Memória do Museu

Lembranças e envolvimento profissional

Anos 90 Novos tempos, sede nova

 

Paulo C. Brasil do Amaral*

 

Sempre tive uma ligação afetiva com o MARGS, a partir de minha condição de artista, mas não imaginava que um dia seria convidado a dirigir a instituição, pela primeira vez, também por minha condição de engenheiro civil.

 

O MARGS entrava em reformas naquele ano de 1997 e um grupo de artistas soprou meu nome no ouvido do então recém-nomeado secretário de Cultura, Dr. Nelson Boeira. O Secretário, figura que me serviu como primeiro exemplo de retidão na vida pública, me chamou ao telefone numa bela tarde de um sábado de maio dizendo que queria me fazer uma consulta. Eu não o conhecia e lá me fui, vestindo terno, gravata e tudo o mais que deveria – a meu juízo – para se visitar um secretário de Estado. Chegando lá na Casa de Cultura Mario Quintana, onde funcionava a Secretaria, ele me esperava em trajes esportivos – lembremos que era sábado. Apresentei-me, falamos uns cinco minutos, ele quase sem me olhar, rabiscando uns papéis como era o seu jeito, e me foi feito o convite para que eu dirigisse o MARGS. Disse-lhe que seria uma honra, mas ponderei-lhe que tinha uma empresa e que a questão de cumprimento estrito de horário não poderia ser seguida à riscaem meu caso, embora eu pudesse conciliar as atividades sem problemas. Pedi-lhe até para exercer o cargo de forma gratuita. Ele respondeu que o fato de ser engenheiro era uma dasrazões pelas quais eu estava ali – aliada à condição de artista plástico – e o que interessava ao Estado era que a obra fosse conduzida sob minha fiscalização – embora indireta – , já que empresas contratadas para tal já tinham sido acionadas. Quanto a trabalhar de graça, não seria permitido, porque eu seria um ordenador de despesas e deveria, portanto, receberum salário, mesmo que simbólico, o que terminou por ocorrer. Assim, aceitei a designação. Foi minha primeira experiência na vida pública e ela agregou à minha formação valores que eu não conhecia.

 

As obras passaram sob várias empresas, cada uma fazendo a sua parte e colocando a culpa na outra para justificar eventuais atrasos. Fazia parte do show, mas o fato é que passados dois anos o MARGS estava ali, reinando na Praça da Alfândega, as cúpulas dos torreões tinindo, fazendo reluzir o cobre. O MARGS era, agora, um museu. Foi uma satisfação muito especial poder intervir naquele momento, ajudar de alguma forma e ver, finalmente, a sede do MARGS sair da condição de um prédio decadente à de um edifício completamente restaurado. Então aconteceram as primeiras exposições: I Bienal do Mercosul, Cerâmicas de Picasso, Museus Espanhóis, entre outras. Tínhamos ganhado, enfim, condições físicas para além das básicas, primeira exigência para que um museu seja competitivo nacional e internacionalmente. Vieram as leis de incentivo à cultura e com o braço indispensável da AAMARGS encaminhamos projetos através delas, ganhando alguns, dentre os quais aquele que nos permitiu a implantação do primeiro parque de informática e da moderna sinalização do Museu. Aquela foi para mim uma das mais gratas oportunidades de crescimento pessoal.

*Artista plástico e diretor do MARGS em 1997/98

 

Lembranças e envolvimento profissional

MUSEU DE ARTE DO RIO GRANDE
DO SUL ADO MALAGOLI
Visitação de terças a domingos,
das 10 às 19 horas. Entrada franca
Praça da Alfândega, s/n° - Centro
90010-150 - Porto Alegre - RS - Brasil
Fone (51) 3227-2311 - Fax (51) 3221-2646
museu@margs.rs.gov.br