“Acervo em movimento” entra em nova fase trazendo obras de artistas acadêmicos e modernos

Projeto de curadoria compartilhada entre as equipes do MARGS destaca
seleção e escolhas protagonizadas pelo Núcleo de Acervo do museu

Nova fase da exposição traz obras de Pedro Alexandrino, Henry Geoffroy, Lucien Simon,
Pedro Weingärtner, LibindoFerrás, Alfredo Volpi, Tarsila do Amaral, Bustamante Sá e Vasco Prado

 

 

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) apresenta a mais nova fase da exposição“Acervo em movimento — Um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do MARGS”, que tem inauguração no sábado 14.12.2019, às 16h, na sala Aldo Locatelli, juntamente às individuais “Túlio Pinto — Momentum” (Pinacotecas) e “Bruno Borne — Ponto vernal” (Salas Negras).

As exposições seguem em exibição até 22.03.2019, quando os espaços expositivos do MARGS darão lugar aos preparativos para a 12ª Bienal do Mercosul, cuja abertura está prevista para o mês de abril.

O MARGS funciona de terças a domingos, das 10h às 19h, sempre com entrada gratuita. Visitas mediadas podem ser agendadas pelo e-mail educativo@margs.rs.gov.br.

 

A exposição

Projeto de caráter permanente da atual gestão, “Acervo em movimento — um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do MARGS” é uma exposição viva e dinâmica, uma vez que opera com um modelo de rotatividade de obras da coleção do MARGS, com substituições que se alternam marcando distintos períodos expositivos.

A estreia se deu em março de 2019, nas Pinacotecas do museu, marcando a chegada da nova gestão do museu. A exposição se desenvolve como um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do museu (Núcleos de Curadoria, Acervo, Educativo, Documentação e Pesquisa, Restauro e Conservação), que conjuntamente e em revezamento exercitam uma mesma estratégia de organização de uma mostra dedicada ao acervo. Assim, coloca-se em operação um modelo de exposição recombinante, em que obras entram e saem durante o período expositivo.

À primeira seleção, proposta em março pelo diretor-curador, seguiram-se nos meses seguintes alterações no conjunto em intervalos quase mensais, sendo uma resposta à outra, cada qual implementada por uma equipe do MARGS.

Em agosto, a exposição entrou em sua segunda fase, passando a ocupar a Sala Aldo Locatelli. Desde então, foram realizadas duas “viradas” com entradas e saídas de obras do acervo do museu.

Agora, a mostra passou por uma substituição total, a cargo do Núcleo de Acervo do MARGS (Daniela S. Tyburski, Eneida Michel da Silva e Raul César Holtz Silva), que foi designado para ser responsável pelas escolhas e decisões curatoriais quanto às obras que entram na exposição e a disposição que assumirão no espaço expositivo.

A equipe do Núcleo de Acervo privilegiou obras acadêmicas e modernas, cumprindo assim o objetivo da direção artística de contrabalançar a maior presença que a arte contemporânea terá com as demais exposições em exibição no mesmo período.

A nova seleção de obras apresenta a produção de artistas cujo estilo se caracteriza pelo academicismo, ocorrido em fins do séc. 19 e início do séc. 20, e pelo modernismo, que se caracteriza por romper com os padrões acadêmicos, traçando um novo ponto de vista estético e conceitual ao longo do século 20. Representando os acadêmicos, serão apresentadas obras de Pedro Alexandrino (1884-1942), Henry Geoffroy (1853-1924), Lucien Simon (1861-1945), Pedro Weingärtner (1853-1929) e LibindoFerrás (1877-1951), dentre outros. Já entre os modernos haverá obras de Alfredo Volpi (1896-1988), Tarsila do Amaral (1886-1973), Bustamante Sá (1907-1988) e Vasco Prado (1914-1998), dentre outros.

Ao lançar mão da estratégia de substituições dos trabalhos de arte enquanto metodologia crítica, “Acervo em movimento” busca oferecer uma exposição que aposta na experiência mais do que nos discursos, e na descoberta mais do que nas verdades.

O projeto integra uma política institucional de exibição dedicado a explorar estratégias de abordagem do acervo do museu por meio de exercícios curatoriais voltados à experimentação de modelos expositivos.

 

Palavra do diretor-curador

O acervo artístico do MARGS guarda mais de 5 mil obras de arte do século 19 à atualidade, de artistas brasileiros e estrangeiros. Abrange, assim, desde produções regidas pelos modelos acadêmicos europeus, passando pelas rupturas das manifestações dos modernismos em diferentes geografias, até chegar à pluralidade dos desdobramentos operados pelas práticas artísticas contemporâneas.

“Acervo em movimento” é um projeto concebido para trazer a público esse rico e diversificado acervo, lançando mão de uma proposta curatorial de caráter experimental e compartilhado.

Baseando-se em noções de dispositivo e montagem, coloca-se em operação uma estratégia expositiva de rotatividade das obras. Resulta disso um modelo de exposição recombinante, em que obras entram e saem de exibição segundo escolhas propostas pelas equipes do museu, que conjuntamente e em revezamento exercitam um mesmo metódo de organização de uma mostra dedicada a exibir o acervo.

As alterações de obras se dão entre períodos expositivos e também durante uma mesma temporada de exibição, de modo que cada nova configuração da mostra seja também uma resposta à anterior, e mesmo até às demais exposições ora em exibição nas outras salas e galerias do museu.

Com a estratégia de rotatividade das obras em exibição, as substituições e as recombinações  procuram oferecer ao público uma exposição sempre viva e dinâmica, que aposta na experiência mais do que nos discursos, e na descoberta mais do que nas verdades.

O interesse é sondar as provisórias relações de vizinhança estabelecidas entre as obras, assim como as tensões das partes com o todo, propondo desdobramentos que intensificam e multiplicam as forma de ver, sentir e reagir. Parte-se do entendimento de que obras de arte não “falam” apenas por si mesmas, uma vez que seus sentidos são também efeito do que podem produzir no interior dos territórios discursivos que uma exposição é capaz de colocar em causa.

Abrindo mão de roteiros predeterminados e procurando eliminar hierarquias entre as obras do acervo, esta exposição pergunta ao visitante: quais relações podem ser feitas entre objetos de diferentes origens, períodos e estilos?

O convite é que o público constitua os seus caminhos interpretativos, estabelecendo os seus próprios encontros, relações e conexões, os quais sempre envolvem o que já sabemos, a expectativa do que ainda não vislumbramos e o estranhamento transformador da experiência inesperada e arrebatadora.

Em sua proposição, “Acervo em movimento” procura mobilizar questões prementes que orientam a atual direção do museu, como a necessidade de se descolonizar narrativas eurocêntricas, dessacralizar a retórica autoritária dos discursos canônicos, tensionar hierarquias preestabelecidas que reiteram os relatos dominantes, e explicitar as representatividades e suas lacunas em acervos e exposições.

Marcando a estreia de uma política de exibição dedicada a explorar estratégias de abordagem do acervo do MARGS por meio de exercícios curatoriais voltados à experimentação de modelos expositivos, “Acervo em movimento” estreou nas Pinacotecas do museu no primeiro semestre de 2019, passando a circular por outras salas e galerias expositivas em caráter de projeto permanente ao longo desta gestão.

Francisco Dalcol
Diretor-curador do MARGS
Doutor em Teoria, Crítica e História da Arte

 

SERVIÇO

 

Título: “Acervo em Movimento – Um experimento de curadoria compartilhada entre as equipes do MARGS”

Exposição coletiva (exposição permanente com rotatividade de obras do acervo)

Curadoria: Equipes do MARGS

Visitação: 14.12.2019 a 22.03.2020

Abertura: sábado, 14.12.2019, das 16h às 19h

Local: Sala Aldo Locatelli

Entrada gratuita

 

 

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