“Caminhos Imaginários” – Exposição de fotografias de Elvira T Fortuna

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli — MARGS, covida para abertura da exposição fotográfica  “Caminhos Imaginários”, de Elvira T Fortuna, com coordenação de Gilberto Perin, 19 de março (terça-feira), às 19h, nas Salas Negras do MARGS.

A mostra apresenta 34 fotografias, entre negativos em vidros originais, lâminas, matrizes, fotogravuras, tecido e ampliações em papel e pode ser vista até 12 de maio, de terças a domingos, das 10h às 19h, com entrada gratuita. Visitas mediadas podem ser agendadas no e-mail educativo@margs.rs.gov.br.

O projeto busca propor um encontro e conflito de espaços diferentes, reais ou deslocados do seu habitat original e dos lugares por onde a fotógrafa andou. Esses novos caminhos estão presentes em seus trabalhos atuais, nos quais Elvira propõe ao público a oportunidade de trilhar espaços imaginários fazendo associações das imagens com suas próprias experiências.

Elvira traz, também, a inquietação em sua busca por novos  e alternativos formatos, como a fotogravura, que terá um destaque no espaço expositivo apresentando as etapas do processo (1). A fotógrafa tem como influência e inspiração constante o avô Manoel Tomazoni (2), sendo que a exposição apresentará alguns negativos em vidro realizados por ele.

 

  • Fotogravuras impressas por Marcelo Lunardi, gravador do Museu do Trabalho
  • Fotógrafo e produtor de cinema, realizou em Porto Alegre o longa-metragem “Agosto, sexta-feira 13” (1955)

 

O PERCURSO DOS CAMINHOS IMAGINÁRIOS

Na entrada das Salas Negras, as imagens privilegiam os espaços abertos com a linha do horizonte definida, buscando fazer com que o ingresso nesse caminho se dê a partir de imagens definidas, tanto nas fotogravuras como nas fotografias ampliadas em papel.

No conjunto de cinco fotografias, apresenta um diálogo polissêmico de diferentes horizontes, inclusive num horizonte não convencional, o qual, observando-se atentamente, percebe-se serem poltronas de um teatro. No centro, uma fotografia de destruição, que tem sentido ambivalente na proposta de um horizonte de beleza idealizada.

As fotogravuras, descritivamente, apresentam o processo básico para tornar-se uma imagem em gravura, apresentando as etapas para que isso aconteça. Porém, a temática de paisagem e horizonte também está presente nelas.

Uma montagem, de grande formato, com um horizonte verde e um provocativo corte que uma estrada rural faz na fotografia, toma conta de uma das paredes. As fotografias trazem imagens que lembram desenho, pintura, jogos de luz, onde a pessoa é apenas um vulto ou uma sombra.

Já na segunda sala traz uma imersão num ambiente com a fotografia de um lustre em preto e branco, impresso em tecido transparente e leve, pendurado no teto da sala. O estranhamento dessa informação fotográfica propõe uma viagem para os caminhos da memória, abstração e beleza.

As fotografias dessa sala surgem como um instrumento para conduzir à superfície não necessariamente visível da imagem apresentada, mas remetendo a outras dimensões da memória ou inconsciente.

Nesse ambiente, está representada a memória e a influência do avô de Elvira T Fortuna, por meio de negativos em vidro que foram produzidos por ele. Ao lado dessas imagens raras, surge o olhar de uma criança “revendo momentos” da sua memória. A criança faz parte de um conjunto de imagens que privilegiam a poética e a solidão em fotografias como as cadeiras de praia numa areia repleta de conchas e um “biruta” que parece aspirar nuvens.

As experiências pessoais podem seguir diferentes rumos do inconsciente na imensa janela fracionada em três imagens ampliadas em tecido. Um mar tranquilo e profundo aguarda e se contrapõe com céu de nuvens carregadas.

Ao lado desta janela, as imagens se dividem em cor e p&b compondo um delicado e estranho jogo de formas, texturas e significados ocultos ou não. É um convite para decifrar sensações e significados.

Para finalizar, uma mesma imagem em formato pequeno tem a cor em diferentes formas. São borboletas, conchas, asas? Implícito nessa imagem está a forma e a sexualidade feminina que é, teoricamente, a imagem que finaliza a viagem pelos “Caminhos Imaginários”, de Elvira T Fortuna.

 

Sobre a artista

Elvira T Fortuna é graduada em publicidade e propaganda pela PUCRS e pós-graduada em gestão cultural pela Universidade de Girona (Espanha). Atuou por 11 anos como coordenadora de comunicação da Fundação Iberê Camargo. Trabalhou também com fotogravura, impressões em canvas, em quadrados de madeira no tamanho 10×10, papel fotográfico metálico e impressões em tecido.

Produziu, em 2013, a sua primeira exposição “Rádio Relógio 18:12”, em parceria com Biba Corrêa. Durante um ano, conectadas pelo tempo, as artistas registraram o Guaíba de ângulos diferentes no mesmo instante, às 18h12, de todas às terças feiras.

A convite da Nieto Galeria de Arte, Elvira reuniu, em 2015, poéticos reflexos de natureza para compor a exposição “Escrevendo com a Luz”, título inspirado na origem da palavra ‘fotografia’ em grego, exposição itinerante no : 3º Rio Pardo em Foto / Centro Regional de Cultura de Rio Pardo.

“Ponto de Vista”, na Galeria Nieto e “Um Certo Olhar”, na programação Dia C do Distrito Criativo, no espaço 373, foram seus recentes trabalhos.

 

Gilberto Perin é graduado em comunicação social pela PUCRS (1976). Fotógrafo, roteirista e diretor de cena. Como fotógrafo fez exposições no Brasil e Exterior. No Museu do Futebol de São Paulo, apresentou a exposição “Vestiário” (2013), durante cinco meses, com fotos dos bastidores de um clube de futebol da segunda divisão do Rio Grande do Sul. “Camisa Brasileira”, outra exposição com fotografias da mesma série, participou do Circuito de Artes-Sesc no RS (2010 a 2012), além de exposição na França (2011) e Itália (2014). Em janeiro de 2019, expôs a série “Fake Photos”, na Escola Internacional de Genebra, na Suiça; e, em fevereiro, também desse ano, mostrou sua individual “Sem Identificação”, n’A Pequena Galeria, em Lisboa, Portugal.

Publicou “Camisa Brasileira” (2011), com fotografias da série sobre os vestiários de futebol; e “Fotografias para Imaginar” (2015) a partir da sua exposição do mesmo nome.

Participou de diversas coletivas, entre elas: “Queer Museu (2017/2018), em Porto Alegre e Rio de Janeiro. Em setembro de 2018, apresentou a individual “Linha d’Água / Sem Identificação”, nas Salas Negras do MARGS. Tem fotos publicadas em diversos jornais e revistas brasileiras, além de fotografias que ilustram capas de livros e obras em museus, entidades culturais e coleções particulares.

 

SERVIÇO

Exposição Caminhos Imaginários – Fotografias de ElviraT Fortuna

Coordenadoria: Gilberto Perin

Abertura:  19 de março de 2019, das 19h às 21h

Visitação: de 20 de março a 12 de maio, de terças a domingos, das 10h às 19h

Local: Salas Negras do MARGS

Entrada Franca

 

Patrocínio

Banrisul

BRDE

Sulgás

 

Apoio

Astir Incorporadora

Egali Intercâmbio

Nieto Ateliê de Molduras

Lorival Machado Designer Gráfico

Café do MARGS

Arteplantas

Celulose Riograndense

Oliveira Construções

AAMARGS

 

Realização

Secretaria da Cultura – Governo do Estado do Rio Grande do Sul

Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli

Localização: Praça da Alfândega, s./n.

Centro Histórico, Porto Alegre, RS

Telefone: 51 32272311

Entrada Franca

Site: www.margs.rs.gov.br

www.facebook.com/margsmuseu

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