Adulteradas – Fotografias de Nilton Santolin

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli apresenta a exposição “Adulteradas – Fotografias de Nilton Santolin”, com abertura dia 10 de janeiro, às 19h, na galeria Oscar Boeira do MARGS. A mostra, com curadoria de José Francisco Alves, pode ser visitada até 10 de março, com entrada franca. Visitas mediadas podem ser agendadas no e-mail educativo@margs.rs.gov.br.

Serão apresentadas 19 fotografias impressas digitalmente, em adesivo vinil, sarja sintética e papel fotográfico, dentro da mais recente linha de pesquisa do fotógrafo porto-alegrense Nilton Santolin.

São imagens de Porto Alegre capturadas entre 2010 e 2018 com câmeras fotográficas e celular, as quais são trabalhadas em um software de smartphone Android, com tamanhos de exibição que variam de 60 x 60 cm a imagens enormes, de até 1 x 3 metros.

As fotografias originais foram submetidas a efeitos do software, que fez edições incríveis com as imagens, duplicando-as, espelhando-as, quadruplicando-as. Para o artista, estas distorções são adulterações, criando assim imagens diferentes, instigantes, que nos fazem viajar num mundo arquitetônico único.

 

Sobre o artista e o projeto, pelo curador José Francisco Alves

Nilton Santolin (Porto Alegre, 1964) é detentor de uma experiência de quase 35 anos de carreira em várias frentes da fotografia profissional. Desenvolveu nesse período também um trabalho autoral artístico próprio, criando uma obra incluída em várias mostras coletivas e individuais. A presente exposição é sua primeira individual no Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS, na qual expõe trabalhos da série Fotos adulteradas.

Como fotógrafo formado na fase final da longa era analógica da fotografia, Santolin adaptou-se muito bem à revolução digital, ao perceber as potencialidades das infinitas novas ferramentas oferecidas pelos softwares. A exemplo de muitos de sua geração, no início ele passou por uma normal resistência à manipulação pós captura das fotografias, antes imortalizadas definitivamente em filmes negativos ou positivos. Porém, esteve o artista ciente do que poucos se dão conta: mesmo na fotografia analógica, de que havia um certo nível de manipulação, por meio de lentes, inúmeros filtros e recursos dos mais diversos. Porque não ampliar estas possibilidades pelo meio digital?

O fotógrafo da era digital, assim, não mais fotografa, mas cria imagens. Uma só imagem capturada em CCD (o “filme” digital) é oferecida a um mundo de possibilidades e desdobramentos.

Por volta de 2001, Santolin começou as suas manipulações digitais na Escola de Criação da ESPM. Lá, utilizou em seus trabalhos os iniciais e já poderosos recursos de edição por software, os quais não só ofereciam ferramentas incríveis aos fotógrafos autores, mas à área publicitária como um todo. Dentro da era digital, outra revolução operou-se ao longo da segunda década do Séc. XXI  ̶  o avanço extraordinário dos smartphones  ̶  uma ferramenta que, para o bem ou para o mal, agora comanda a vida das pessoas. Para esses aparelhos, abriu-se também um infinito número de programas – aplicativos – para todo o tipo de tarefas úteis ou fúteis.

Nesse contexto, há cerca de dois anos, Nilton Santolin descobriu um App de smartphone Android para manipulações de imagens o qual passou a utilizá-lo na transformação de imagens capturadas com máquinas fotográficas profissionais, mostrando que o artista pode mesmo valer-se de todas as novidades, sem preconceitos. Nasceu assim a ferramenta para a mostra Fotografias adulteradas. O tema desta exposição  ̶  série surpreendente de um artista de longa carreira fotográfica  ̶  foca na possibilidade do App para Android em criar realidades impossíveis – imprevisíveis, visões incríveis da paisagem arquitetônica ou mesmo de detalhes da vida urbana. Imagens adulteradas: multiplicadas, duplicadas, quadruplicadas.

E não é qualquer paisagem, não são quaisquer locais. É a cidade de Santolin, a Porto Alegre de rica arquitetura e urbanidade – ainda que em uma não muito boa fase de bem viver urbano –, mas que o artista distorce, nos convida a brincar, a saber de tal imagem o que seria, qual o detalhe original é, qual o lugar de nossa urbe está ali, totalmente transformado, adulterado. Estamos diante de uma oportunidade também de pensar sobre as possibilidades da fotografia, hoje uma arte que está totalmente à vontade no museu, seu definitivo lugar.

Santolin brinca com as imagens e nos convida a entrar na brincadeira. Mas arte muito séria, eis que fruto do uso – inédito – de duas ferramentas poderosas: máquinas fotográficas profissionais e um específico App de smartphone. Este resultado só adquire sentido porque passa pelo crivo da experiência e do conhecimento da cultura visual de um artista: Nilton Santolin.

José Francisco Alves

Doutor em Crítica e História da Arte, membro da Associação Internacional de Críticos de Arte – AICA e do Conselho Internacional de Museus – ICOM.

 

SERVIÇO

Abertura: 10 de janeiro de 2019, às 19h

Curadoria: José Francisco Alves

Visitação: De 11 de janeiro a 10 de março de 2019, de terças a domingos, das 10h às 19h

Local: Galeria Oscar Boeira do MARGS

Entrada franca

 

Patrocínio

Banrisul

BRDE

Sulgás

 

Apoio

Hotel Praça da Matriz
Giuliani Advogados
Babilônica Arte e Cultura
Laçador Digital,
Armazém da Impressão.
Café do MARGS
Arteplantas
Celulose Riograndense
Oliveira Construções
AAMARGS

 

Realização

Museu de Arte do Rio Grande do Sul

Localização: Praça da Alfândega, s./n.

Centro Histórico, Porto Alegre, RS

Telefone: 32272311

Entrada Franca

Site: www.margs.rs.gov.br

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