Ana Mähler apresenta a exposição “Siga a Regra de Ouro”

A artista e arquiteta Ana Mähler apresenta, dia 24 de outubro, quarta-feira, às 19 horas, sua nova exposição de arte “Siga a Regra de Ouro”, na galeria Iberê Camargo do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli.

Neste trabalho, Mähler realiza suas experiências em pintura como se saísse do plano bidimensional, projetando um cubo de 2,70m³ para dentro da galeria, com o intuito de proporcionar uma experiência ao público, onde é permitido circular dentro da obra e estabelecer relações.

Dentro do cubo, há um ambiente dourado, contendo um pedestal com um objeto semelhante a uma joia, protegido por uma caixa de acrílico e uma estrutura com pequenas portas na parede ao fundo. A joia funciona como um portal, que nos leva, através de recursos tecnológicos, para o campo virtual. Nas portas pequenas, a artista guarda mensagens positivas para que os visitantes possam levar – como forma de propagar sua “corrente do bem” – expandindo a obra para o espaço virtual, o que permite a participação do público, que poderá contribuir com suas próprias regras de ouro.

Fora dele, outro cubo dourado – uma ilusão – cria um paralelo à forma como os relacionamentos interpessoais são tratados atualmente. De um ponto de vista há profundidade, mas não é real, é somente superfície. A pintura propõe a representação de um reflexo, que se refere ao espelho das nossas ações, que nos guia em direção à regra de ouro.

A artista faz questionamentos importantes sobre a realidade em que vivemos, as ações, os valores da sociedade em que estamos inseridos e também sobre as relações interpessoais em uma época de rápidas transformações.

Ao compartilhar com o público a sua regra de ouro “Faça e deseje para os outros o que você quer que façam e desejem para você!”, a artista explicita o que norteia suas ações e a direciona para atitudes e pensamentos positivos, como artifícios para enfrentar a realidade. Ela também convida o público a compartilhar suas regras de ouro através de um dispositivo de leitura de QR Code, em que cada um poderá registrar e será postada no instagram #sigaregradeouro e também será projetada na parede do museu junto à instalação, como parte da obra.

 

A mostra pode ser visitada de 25 de outubro a 02 de dezembro, de terça a domingo das 10h às 19h. Entrada gratuita. Visitas mediadas podem ser agendadas no e-mail educativo@margs.rs.gov.br.

 

 

Apresentação

Siga a Regra de Ouro é o mais novo trabalho da artista Ana Mähler criado especialmente para esta exposição homônima. A instalação contém um grande cubo, no qual se pode entrar, e uma pintura nas paredes da sala de exposição do museu, que representam uma nova ordem de referentes da artista, a qual observa seu entorno e as relações interpessoais, mas sem deixar sua poética relacionada ao espaço.

 

O espaço, no conjunto de obras de Mähler, é inicialmente trabalhado no plano pictórico bidimensional com referências muito fortes ao construtivismo e ao neoconcretismo. De formas abstratas e geométricas, passa para a representação de um espaço tridimensional, ou ambiente, codificado através de perspectiva e planos, com os quais transforma o espaço planificado de maneira muito meticulosa e precisa. Posteriormente a este início, na série Lapidações, o suporte de sua pintura ganha volume e ocupa de fato o espaço, a pintura vira um corpo, como diz Ronaldo Brito (2005) um “salto à dimensão do corpóreo[1]. A artista passa a realizar suas experiências em pintura como se estivessem saindo do plano bidimensional, como na série Sarrafos (1987) da artista Mira Schendel, relacionando a forma, a dimensão e os suportes ao espaço.

Em Siga a Regra de Ouro esta tendência se confirma, ao projetar um cubo de 2,70m³ para dentro da galeria com o intuito de proporcionar uma experiência ao público, onde é permitido circular dentro da obra e estabelecer relações escalonares. A artista pretende provocar a sensação de ser encoberto pela obra, poder interagir e vivenciar o espaço. No lado oposto da sala de exposição, as paredes laterais e frontal são pintadas, representando a imagem do grande cubo como um reflexo e mais uma vez o espaço é o protagonista da instalação que se completa. A pintura que antes se apresentava restrita aos limites das telas, adquire nova escala, o suporte se amplia e invade a sala do museu. Esta instalação é o resultado das experiências de trabalhos anteriores da artista aliada à possibilidade de expansão no espaço, adquirindo grandeza e interatividade, uma pintura no “campo ampliado”[2].

 

Dentro do cubo, encontramos um ambiente totalmente dourado contendo um pedestal com um objeto semelhante a uma joia protegida por uma caixa de acrílico e uma estrutura com várias gavetas pequenas na parede ao fundo. A joia funciona como um portal, através de recursos tecnológicos, que nos leva para o campo virtual, outra forma de expansão da obra.

 

Fora do cubo … outro cubo dourado, este é uma ilusão, um paralelo à forma como os relacionamentos interpessoais são tratados na atualidade, uma anamorfosis. De um ponto de vista, tem profundidade, mas não é real. É somente superfície. A pintura da parede em perspectiva cria a ilusão da tridimensionalidade, amplia o espaço expositivo e propõe a representação de um reflexo. Aqui o reflexo se refere ao espelho de nossas ações, que nos guia em direção à regra de ouro.

 

Do ponto de vista dos seus referentes, a artista utiliza recursos estéticos como a oposição dos elementos, das cores invertidas, o dentro e o fora, o brilho e o opaco, a ilusão e a superficialidade para passar a sua mensagem e experiência, ao propor uma reflexão que poderá se transformar em novas posturas.

 

Mähler faz questionamentos importantes sobre a realidade em que vivemos, as ações e valores da sociedade em que está inserida e também sobre as relações interpessoais em uma época de transformações muito rápidas. Para a artista estamos vivendo um mundo de sentimentos vazios, um mundo de faz de conta, de notícias falsas, de redes sociais, onde a tecnologia afasta as pessoas que estão próximas …”Como podemos mudar e melhorar isso?”, pergunta.

 

Siga a regra de Ouro: Faça e deseje  para os outros o que você quer para façam e desejam para você!

 

 

Letícia Lau – curadora

 

 

Sobre a artista

 

ANA MÄHLER

Santa Cruz do Sul, 1982

Dedica-se à pintura desde 2010, recebeu orientação da artista plástica Vera Wildner.

Foi premiada no 20º Salão de Artes Plásticas da Câmara Municipal de Porto Alegre em 2014, com o primeiro prêmio Aquisição. Em 2017 foi selecionada em edital para expor no Museu de Arte de Blumenau/SC.

 

Exposições Individuais: 2017 O concreto e o Incerto, curadoria Letícia Lau, Gravura Galeria de Arte, Porto Alegre/RS/Brasil; 2017 Lapidações, curadoria Letícia Lau, Museu de Arte de Blumenau, Blumenau, SC/Brasil; 2015. Caminhos Imaginários, curadoria Letícia Lau, Casa das Artes Regina Simonis, Santa Cruz do Sul/RS/Brasil 2014. Janelas da Percepção – Um Olhar sobre a Fundação Iberê Camargo, curadoria Ana Zavadil, Galeria Arte & Fato, Porto Alegre/RS/Brasil; Exposições Coletivas: 2018 Infinito Recomeçar, Atelier VW, Gravura Galeria de Arte, Porto Alegre, RS; Futurama 3, curadoria Ana Zavadil e Fábio Reinheimer, Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MACRS), Porto Alegre,RS; Insulares, curadoria Ana Zavadil e Letícia Lau, MACRS, Porto Alegre, RS; 2017 AZ Galeria Itinerante, Escritório de Arquitetura Teia + Iara, Santa Cruz do Sul/ RS/Brasil; 2016. Paisagem (In)Certa, curadoria Ana Zavadil, Subte, Montevidéu/Uruguai; Horizontes da Paisagem, curadoria Ana Zavadil, Centro Cultural Dr. Henrique Ordavás Filho, Caxias do Sul/RS/Brasil; Paisagem Plural, curadoria Ana Zavadil, Fundação Badesc, Florianópolis/SC/Brasil; Transmigrações II, curadoria Ana Zavadil e Letícia Lau, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, MACRS, Porto Alegre/RS/Brasil; A Paisagem: Vestígios, Desvios e Outras Derivas, curadoria Ana Zavadil e Letícia Lau, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, MACRS, Porto Alegre/RS/Brasil; 2014 Útero Museu e Domesticidade, Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), Porto Alegre/RS/Brasil; 20º Salão de Artes Plásticas da Câmara Municipal de Porto Alegre, Prêmio Aquisição, Porto Alegre/RS/Brasil; O Cânone Pobre – Uma Arqueologia da Precariedade na Arte, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS), Porto Alegre/RS/Brasil. Possui obra no acervo do MARGS.

Possui obras no acervo do MARGS e na Câmara Municipal de Porto Alegre.

 

SERVIÇO

Evento: Siga a Regra de Ouro

Artista: Ana Mähler

Curadoria: Letícia Lau

Abertura: 24 de outubro (quarta-fera), às 19h

Visitação: 25 de outubro a 2 de dezembro de 2018. Terça a domingo das 10h às 19h.

Local: Galeria Iberê Camargo do MARGS (Praça da Alfândega, s/n° – Centro).

 

 

Produção

Babilônica Arte e Cultura

Alec Araújo

Clara Luz Iluminação

 

Apoio

Visual & Design

Maikel Marques Movelaria

Puxadores & Cia

Stilo Elevato

Macaronni

DOLBY

VW Ateliê Coletivo

By Dolby

Café do MARGS

Arteplantas

Celulose Riograndense

AAMARGS

 

 

Patrocínio

Banrisul Consórcio

BRDE

Sulgás

Ana Mähler Arquitetura + Arte

Todeschini

Transportes Mähler

Manjabosco Decore

 

 

Realização

Museu de Arte do Rio Grande do Sul

Localização: Praça da Alfândega, s./n.

Centro Histórico, Porto Alegre, RS

Telefone: 32272311

Entrada Franca

Site: www.margs.rs.gov.br

www.facebook.com/margsmuseu

www.twitter.com/margsmuseu

[1]  RITO, Ronaldo. Singular no plural. Experiência crítica. Organização: Sueli de Lima. São Paulo: Cosac e Naify, 2005B. p. 294

[2] O termo “campo ampliado” definido por Rosalind Krauss, em 1984, no seu livro  A Escultura no Campo Ampliado para discutir o conceito de escultura e  apresentar novas modalidades que surgiam na história da arte como a instalação. Aqui o termo é usado a partir do campo da pintura e da sua relação com espaço como uma pintura expandida.

Comentários

comentários