Lenir de Miranda e sua ‘pintura périplo’ no MARGS

Comemorando mais de quatro décadas de trajetória e produção, a artista visual inaugura
a individual “Pintura périplo”, com curadoria de Icleia Cattani e Paula Ramos

O projeto também envolve o lançamento de livro dedicado à obra da artista, além de um seminário que abordará a pintura e suas conexões com os campos da cultura

 

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) recebe a exposição “Lenir de Miranda –Pintura périplo”, que traz a público a obra da artista visual gaúcha, concentrando-se na sua produção mais recente pinturas realizadas entre 2017 e 2019 , além de contemplar alguns trabalhos anteriores. Ocupando as galerias João Fahrion, Angelo Guido e Pedro Weingärtner, com a reunião de cerca de 60 obras, a mostra individual tem curadoria das historiadoras e críticas de arte Icleia Borsa Cattani e Paula Ramos. A abertura será no sábado 14.09.2019, às 11h.

Além da exposição, o projeto, que celebra as mais de quatro décadas de trajetória e produção de Lenir de Miranda, envolve o lançamento de livro homônimo, de autoria das curadoras. O lançamento da publicação se dará durante o seminário “Pintura contemporânea em relações”, nos dias 29.11 e 30.11.2019, no MARGS, abordando a pintura e suas conexões com diversos campos da cultura.

A exposição “Lenir de Miranda – Pintura périplo” segue em exibição até 08.12.2019. O MARGS funciona de terças a domingos, das 10h às 19h, sempre com entrada gratuita. Visitas mediadas podem ser agendadas pelo e-mail educativo@margs.rs.gov.br.

 

TEXTO CURATORIAL

 

“Pintura périplo” traz ao Margs as obras mais recentes de Lenir de Miranda (Pedro Osório, RS, 1945), realizadas entre 2017 e 2019. Intitulada Ninguém – Eu – Migrante, a série dá continuidade aos temas que a artista vem trabalhando desde o início da década de 1980, como o personagem Odisseu/Ulisses, herói mítico que conduz a Odisséia de Homero (século VIII AEC) e que foi retomado por muitos escritores ao longo dos séculos, culminando com o romance Ulisses (1922) de James Joyce, recriação moderna do mito. A partir da literatura, fazendo-a dialogar com o seu pensamento visual, a artista desenvolveu um verdadeiro périplo pictórico. A palavra périplo, originalmente, significa navegação em torno de um mar, de um país ou de um território; aqui, encontramos um circuito, aventuroso e cheio de surpresas, em torno da pintura. Partir, viajar, arriscar-se, chegar só provisoriamente ao destino, partir novamente: é assim que se desenvolve a pintura de Lenir de Miranda, que revive constantemente, na sua prática artística, o próprio mito de Ulisses.

A nova série de trabalhos abre, também, para outra problemática, simultaneamente antiga e contemporânea: as migrações, provocadas em primeiro lugar pelas desigualdades sociais que mantêm a maioria da população mundial na pobreza mais absoluta, e pelas guerras e perseguições políticas, que também surgem para manter o status quo. Mas, para a artista, as migrações têm a ver, simultaneamente, com os deslocamentos subjetivos, que engendram novas identidades. As migrações, portanto, no espaço da utopia que é a arte, celebram as possibilidades de escolha e de mudanças.

Lenir constrói essas novas pinturas, mais do que nunca, a partir de recortes e colagens, de retalhos e fragmentos: de pinturas anteriores, objetos, sucatas, elementos naturais ou manufaturados. Elas se destacam pela força da matéria e da cor, pelos jogos de formas e objetos anexados, pelas associações possíveis entre os títulos e as imagens. A sua fragmentação física e material remete ao próprio processo migratório, no qual o mundo se divide em antes, agora e depois; em lá, aqui e além – na partida, no trajeto e na chegada ao outro lugar, quando este existe.

Ao lado da nova série, algumas obras de fases anteriores estão presentes, entre as quais pinturas realizadas nos anos 1980, quando Lenir iniciou sua investigação acerca de Ulisses, pinturas da série Fragmentos da terra, apresentadas na Rússia, em 2014, além de livros de artista, assemblagens, fast-foods e os chamados “poemáticos conturbados”. Pois, embora fundamentalmente pintora, Lenir de Miranda também trabalha, desde sempre, com outras modalidades das artes visuais contemporâneas. Elas fazem parte da trajetória da sua obra, múltipla, proliferante e, acima de tudo, coerente.

Icleia Borsa Cattani

Paula Ramos

[curadoras]

 

SOBRE A ARTISTA

Lenir de Miranda (1945) é natural de Pedro Osório, mas trabalha e reside em Pelotas desde os 7 anos, onde realizou formação inicial em Pintura na Escola de Belas Artes Dona Carmen Trápaga Simões (1964–1967). Mais tarde, cursou Jornalismo na PUC-RS (1970–1975), instituição onde também fez Especialização em Artes Plásticas – Teoria e Práxis (1985). Antes disso, em Pelotas, cursou Especialização em Desenho e em História da Arte (1980–1983) no Instituto de Letras e Artes da UFPel. A artista também tem Mestrado em Artes Visuais – Ênfase em Poéticas Visuais, pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRGS (2002–2003), com dissertação intitulada Nostos – A nostalgia de todos nós, pautada no romance Ulisses, de James Joyce.

Em Pelotas, foi professora de Pintura no Instituto de Letras e Artes da UFPel de 1979 a 1993, sendo uma das incentivadoras, naquela cidade, das pesquisas e das novas proposições artísticas, a partir de iniciativas não somente em pintura e livros de artista, mas em arte postal, performance, vídeo e instalação.

As relações com os mitos e a literatura são uma constante em sua obra, assinalada pelo trânsito de diversos materiais e linguagens. Trabalhando há mais de quatro décadas, Lenir traz em seu currículo cerca de 40 exposições individuais e 120 coletivas, em países como Alemanha, Inglaterra, Itália, Irlanda, Uruguai e Rússia, onde apresentou, em 2014, a individual Fragments of land – Painting, installation (2014), no State Darwin Museum.

A obra de Lenir de Miranda está representada em várias instituições, fundações e coleções públicas, com destaque para: Fundação Vera Chaves Barcellos (Viamão, RS), James Joyce Centre (Dublin, Irlanda), Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC-RS) (Porto Alegre, RS), Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS) (Porto Alegre, RS), Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ), Pinacoteca Barão de Santo Angelo do Instituto de Artes da UFRGS (Porto Alegre, RS), State Darwin Museum (Moscou, Rússia), entre outros.

 

SOBRE AS CURADORAS

Icleia Borsa Cattani

Crítica de Arte. Professora do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS. Pesquisadora 1A do Cnpq. Doutora em História da Arte pela Universidade de Paris I – Pantheon – Sorbonne (1980); Professora-visitante na Università di Bologna (2018–2019); Estágios Sênior na University of the Arts London (2011) e na Universidade de Paris I (1994). Professora visitante da ECA–USP (1988), da Universidade de Paris I (1995 e 2002), da Universidade de Montreal e de Laval (2005). Editora da Revista Porto Arte (1991–1999) e da Coleção Visualidade (1995–1999). Criadora do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS (1991) e Coordenadora do mesmo entre 1995 e 1999. Coordenadora de acordo Capes-Cofecub com a Universidade de Paris I (1995–1999) e da Bienal Interuniversitária UFRGS, Universidade de Paris I e PUC do Chile (1997–1999). Principais publicações: Icleia Cattani (Org. Agnaldo Farias) (Rio de Janeiro: Funarte, 2004); Mestiçagens na arte contemporânea (Org.) (Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2007); Paisagens de dentro (Porto Alegre: Fundação Iberê Camargo, 2009); Arte moderna no Brasil (Belo Horizonte: C/Arte, 2011); Artes visuais na Universidade (co-autoria) (Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2012); Iberê Camargo Século XXI (co-autoria) (Porto Alegre: Fundação Iberê Camargo, 2014); Pela arte contemporânea (co-autoria) (Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2017; Néon: Pinturas de Gelson Radaelli (Porto Alegre: Bolsa de Arte, 2017). Tem diversos capítulos de livros e artigos, publicados principalmente no Brasil e na França. Foi Membro do Conselho Editorial do The Journal of Contemporary Painting”, Middlesex University (2012–2016). Entre as curadorias, destaque para Iberê Camargo: Trajetória e Encontros (1985), exibida no Margs, MAM-Rio, Masp, e Galeria do Teatro Nacional, em Brasília; Representação Brasileira Bienal de Cuenca (1998), Equador; Mestiçagens (2007), no Margs; Iberê Camargo Século XXI (2014), na Fundação Iberê Camargo. Foi agraciada com o Prêmio Fapergs de Pesquisa (1999) e o Prêmio Açorianos de Artes Visuais – Destaque em Curadoria (2008).

Paula Ramos

Paula Ramos (Caxias do Sul, RS, 1974) é historiadora da arte, crítica de arte e curadora. Bacharel em Comunicação Social/Jornalismo (1996) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com Mestrado (2002) e Doutorado (2007) em Artes Visuais, ênfase em História, Teoria e Crítica de Arte, pela mesma IFES, ambos subsidiados com bolsa CNPq. Em 2005, realizou doutorado-sanduíche junto à Kassel Universität, na Alemanha, com bolsa CNPq/DAAD. No mesmo país, realiza seu Estágio Sênior (2018–2019; 2020–2021) na Hochschule Hannover, com bolsa da Fundação Alexander von Humboldt.

É Professora Associada do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS, onde implantou o Bacharelado em História da Arte, coordenando-o nos seus cinco primeiros anos (2010–2015). Atua nos cursos de História da Arte e Artes Visuais, bem como no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGAV/UFRGS).

Assina diversas curadorias em arte moderna e contemporânea, muitas das quais agraciadas com prêmios. É autora e organizadora de várias publicações no segmento de cultura e artes visuais, com destaque para A madrugada da modernidade (1926) (Porto Alegre: UniRitter, 2006), A fotografia de Luiz Carlos Felizardo (Porto Alegre: FestFotoPoA, 2011) e Walmor CorrêaO estranho assimilado (Porto Alegre: Dux; São Paulo: Livre, 2015). Também integrou a Comissão Editorial que organizou a publicação Pinacoteca Barão de Santo ÂngeloCatálogo Geral (1910–2014), nas comemorações dos 80 anos da UFRGS (Porto Alegre: UFRGS, 2015), um trabalho de ensino, pesquisa e extensão, que envolveu dezenas de estudantes e professores do Bacharelado em História da Arte da UFRGS. Em 2016, publicou A modernidade impressaArtistas ilustradores da Livraria do GloboPorto Alegre (Porto Alegre: UFRGS, 2016), reunindo as pesquisas desenvolvidas durante seu Mestrado e Doutorado. Contemplado pelo edital Petrobras Cultural – Memória das Artes 2012, o livro foi lançado com exposição homônima, realizada no Margs. Como um todo, o projeto A modernidade impresa recebeu oito prêmios em âmbito regional e nacional, com destaque para o Prêmio Açorianos de Literatura 2016 – Livro do Ano, o Prêmio ABEU 2017 – Ciências Sociais e da Expressão, e o Prêmio Jabuti 2017, 1º lugar na categoria Arquitetura, Urbanismo, Artes e Fotografia.

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Imagem:

LENIR DE MIRANDA (Pedro Osório, RS, 1945)
Migrante sentando espera e pensa maribodelhas, 2018
Acrílico sobre tecidos, colagens, 103 x 143 cm
Coleção da artista
Fotografia: Fabio del Re / Carlos Stein

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SERVIÇO EXPOSIÇÃO

Exposição “Lenir de Miranda – Pintura périplo”

Curadoria de Icleia Borsa Cattani e Paula Ramos

Abertura: 14.09.2019, sábado, às 11h

Visitação: 15.09 a 08.12.2019, de terça a domingo, das 10h às 19h

 

SERVIÇO SEMINÁRIO E LANÇAMENTO DE LIVRO*

Seminário “Pintura contemporâne em relações”

29.11 e 30.11.2019 (horário a confirmar)

Auditório do MARGS

Lançamento do livro “Lenir de Miranda – Pintura périplo”

30.11.2019 (horário a confirmar)

Auditório do MARGS

* Maiores informações serão divulgadas em breve

 

 

Patrocínio institucional

Banrisul

BRDE

Sulgás

 

 

Apoio institucional

Café do MARGS

Banca do livro

Bistrô do MARGS

Arteplantas

Celulose Riograndense

Oliveira Construções

Tintas Killing

AAMARGS – Associação dos Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli

 

Realização

Governo do Estado do Rio Grande do Sul

Secretaria de Estado da Cultura do RS

Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli

 

 

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Telefone: 51 32272311

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