Margs apresenta 60 anos de produção de Edgardo Giora

O artista Edgardo Giora apresenta, dia 25 de outubro, quinta-feira, às 19 horas, sua primeira exposição individual na sala Oscar Boeira no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli. No mesmo dia, às 18 h, será exibido um documentário sobre a sua obra.

Edgardo Giora  nasceu na Itália e migrou para o Brasil depois da guerra. Com uma obra construída em mais de 60 anos de produção ininterrupta, o artista nunca teve uma exposição individual. Esta mostra é organizada a partir dos três gêneros que orbita sua produção: retrato, paisagem e natureza morta. Junto a um conjunto representativo de pinturas a óleo e acrílico, será também exibido uma série de desenhos e dois vídeos de documentação da sua produção. O artista, hoje com 95 anos de idade, segue em plena atividade.

A exposição fica aberta para visitação até o dia 2 de dezembro.

Vistas mediadas podem ser agendadas no e-mail educativo@margs.rs.gov.br. O MARGS funciona de terças a domingos, das 10h às 19h, com entrada franca.

 

 

Apresentação

 

Quando o navio Raul Soares, que partiu do porto de Nápoles em 1948, cruzou a linha do Equador houve uma festa entre os seus passageiros no seu convés.  Muitos deixavam a Europa depois do término da guerra e buscavam trabalho e uma nova vida. Edgardo Giora, fantasiado de pirata era um destes que comemoravam a transposição da linha imaginária e projetavam uma aventura no novo continente.

 

Edgardo Giora nasceu em Carpi, na Itália, em 1923. Lutou na II Grande Guerra e essa imagem permanece viva no labirinto da sua memória com uma profusão de acontecimentos e sensações. Terminada a guerra, migrou com a esposa e filhos para o Brasil onde foi sócio de uma construtora. Nos anos 60, com os filhos ainda pequenos, mas já estabilizado no país, foi amigo muito próximo do pintor Aldo Locatelli, o que provavelmente motivou os primeiros desenhos e pinturas.  Porém as conversas com o pintor de Bergamo estavam mais ligadas à boemia do que à produção artística. De formação autodidata, foi nos livros de história da arte que encontrou interlocução com artistas como Cézanne, André Derain, Matisse, Kokoschka, De Pisis. Há também a herança da intimidade com o ambiente cultural que viveu na juventude em Pádua. Costumava brincar no terreno entre a arena romana e a capela Scrovegni, repleta dos afrescos de Giotto.

 

A partir do final da década de 60 iniciou uma produção constante, recebendo admiração dos familiares e amigos, principalmente pela sua habilidade como retratista ao captar aspectos singulares de cada modelo. Embora esse gênero domine boa parte da sua produção, como bom pintor modernista também triangulou constantemente pelos gêneros da natureza morta e da paisagem. São mais de mil pinturas e incontáveis desenhos, alguns rabiscados em pequenos pedaços de papel, alguns transpostos para telas. Sua pintura se modificou ao longo das décadas, mas não como um artista que intercala uma sucessão de séries que se alternam em temas, técnicas ou estilos. Giora seguiu firme nos seus temas preferidos e modificando lentamente sua maneira pessoal de abordar a forma e a cor.  As obras iniciais possuíam uma linearidade mais pronunciada que foi cedendo lugar a uma organização mais pictórica. Desenvolveu um paladar que pende para contrastes de cores complementares ̶ vibrantes entre vermelhos e verdes ou azuis e alaranjados. A tinta é macerada em sucessivas e finas camadas de aplicação. O gesto modela as formas em volumes construídos de sombras luminosas e confere às superfícies intensidade e consistência.

 

Aos 95 anos só participou de duas exposições coletivas na cidade. Seu trabalho não chegou a obter visibilidade no circuito artístico, mas isto não o impediu de seguir pintando. Hoje, mesmo com algum problema de visão, ele pinta regularmente toda a manhã e aproveita as tardes para desenhar obsessivamente.

 

A obra de Edgardo Giora faz com que se questione o absolutismo de uma História da Arte que impõe uma temporalidade linear única, como uma sucessão ininterrupta de rupturas. Edgardo paira sobre essa ordem estruturada, criando uma obra particular livre desse tipo de competição. Oferece uma vida dedicada ao ofício de carregar nas tintas emocionais para enfatizar as coisas simples que lhe fazem sentido: seus próximos, seu ambiente e sua memória do Vêneto e da Emília-Romanha.

 

Jailton Moreira

 

SOBRE EDGARDO GIORA

Carpi, itália, 1923

Nascido na Itália, migra para o Brasil em 1947, onde trabalha toda a vida como sócio de uma construtora. Nos anos 60, de formação autodidata nas artes plásticas, inicia sua obra com pinturas e desenhos. Embora o grande foco da sua produção seja a pintura, pintando ̶ em mais de 50 anos mais de 1000 telas em óleo e acrílico, também teve experiências com cerâmica e xilogravura.

Vive e trabalha em Porto Alegre.

 

Exposições Coletivas

2003 Gioras, Via Livia – Galeria de Arte, Porto Alegre, RS;

 

SERVIÇO

Título: Edgardo Giora

Artista: Edgardo Giora

Curadoria: Jailton Moreira

Abertura: 25 de outubro (quinta-fera), às 19h. Vídeo sobre a obra  do artista seguido de encontro com o artista e a curadoria, às 18h

Visitação: 26 de outubro a 2 de dezembro de 2018

Local: Galeria Oscar Boeira do MARGS (Praça da Alfândega, s/n° – Centro).

 

CONTATOS

Jailton Moreira – 3332-5199 / 99656- 5199
jailton.m.moreira@gmail.com
Núcleo de Curadoria: curadoria@margs.rs.gov.br – 32272012/ Ramal 7032

 

Núcleo de Comunicação – margsmuseu@gmail.com – 32863145 / Ramal 7192

 

 

 

 

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Localização: Praça da Alfândega, s./n.

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Telefone: 32272311

Entrada Franca

Site: www.margs.rs.gov.br

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