artes integrava-se aos influxos do expressionismo abstrato e do concretismo que se impunham no circuito internacional das artes plásticas, tanto gerando a movimentação do Concretismo em São Paulo e do Neo-concretismo no Rio de Janeiro quanto dando surgimento a obras com a linguagem do informalismo. Entre eles, cabe destacar: Fayga Ostrower, Hércules Barzotti, Paulo Pasta, Lygia Pape, Arthur Luiz Piza, Manabu Mabe. Também é significativo observar que, muito poucos artistas do Rio Grande do Sul seguem nos anos de 1950 e de 1960 pelos caminhos da abstração, seja ela informal ou de cunho concretista. A grande exceção é Iberê Camargo que toma, nessa época, os rumos do informalismo, embora se evidencie o quanto a figuração, de uma ou de outra maneira, sempre rondou a sua obra.

Há, em compensação, bons exemplos no MARGS dos vários aspectos que a figuração tomava nesse tempo. Das obras de Avatar Moraes, Cláudio Tozzi, Leo Fuhro e Rubens Guerchman, nos vêm exemplos da figuração crítica e da figuração com influências do Pop. Em Farnese, Odriozola e Samico, as possibilidades de um realismo-mágico. E, ainda, exemplos de uma tradição sempre presente na arte brasileira e em suas realizações no Sul que podemos caracterizar como uma figuração livre que se evidencia em artistas como Darel, Evandro Carlos Jardim, Lívio Abramo, Mario Cravo Júnior, Marcelo Grassmann, Thomas Ianeli.

Com relação ao que estava sendo produzido no Rio Grande do Sul, ressalta a presença do Clube de Gravura de Porto Alegre, com uma figuração de resistência ao abstracionismo e centrada no ativismo social promovido pela 3ª Internacional. Uma produção gráfica que logo iria influenciar tanto uruguaios e argentinos quanto outras regiões brasileiras, como é o caso de Recife. Dos autores do Clube, destacam-se no acervo obras de Carlos Scliar, Vasco Prado, Danúbio Gonçalves, Glauco Rodrigues, Glênio Bianchetti, Plínio Bernhardt, Edgar Koetz e Gastão Hofstetter. Ao lado desses, pode-se observar como se desenvolveu na região uma figuração com preocupação voltada para a busca de soluções formais e para questões da existência, em que se destacam, entre outros, Alice Brueggemann, Alice Soares, Joel Amaral, Trindade Leal, Edgar Koetz, Caringi, Gastão Hoffstetter, Plínio Bernhardt, Francisco Stokinger, Yeddo Titze, Leo Dexheimer, Cláudio Carriconde e Joaquim da Fonseca. E não falta exemplo também de como, nessa mesma época, tomou vulto, no Rio Grande, o muralismo com tons clássicos do italiano Aldo Locatelli.

As décadas de 1970 e 1980

Com a entrada mais decidida do Brasil na modernidade industrial, implementa-se um forte desenvolvimento do mercado de arte. As linguagens oriundas das grandes mostras internacionais penetram mais rapidamente e desenvolvem-se com maior velocidade nos principais centros brasileiros. Hiper-realismo, experiências conceituais, tecnológicas e, logo, as influências européias do neo-expressionismo e da transvanguarda apontam caminhos nas Bienais de São Paulo. Concomitantemente, entretanto, estão presentes a vigilância e as restrições do regime de força. Tudo isso gera, por um lado, motivações para o desenvolvimento da arte e, por outro, uma necessidade de escapar dos controles oficiais. Uma intensa produção de linguagens gráficas, mais imediatas e de acordo com a urgência que então se impunha à comunicação, parecem responder a esses condicionantes. Outra resposta é a recorrente utilização da metáfora e da alegoria que iludem o bloqueio da censura. O MARGS volta-se, neste período, de forma especial para os aspectos da arte que se desenvolvia no Rio Grande do Sul. Não deixa, entretanto, de apontar os caminhos de uma nova figuração brasileira e de preocupar-se com registrar aspectos da contemporaneidade no País.

Entre os exemplos da nova figuração brasileira, cabe destacar Glauco Rodrigues, Iberê Camargo, João Câmara Filho, Siron Franco, Maria Lidia Magliani; seguindo na direção das propostas conceituais, Regina Silveira; e como registro do Hiperrealismo, Glauco Pinto de Moraes e Carlos Petrucci.

Inúmeros são os artistas sul-rio-grandenses com obras desse período no acervo do Museu, entre eles, com pintura e produção gráfica, Ana Alegria, Armando Almeida, Alfredo Nicolaiewsky, Anico Herskowits, Carlos de Britto Velho, Carlos Pasquetti, Clara Pechansky, Carlos Wladimirsky, Eleonora Fabre, Fernando Baril, Frantz, Heloisa Schneiders da Silva, Karin Lambrecht, Luiz Brasil, Luiz Gonzaga, Maria Tomaseli Cirne Lima, Maria Lúcia Cattani, Mário Röhnelt, Milton Kurtz, Marlies Ritter, Patrício Farias, Paulo Amaral, Paulo Peres, Paulo Porcella, Regina Ohlweiler, Vera Chaves, Wilson Cavalcanti; e, com escultura, Carlos Tenius, Francisco Stockinger, Gustavo Nakle, João Bez Batti, Vasco Prado.

A presença da gravura

Mesmo uma visão geral do acervo do MARGS que não se detenha na análise das obras em função da técnica e da linguagem, não pode deixar de observar a intensa presença da gravura sul-rio-grandense e brasileira neste conjunto.

Entre os gravadores do Rio Grande do Sul, encontramos exemplos que marcam o decidido desenvolvimento da reprodução gráfica desde Pedro Weingärtner até Iberê Camargo, ambos mestres na gravura em metal. Há as impressões das xilogravuras e das linoleogravuras do Clube de Gravura de Porto Alegre, realizadas por Scliar, Vasco, Danúbio, Koetz, Glauco Rodrigues, Bianchetti, Plínio Bernhardt e outros. E há também litografias, litogravuras, as várias técnicas do metal, serigrafias, xilogravuras e monografias de inúmeros artistas em que se vem mantendo e renovando a tradição da gravura sulina, como Anico Hercowitz, Armando Almeida, Anestor Tavares, Camilo Otacílio, Cavalcanti, Circe Saldanha, Cris Rocha, Clarice Jaeger, Diana Domingues, José Carlos Moura, Leo Fuhro, Luiz Brasil, Maria Tomaselli Cirne Lima, Maria Lúcia Cattani, Maria de Gesu, Maristela Salvatori, Marta Loguércio, Paulo Peres, Regina Ohlweiler, Vera Chaves e Zorávia Betiol.

Também não faltam exemplos da gravura produzida por artistas de outras regiões brasileiras, ao longo do século 20, como Tarsila do Amaral, Oswaldo Goeldi, Livio Abramo, Maciej Babinski, Renina Katz, Samico, Newton Cavalcanti, Maria Bonomi, Marcelo Grassman, Evandro Carlos Jardim, Rubem Grilo, Roberto Magalhães, Darel Valença Lins, Carlos Martins, Arthur Piza e Carlos Zilio.

A passagem para o século 21

Desde fins da década de 80 até a reforma de suas instalações entre 1995 e 1997, o MARGS esteve especialmente ocupado com o enfrentamento de problemas apresentados pelas condições materiais para a guarda e manutenção das obras que abriga. Apesar disso, não descuidou da busca dos diversos caminhos a que se abria a contemporaneidade brasileira. É nessa direção que aponta a realização do Salão Caminhos do Desenho Brasileiro que trouxe, entre outros, Daniel Senise para o acervo. Assumiu também, o Museu, com clareza, o papel de pesquisa e divulgação da arte sulina, incluindo aí a busca de aproximação com os vizinhos países da Bacia do Prata. Já em 1989, quando ainda não se falava em Mercosul, começavam ser realizados os Encontros Latino-Americanos de Artes Plásticas, com forte participação do MARGS. Cabe também destacar a preocupação do Museu com a arte no Rio Grande do Sul, de que apresentou amplos panoramas com as exposições Arte Sul – 89, Arte Sul – 93 e Arte Sul – 96.

Destes últimos tempos, destacam-se no no acervo os brasileiros: Alex Fleming, Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Carlos Fajardo, Carlos Vergara, Cláudio Tozzi, José Resende, José Roberto Aguilar, Leonilson, Nuno Ramos, Siron Franco, Tunga, Victor Arruda, Waltércio Caldas. Dos Encontros Latino-Americanos, ficou um trabalho que merece destaque, realizado por artistas sul-rio-grandenses em conjunto com o argentino Luís Felipe Noé – um dos principais ciradores da otra figuración que foi influência marcante para o surgimento da nova objetividade no Rio e em São Paulo. Também não faltam obras realizadas no Rio Grande do Sul durante a passagem para o século 21, tanto por artistas já anteriormente consagrados quanto por outros mais representativos da produção gerada a partir de 1990, como Félix Bressan e Mauro Fuke, entre outros.

Conclusão

Pouco mais de um século, pouco mais do que exemplos de cada momento, o suficiente, porém, para inúmeras viagens pelos caminhos por onde se tem forjado a arte em terras brasileiras, e ainda pelas trilhas e desvios por onde o sistema de artes se foi constituindo no Sul. Um acervo que não tem cessado de se ampliar, mas ainda guarda a orientação dada por seu idealizador, Ado Malagoli, o que o torna significativo, e até mesmo imprescindível, como material de referência para a pesquisa da arte no Brasil.

Nestes primeiros 15 anos do século XXI a qualificação do acervo do MARGS foi expressiva a quantidade de obras saltou de 2.283 em 1999 para 3.624 no final de 2014, representando um acréscimo de mais de 50% do total das obras do acervo no final de 1999. Ou seja, em 15 anos foram incorporadas a coleção praticamente a metade de tudo o que foi colecionado no período de 1954 até 1999. Estas aquisições elevaram o acervo do MARGS a outro nível, tanto em numero quanto em qualidade, foi possível completar algumas lacunas existentes de artistas que não eram representados no acervo ou a que a representação não retratava a sua trajetória artística.

As aquisições deste período representa a consolidação de um dos objetivos mais importantes de um Museu de Arte, que é a de colecionar as obras de sua contemporaneidade e projeta-las para o futuro, O MARGS tem essa responsabilidade por ser um Museu de Arte Enciclopédico que a priori abrange toda a História da Arte, por certo não temos a pretensão de abranger toda a História, mas sim, deixarmos uma contribuição colecionando o que está sendo produzido ou foi produzido desde meados do século XIX.

Com as obras que entraram no acervo do MARGS nestes últimos anos, foi possível criar coleções que não existiam no acervo, tais como a Coleção de Design e a Coleção de Arte Contemporânea Estrangeira. Possibilitou também, a qualificação de coleções existentes, a Coleção de Cerâmica Contemporânea é um exemplo desta qualificação, neste período a coleção recebeu inúmeras obras de artistas que não eram representados no acervo ou que tiveram a sua representação negligenciada nos decorrer dos anos.

Uma das missões de um Museu de Arte é exibir o seu acervo através de um programa de exposições e a partir daí produzir conhecimento e tornar-se um elemento importante no processo de amadurecimento cultural da sociedade. Para que isso seja possível, o acervo da instituição tem que estar em constante movimentação e através de novas aquisições capacitar-se para fazer frente a esse enorme desafio.

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