A Imperatriz

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli apresenta a exposição “A Imperatriz”, foto-performances da artista Élle de Bernardini, com abertura dia 8 de novembro, nas Salas Negras do MARGS.

Desde a sua fundação, em 1955, esta é a primeira vez que um artista transexual vai expor no MARGS.

A artista Élle de Bernardini aborda nesse trabalho questões relativas a gênero e poder investigados a partir de mecanismos de “aceitação e rejeição”, definidos nos diferentes códigos sociais e culturais a que estamos expostos.

A exposição pode ser visitada até dia 6 de janeiro, de terças a domingos, das 10h às 19h, com entrada franca. Visitas mediadas podem ser agendadas pelo e-mail educativo@margs.rs.gov.br.

 

 

A IMPERATRIZ

A série de foto-performances, “A Imperatriz” surge de um desejo por preencher uma lacuna histórica na representação de pessoas transexuais na história da arte. É do jogo entre: arquitetura, performatividade de gênero e poder, que emerge a figura da Imperatriz encarnada em mim. Entretanto, na verdade, ela funciona como um alter ego pelo qual exponho meus privilégios (branca, aparência feminina, classe media…), mas sem esquecer que sou uma pessoa e um corpo transexual, para investigar o que denomino de: “Mecanismos de Aceitação e Rejeição”. Eles inscrevem-se nos corpos em forma de códigos: aparência, (raça, gênero, orientação sexual); e riqueza (classe social), e funcionam como balizadores que os levam a serem mais aceitos e admirados, ou menos aceitos e admirados, conforme o tipo de códigos presente nos corpos. Ser uma artista transexual me coloca na margem do sistema, seja o da vida ou o da arte, mas quando estou vestida de “Imperatriz” as portas dos locais de poder se abrem para mim, e as pessoas vêm me receber e me tratam como se eu fosse uma “soberana”, anulando o fato de eu ser um corpo transexual. A indumentária e a performatividade de poder funcionam como uma “armadura” biomecânica contra o preconceito.

Esse trabalho é um processo em aberto que não tem data para terminar. Consiste em passar por locais de poder, sobretudo os da arte, seguindo algumas regras que devem ser acordadas entre a Imperatriz e as Instituições. Os Museus devem estar fechados, sem públicos, como foi o caso do, MAC-Niterói. De preferência, sem exposições em cartaz, como o, MAM-Rio. Ou que se esvaziem totalmente, como foi o caso do Santander Cultural, da Biblioteca Nacional e do Parque Lage, que tiveram seus públicos esvaziados para que A Imperatriz pudesse passar e ser fotografada neles. O trabalho consiste em uma grande encenação de poder, ou, verificação de como os Mecanismos de Aceitação e Rejeição funcionam na prática. Entro em contato com as instituições, apresento o projeto, as foto-performances da série que já foram realizadas, onde pode-se ver as roupas e joias que usarei, espero aprovação, e então visito os espaços e sou fotografada por um fotógrafo particular que segue rigorosamente minhas orientações.

O projeto é inspirado na vida das grandes soberanas mulheres, que hoje não exercem o poder de fato, a exemplo da Rainha da Inglaterra que é uma figura performativa, sem poder de fato, mas representativa do poder simbólico. Mas também em todas as outras que se destacaram como figuras de poder femininas, como exemplos: Elizabeth I, Cleópatra, Nefertiti, Catarina a Grande, Rainha Victoria da Inglaterra.

Depois de finalizadas as sessões, como parte do processo as foto-performances são ofertadas para doação aos mesmos espaços por onde a Imperatriz passou. O ato de doação tem dois pesos simbólicos, o de preenchimento da lacuna histórica de representação, mas também é como um presente, uma lembrança. A efetivação de um acordo consensual simbólico e positivo entre artista e instituição, nesse processo todo de busca por visibilidade, representação, e estar e ocupar os espaços com dignidade.

Existem várias estratégias de ação que podem ser utilizadas para a reivindicação dos espaços de poder que estiveram por séculos fechados para nós, corpos considerados dissidentes, existências incompreensíveis. A minha estratégia é diplomática, baseada no diálogo, na proposta de um acordo amigável. Mas sem esquecer que toda e qualquer resposta a essa tentativa de acordo implica um olhar para os erros do passado, para refletir sobre que futuro queremos e devemos juntos construir.

Élle de Bernardini

Élle de Bernardini (Brasil, 1991) é artista visual, performer, bailarina e butoka. Com formação em ballet clássico pela Royal Academy of Dance. Foi aluna dos mestres de butoh japoneses, Yoshito Ohno e Tadashi Endo. É graduanda de filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria. Seus trabalhos já foram apresentados na Europa e na America Latina. Entre eles destacam-se os locais: Tower of London, Londres (2012); Planetário da Gávea, Rio de Janeiro (2014); Memorial da America Latina, São Paulo (2015); Casa de Cultura Mario Quintana. Porto Alegre (2013); Instituto Estadual de Artes Visuais RS, Porto Alegre 2016); Museu de Arte do Rio Grande do Sul/Margs, Porto Alegre (2015); Santander Cultural, Porto Alegre (2017); Espaço Maus- hábitos, Porto, Portugal (2015), MAC-RS, Porto Alegre (2017); Galeria Península, Porto Alegre (2018), Museu de Arte do Rio (2018). Pivô Arte e Pesquisa (2018). Sesc Santa Amaro (2018) Suas obras integram os acervos dos Museus: MAC-RS (Porto Alegre, Brasil), e MARGS, (Porto Alegre, Brasil), MAC-Niterói (Rio de janeiro, Brasil) além de coleções privadas. Foi a primeira residente do programa da residência do Instituto Adelina em São Paulo no primeiro período de agosto a setembro (2018). Foi selecionada também para participar do programa de residência da Despina, no Rio de Janeiro no período 2019, e do programa de residência Pivô Pesquisa, São Paulo (2019).

 

 

SERVIÇO

Título: A Imperatriz

Artista: Élle de Bernardini

Abertura: 08 de novembro (quinta-fera), às 19h.

Visitação: 09 de novembro de 2018 a 6 de janeiro de 2019

Local: Salas Negras do MARGS (Praça da Alfândega, s/n° – Centro).

Entrada Franca

 

Patrocínio

Banrisul

BRDE

Sulgás

 

Apoio

MAC-Niterói

MAM-Rio

Parque Lage

Biblioteca Nacional

Café do MARGS

Arteplantas

Celulose Riograndense

AAMARGS

 

Realização

Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malogoli

Localização: Praça da Alfândega, s./n.

Centro Histórico, Porto Alegre, RS

Telefone: 32272311

Entrada Franca

Site: www.margs.rs.gov.br

www.facebook.com/margsmuseu

www.twitter.com/margsmuseu

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