Lembranças e envolvimento profissional
Rosana Gauer Kirchner*
Cláudio Jacob Morrain nasceu em 1916, em Estrela, Estado do Rio Grande do SuI. formado pela Escola Normal de Hamburgo Velho, foi professor por alguns anos, indo mais tarde integrar o quadro dos funcionários públicos da Secretaria da Saúde.
Desde criança, sempre gostou de Artes Plásticas. Seu pai, que era francês, pintava, desenhava e lecionava música. Nesse ambiente de arte, foi se formando o “nosso colecionador”.
Em 1946, passou a morar em Porto Alegre, onde estudou pintura, desenho e modelagem, tendo como professores Locatelli, Rubens Cabral e Lucienne S. Ruschel, no Instituto de Artes da UFRGS. Nesse período, somente a Casa das Molduras funcionava como Galeria de Arte na cidade, mas, mesmo assim, Morrain começou a entrar em contato mais direto com diversos artistas.
Em 1955, Cláudio Morrain iniciou sua peregrinação pelas galerias, visitando artista por artista, exposição por exposição. E foi recolhendo todo material relativo aos acontecimentos artísticos do nosso Estado. Como ele mesmo diz: ”furava todas as exposições e levava junto comigo uma telinha, onde o artista fazia uma miniatura do seu trabalho ou reproduzia sua assinatura.”
Assim começou seu acervo. Primeiro, por simpatia natural a tudo que dizia respeito às Artes Plásticas. Depois, por curiosidade e, mais tarde, como fonte de pesquisa sobre a biografia dos artistas e pelo seu interesse em conhecer estilos e técnicas.
Essa obsessão pelas coisas “incomuns” (recortes, catálogos) fez de Morrain um homem “fora de série”, modesto e anônimo, com a paixão e a resistência do grande colecionador.
Em 1981, após uma exposição realizada no MARGS: Artistas Plásticos nos Arquivos de Cláudio Morrain, o Núcleo de Documentação e Pesquisa recebeu do colecionador 467 pastas, contendo artigos sobre artistas plásticos gaúchos. Hoje, Morrain teve que se desfazer de seu enorme acervo, inclusive material europeu, enviado da França, da Itália, da Alemanha e de Portugal.
No dia 12 de setembro de 1986, o MARGS teve a satisfação de incorporar à sua documentação o restante do acervo pertencente ao colecionador. São 329 pastas de arquivos de artistas plásticos nacionais e estrangeiros, 15.000 recortes de jornais sobre artistas e arte em geral e 3.000 catálogos sobre exposições individuais e coletivas.
Esse material foi entregue ao Núcleo de Documentação e Pesquisa, e já se encontra, em grande parte, organizado, sendo de importância inestimável para estudiosos, artistas, pesquisadores e interessados em Artes Plásticas.
Como diz Walmir Ayala, “a existência de Cláudio Morrain é uma esperança, uma lição generosa e perfeita do que pode acontecer na raiz do coração do homem, quando a sensibilidade vem regida de uma natural inteligência... Sua coleção de rabiscos é um documento afetivo e de pesquisa instintiva que merece a atenção dos diretores dos nossos museus, dos historiadores de arte, dos críticos, dos colunistas”.
O trabalho de coleta de material é uma tarefa exaustiva, que exige resignação, firmeza, tolerância e perseverança para o colecionador, pois ocupa tempo, espaço e nem sempre é bemvinda. Muitas vezes acaba como um produto secundário, a tarefa parece sem retorno.
O pintor de Estrela compreendeu que seu trabalho representava um esforço de enorme importância cultural e seus “rabiscos” e recortes passaram a ser um dos maiores acervos sobre Artes Plásticas no RGS.
* Ex-funcionária do MARGS e museóloga
Fonte: Boletim Informativo do MARGS, nº 29
MUSEU DE ARTE DO RIO GRANDE
DO SUL ADO MALAGOLI
Visitação de terças a domingos,
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