“Mudanças – Este é o nosso lugar” – Uma exposição de André Venzon

MUDANÇAS – Este é o nosso lugar

Depois de percorrer sete cidades no interior do RS, o artista visual André Venzon inaugura, na quinta-feira, dia 1º de fevereiro, às 19h, a sua exposição individual no MARGS.

Mudanças – Este é o Nosso Lugar, de André Venzon, com curadoria de Francisco Dalcol, chega ao Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS), em Porto Alegre, com um histórico de itinerância por espaços institucionais do Rio Grande do Sul iniciado em 2015, nas cidades de Caxias do Sul, Gramado, Pelotas, Bagé, Bento Gonçalves, Passo Fundo e Santa Maria. A exposição apresenta um olhar curatorial que pela primeira vez se dedica à produção fotográfica de André Venzon. A mostra individual ganha agora uma versão atualizada, com a inclusão de obras recentes, desde 2016, que se vinculam à pesquisa em poéticas visuais desenvolvida pelo artista no PPGAV-IA/UFRGS[1], e nos questiona sobre a falta de percepção da paisagem urbana. A mostra em Porto Alegre, além de apresentar novos trabalhos, amplia o caminho de comunicação do artista com o público, que manterá seu ateliê, localizado na região do antigo 4º Distrito da capital, aberto para a visitação durante o período da exposição.

A mostra do artista André Venzon, apresenta ainda uma vitrine, no Núcleo de Documentação e Pesquisa do MARGS, que reúne o material gráfico dos três anos de trajetória da exposição.

Para visitar faça seu agendamento no e-mail domentacao@margs.rs.gov.br.

Os lugares de referência do artista são revestidos por tapumes, madeira compensada de cor magenta que cobre aquilo que está em metamorfose na cidade para se apresentar de outra forma. Desde seus primeiros trabalhos com maquetes arquitetônicas ─ construções temporárias de tapumes ─ passando pelas fotografias dos próprios tapumes e pelos retratos da série “Cidade Sem Face”, o percurso do olhar artístico de Venzon questiona ideias sociais e culturais da época destes lugares e pessoas. “A ideia é resgatar novos prazeres estéticos e sensações em relação à percepção de nós mesmos diante da memória destas imagens que se tornaram obras”, conceitua o artista.

Para a crítica de arte Paula Ramos, “a obra de André Venzon é articulada, preponderantemente, a partir de fragmentos. Extratos de imagens, objetos, palavras e lugares que constituem a matéria-prima do artista. Nesses fragmentos lateja a memória; por meio deles a fantasia é alimentada. Venzon sabe disso e explora, em suas obras, essa capacidade de investimento psicológico dos signos, apostando no reconhecimento, na rememoração e no imaginário dos espectadores”.

Já para a professora e pesquisadora em artes visuais Mônica Zielinsky, “entre as fotografias, as engenhosas montagens de objetos e caixas, trama-se um pensamento artístico que interroga até as últimas consequências a concepção de território, os limites e marcos, referências e lugares. Enquanto o mundo hoje aniquila raízes e origens, gêneros e lugares, os quadros de referências dos indivíduos desintegram-se e dissolvem-se na passividade das perdas de reconhecimento, identidade e de consciência da história, André Venzon desafia essas questões através da arte, extrapolando-as na experiência pública. Não as descreve. Vai muito além, e nesse ângulo está contida a inegável qualidade de seu trabalho”.

A exposição pode ser visitada de terças a domingos, das 10h às 19h, com entrada gratuita. Visitas mediadas podem ser agendadas pelo e-mail: educativo@margs.rs.gov.br

 

 

Para saber mais:

 

O nosso lugar, aquele que nos possui

 

No espaço urbano, os tapumes sinalizam locais interditados, em reforma ou construção, mas também abandonados, sempre escondendo do lado de trás algo que deixa de se fazer presente, muitas vezes para dar lugar a outra coisa. Ao oferecerem uma espécie de interrupção visual, impõem ao olhar uma privação que altera rotineiramente a relação entre as pessoas e seu entorno.

 

Nos trabalhos de André Venzon, os tapumes encravados nas cidades funcionam como uma moldura do olhar. Ao longo de sua trajetória, o artista tem feito do madeirite de cor fúcsia (ou magenta) um elemento insistente e até obsessivo, desdobrado em trabalhos diversos, desde fotografias, objetos e instalações, até ações e intervenções nas ruas. O interesse chega a tal ponto que, não raro, leva-o a abrir mão da cor tão característica, caso a escolha favoreça a operação artística.

 

A busca por essas imagens envolve a condição que o próprio artista imputa-se ao percorrer as ruas da cidade em regime de deriva, esse andar sem pretensões quanto a chegadas e destinos, porém ávido pelos encontros que a experiência do caminho possa oferecer. O ponto de partida costuma se situar na porção da área urbana delimitada pela região do 4º Distrito de Porto Alegre, porém deixando-se fluir para outros espaços que, igualmente, também conformam a cidade.

 

Pela condição temporalmente transitória do tapume, algo que a linguagem fotográfica potencializa (e vice-versa), sua presença funciona nas obras do artista como um dispositivo que opera visualmente questões simbólicas envolvendo noções de espaço e território, memória e pertencimento, sujeito e coletividade. São imagens que instigam a pensarmos sobre a percepção que temos do nosso lugar, tanto o lugar de que fazemos parte como aquele que nos possui.

 

A exposição “Mudanças — Este é o Nosso Lugar” se concentra nos trabalhos em que André Venzon dirige seu olhar ao tapume privilegiando a linguagem fotográfica. As obras reunidas interligam um momento pregresso e outro atual de sua trajetória, sobretudo a primeira década dos anos 2000 e a produção desenvolvida a partir de 2016, no mestrado em Poéticas Visuais na UFRGS.

 

Ao sondar os vínculos de uma produção que afirma sua força presente nos desdobramentos que o artista agora encontra no aprofundamento da investigação, intenta-se com a exposição situar um universo conceitual e poético que nos convida a experienciar diferentes modos de aproximação e contato entre corpo e lugar, olho e matéria, pele e tapume.

 

Francisco Dalcol

Pesquisador, crítico de arte, jornalista e curador independente.

Doutorando em Teoria, Crítica e História da Arte no PPGAV-IA/UFRGS.

Membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e da Associação Nacional de  Pesquisadores em Artes Plásticas (ANPAP).

 

Currículo resumido

ANDRÉ VENZON (Porto Alegre/RS, 1976). Diplomado em Desenho pelo Instituto de Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2005), especialista em Gestão Cultural pela Universidade de Girona/Espanha (2011) e mestrando em Poéticas Visuais pelo Programa de Pós-graduação em Artes Visuais da UFRGS. Inicia formação em desenho artístico em 1997 com Plínio Benhardt no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS). Dedica-se ao estudo dos conceitos de corpo e lugar na construção poética dos seus trabalhos. Diante de sua forma de olhar e perceber a arte como atributo social, participou do FUMPROARTE, foi presidente da Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa (2006-2010), conselheiro de cultura e vice-presidente do Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul, além de membro do Colegiado Nacional de Artes Visuais. Dirigiu o Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul – MACRS (2011-2014). Como artista participou de diversas exposições, entre as quais se destacam: 18º Salão de Arte Jovem de Santos (2001); 3º Salão de Arte de Porto Alegre (2002); 3º Salão Nacional de Arte de Goiás (2003); Exposição de Lançamento do MACRS (2004); neste mesmo ano, ganhou concurso público para construção do monumento em homenagem aos 100 anos da 1ª Imigração Judaica organizada para o Brasil, no Parque Farroupilha, em Porto Alegre. Em 2005, participou da 4ª Bienal de Arte e Cultura da UNE em São Paulo; exposição coletiva 10 Indicam 10 no Centro Cultural Cândido Mendes e a individual Boites no Centro Cultural dos Correios, ambas no Rio de Janeiro. Em 2006 realizou a exposição individual Boites no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli – MARGS e o projeto Cidade Sem Face, com o artista Igor Sperotto, na 10ª Bienal de Santos (SP), na Galeria Iberê Camargo da Usina do Gasômetro e na Galeria de Arte do DMAE, além do 13° Salão da Bahia, do Museu de Arte Moderna na Bahia. Em 2007 é indicado para o I Prêmio Açorianos de Artes Plásticas na categoria escultura; convidado para curador da I Bienal B; artista-curador do projeto Essa Poa é Boa e oficineiro da Rede Nacional de Artes Visuais da Funarte. Em 2010 é indicado para o IV Prêmio Açorianos de Artes Plásticas na categoria Novas Mídias e Tecnologias, e é convidado para a exposição Novos Mundos Novos que inaugura o Santander Cultural de Recife. Em 2013 participou do programa Museum Study Tour, intercâmbio entre representantes de alguns dos mais importantes museus da Escócia, Inglaterra e Brasil, a convite do British Council. Em 2014 integrou o Comitê Curatorial do projeto RS Contemporâneo do Santander Cultural de Porto Alegre. Em 2015 inaugura seu novo ateliê, aberto ao público, no Distrito Criativo de Porto Alegre. Foi curador do projeto ARTE NO MURO que integrou as comemorações dos 15 anos do Santander Cultural (2016). Desde 2015 realiza a exposição itinerante do seu trabalho em cidades do interior do RS, com curadoria de Francisco Dalcol. Em março de 2017, realiza a curadoria da Coleção Justo Werlang, com obras da artista Karin Lambrecht, no Santander Cultural em Porto Alegre.

 

SERVIÇO

 

Título: “MUDANÇAS – Este é o nosso lugar”

Artista: André Venzon

Curador: Francisco Dalcol

Abertura 1º de fevereiro de 2018 (quinta-feira)

Visitação: De 02 de fevereiro a 11 de março de 2018

Local: Galeria João Fahrion

Entrada Franca

 

Contatos:

Artista: André Venzon – 51 3209-6085 / 98125-4411 / atelierandrevenzon@gmail.com

Curador: Francisco Dalcol – 51 99978-5095/ francisco.dalcol@gmail.com

Núcleo de Curadoria: curadoria@margs.rs.gov.br – 32272012/ Ramal 7032

Núcleo de Comunicação – comunicacao@margs.rs.gov.br – 32863145 / Ramal 7192

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Museu de Arte do Rio Grande do Sul

Localização: Praça da Alfândega, s./n.

Centro Histórico, Porto Alegre, RS

Telefone: 32272311

Entrada Franca

Site: www.margs.rs.gov.br

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[1] Programa de Pós-graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.