PERFIL DO Acervo

O Acervo do MARGS conta hoje com cerca de 2.700 peças, sendo considerado uma das coleções mais importantes do país. Composto basicamente por arte gaúcha do século XX, possui também significativos exemplares de arte brasileira e internacional. É o mais importante Acervo público no estado do Rio Grande do Sul, sendo uma referência obrigatória para todo interessado no estudo ou apreciação da arte gaúcha.


 

Origens e desenvolvimento da coleção

 

O núcleo inicial da coleção foi reunido pelo professor e artista paulista Ado Malagoli, que chegou ao Rio Grande do Sul para lecionar no Instituto de Belas Artes da UFRGS, e logo foi indicado para dirigir o recém-fundado MARGS. Dispondo de verbas e respaldo oficiais, Malagoli adquiriu, entre 1954 e 1959, um expressivo lote de obras de autores nacionais e estrangeiros do fim do século XIX e início do século XX, além de algumas peças de brasileiros e gaúchos contemporâneos, totalizando cerca de 120 itens.

Nesta época inaugural, algumas peças adicionais de grande valor foram transferidas de outras instituições do Governo do Estado e incorporadas ao Acervo do museu nascente. O próprio Malagoli declarou que sua preocupação principal era com a qualidade das peças. Pode-se dizer que ele foi bem sucedido em sua proposta, pois as obras que reuniu figuram até hoje entre as mais preciosas do Acervo e as mais apreciadas pelo público, como A Dama de Branco, de Arthur Timótheo da Costa, o Menino do papagaio, de Portinari, e A creche, de Jean Geoffroy.

 

Após a saída de Malagoli do museu, a situação mudaria, com novos rumos políticos se estabelecendo no país e no estado, e as prioridades governamentais se deslocando para outras áreas. Neste momento histórico o MARGS viu secar de súbito sua fonte de recursos para novas aquisições, e a partir da década de 60 o Acervo passaria a ser ampliado basicamente por doações, que se multiplicariam dos anos 70 em diante, procedentes de colecionadores privados, outras instituições culturais, amigos do museu, artistas e empresas dedicadas ao mecenato.

 

No final dos anos 70 o MARGS ganhou sua sede atual, permitindo que o museu expandisse suas atividades como um todo e passasse a prestar seus serviços de forma mais qualificada. Assim a década de 80 iniciou auspiciosa, e administrações dinâmicas aproveitaram um momento social favorável e empurrando o MARGS para a contemporaneidade e para a maturidade como instituição, firmando definitivamente sua posição central no circuito de arte gaúcho. Nesta época foram realizados alguns projetos e eventos que resultaram em doações significativas, como o Projeto Releitura e o Salão Caminhos do Desenho Brasileiro, e iniciou-se um projeto de análise formal do Acervo, uma primeira tentativa de descrição técnica e categorização sistemática das obras segundo suas escolas estilísticas.

 

Nos anos 90 o prédio do museu foi restaurado e adaptado de acordo com os padrões internacionais de museologia. Foram realizados projetos de aquisição de novos equipamentos e ocorreu a criação do Núcleo de Restauro, ao mesmo tempo climatizando e modernizando a Reserva Técnica. Por fim, após uma análise técnico-científica das prioridades para o Acervo, com um projeto de aquisições direcionadas apoiado pelas Leis de Incentivo à Cultura, foram preenchidas algumas lacunas na seção de arte gaúcha, em especial da época de sua primeira maturidade (entre o fim do século XIX até os anos 50), que constitui a nossa principal área de interesse, trazendo cerca de 60 trabalhos de artistas que não eram representados no Acervo do MARGS.

 

O Acervo do MARGS está em constante evolução e aperfeiçoamento. A experiência acumulada em tantas décadas de existência com tantas gerações de funcionários, as necessidades expressas por curadores e as lacunas e desequilíbrios apontados por pesquisadores e teóricos, a aquisição de uma visão museológica mais larga, atualizada e consistente, o frutífero contato com instituições similares nacionais e estrangeiras, todos estes fatores vêm contribuindo para corrigir as falhas e orientar os rumos a seguir no futuro, e preparando o MARGS para marcar hoje uma presença digna em um cenário cultural globalizado, competitivo e exigente.

 

As exposições de Acervo têm sido apresentadas ao público com crescente apuro museográfico e riqueza de informações, sempre buscando estabelecer linhas de leitura definidas para uma melhor apreciação do valor individual de cada obra exposta e de sua importância no contexto de cada período histórico ou corrente estética abordados pelas curadorias. Acompanhando os progressos da ciência da museologia, os projetos de expansão e aquisição de novas obras já seguem critérios estritamente científicos e com fins pedagógicos e críticos, e não apenas estéticos como prevalecia no passado, uma vez que qualquer coleção artístico-histórica tem um caráter educativo que lhe é inato, já que é um repositório de informações do passado, e deve servir não apenas para adornar os ambientes e agradar os sentidos, mas também principalmente para instruir sobre a história da cultura e formar um senso mais forte de cidadania, identidade, responsabilidade cultural e inclusão social.


 

Perfil da coleção

 

O Acervo do MARGS é composto essencialmente de autores gaúchos do século XX, com uma concentração de peças da segunda metade do século e de obras cujo suporte é o papel. Destas, são mais numerosas as litogravuras, as xilogravuras e os desenhos. A seção de arte brasileira é menor mas significativa, abrangendo também o período do século XX, e existem alguns poucos mas finos exemplares de arte estrangeira, especialmente na pintura.

 

* Pintura

O núcleo de pintura gaúcha é um dos mais importantes do Acervo do MARGS, possuindo uma série de telas de Pedro Weingärtner, Maristany de Trias, Leopoldo Gotuzzo, Libindo Ferrás, Franz Pelichek, Ângelo Guido e Oscar Boeira, que são dos primeiros frutos importantes da arte pictórica no estado, ainda de características acadêmicas. Segue-se uma boa reunião de obras dos dois principais elementos de transição para a modernidade - João Fahrion e Ado Malagoli - e da terceira geração de pintores, já herdeiros do modernismo, como Edgar Koetz, Carlos Petrucci, Paulo Flores, Jacinto Morais e Joel Amaral.  Dos anos 60 a 80 se destacam os trabalhos de Iberê Camargo, Glauco Rodrigues, Alice Brueggemann, Maria Lídia Magliani, Carlos Scliar, Alice Soares e Maria Tomaselli, e a pintura contemporânea é representada por autores como Milton Kurtz, Mário Röhnelt, Britto Velho, Alfredo Nicolaiewsky, Glauco Pinto de Moraes e Karin Lambrecht.

 

A seção de pintura brasileira é relativamente pequena mas possibilita a reconstituição de uma linha de tempo praticamente completa, com representação de todos os grandes momentos da história das correntes estilísticas e da técnica pictórica no Brasil desde o início do século XX até os dias de hoje. São importantes as obras de Arthur Timótheo da Costa, Antônio Parreiras, Eliseu Visconti, Henrique Bernardelli, Lasar Segall, Paulo Osir, Di Cavalcanti, Edson Motta, Portinari, Guignard, Aldo Bonadei, Bustamante Sá, Frank Schaeffer, Manabu Mabe, Abelardo Zaluar, Rubens Ianelli, Cláudio Tozzi, Daniel Senise, Leonilson, Paulo Pasta, Siron Franco, entre outros.

 

A pintura estrangeira se limita a poucos mas valiosos itens europeus do final do século XIX, outros contemporâneos latinoamericanos, e outras peças esparsas.

* Obras em papel

Constituindo a maior seção do Acervo do museu, na arte em papel conservada no MARGS predominam a litogravura e o desenho, seguidos pela xilogravura e depois por outras técnicas como a aquarela, o guache, a serigrafia, etc.

 

O Acervo de gravuras gaúchas é certamente único no estado por sua importância, com peças relevantes de todos os principais momentos artísticos locais desde as primeiras florações da arte sulina em fins do século XIX, passando pelos Clubes de Gravura de Porto Alegre e de Bagé nos anos 50, os movimentos conceituais dos anos 60 e 70, e todas as novas correntes posteriores, até chegar à atualidade. Os nomes que são representados de forma especialmente significativa são os de Glênio Bianchetti, Carlos Scliar, Iberê Camargo, Vasco Prado, Maria Tomaselli, Marta Loguercio, Anico Herskovits, Armando Almeida, Zorávia Bettiol, Danúbio Gonçalves, Francisco Stockinger, Miriam Tolpolar, Cris Rocha, Clara Pechansky, Suzana Sommer, Edgar Koetz e Léo Fuhro.

 

Nacionalmente a evolução da gravura está bem ilustrada por itens de Oswaldo Goeldi, Marcelo Grassmann, Tarsila do Amaral, Clóvis Graciano, Maciej Babinski, Renina Katz, Arthur Piza, Ana Letycia e Cláudio Tozzi, além de peças isoladas de Lygia Pape, Waltércio Caldas, Fayga Ostrower, Beatriz Milhazes, Nuno Ramos, Roberto Magalhães, Eduardo Sued, Tomie Ohtake, Rubem Grillo e numerosos outros autores de projeção nacional. O MARGS possui peças avulsas estrangeiras de boa qualidade de Renoir, Manet, Käthe Kollwitz, Millet e Pissarro, além de uma apreciável coleção do Club de Grabado de Montevidéu.

 

A seção de desenho é bastante extensa e expressiva. Possuem peças significativas Carlos Pasquetti, Sotéro Cosme, Iberê Camargo, Plínio Bernhardt, Edgar Koetz, Mário Röhnelt, Vasco Prado, Alice Soares, José Lutzenberger, Alfredo Nicolaiewsky, Eduardo Cruz, Paulo Houayek, Igor Marques, Alcione Moreira, Ester Grinspum, Darel, Yolanda Mohályi, Angelina Agostini e Victor Arruda.

 

Na seção de guaches e aquarelas encontramos um grupo menor de obras, mas não podem deixar de ser mencionadas a extensa coleção de guaches de Ernst Zeuner e as excelentes séries de aquarelas de Glauco Rodrigues e José Lutzenberger.

 

* Esculturas

A coleção de esculturas é pouco numerosa, mas conta com belas peças de artistas de índole classicista como Vasco Prado, Rodolfo Bernardelli, Sônia Ebling, Antonio Caringi e Fernando Corona, outros de caráter mais expressionista como Francisco Stockinger, Mário Cravo Jr e Roberto Cidade, ou seguidores de outras estéticas como Gaudêncio Fidelis, Gustavo Nakle, Joyce Schleininger e José Francisco Alves.

 

* Outras Técnicas

Existe ainda no Acervo uma variedade de itens que entram em categorias alternativas, com destaque para as instalações de Regina Silveira e Romanita Disconzi, para os livros de artista de Waltércio Caldas, os objetos de Avatar Moraes e as plottagens em vinil de Alex Flemming e Roberto Aguilar.

 


O Núcleo de Acervo

 

Além de preservar materialmente as peças e interessar-se pela ampliação da Ccoleção, o Núcleo de Acervo do MARGS é responsável pelo tombamento, catalogação e documentação (visual, técnica e histórica) das obras sob sua guarda. Historicamente o Núcleo teve de enfrentar muitas dificuldades. Somente na década de 90 foi conseguido um espaço realmente adequado para guarda das peças do Acervo , a atual Reserva Técnica, com climatização controlada e outros equipamentos essenciais como mapotecas e teleiros móveis. Até então, as peças haviam ficado sujeitas a armazenagens inadequadas sob condições climáticas variáveis, gerando problemas de conservação até hoje marcados em algumas obras.

 

Na área de tombamento, o Núcleo de Acervo do MARGS trabalha hoje para sanar alguns problemas de defasagem de dados na catalogação das obras: o Museu foi fundado em 1954, mas seu Livro-Tombo somente foi inaugurado na década de 70. Neste espaço de tempo perderam-se parte das informações e documentação de origem das peças incorporadas até a data.

 

No momento, o setor está especialmente empenhado na composição de um banco de dados digital que centralizará todas as informações sobre cada obra, compiladas dos Livros-Tombo, dos antigos diários do Núcleo e na documentação impressa ou manuscrita remanescente. Com o trabalho estão sendo corrigidos erros de registro e fontes conflitantes, no intuito de serem estabelecidas bases ágeis e confiáveis de consulta para as atividades de curadoria, pesquisa e controle do Acervo.

 

Para o futuro, depois de encerrada a coleta de informações dispersas na variada documentação, está previsto a continuidade à documentação fotográfica das mais de 1.500 peças que ainda não possuem tal registro disponível e ao projeto de análise formal do Acervo, infelizmente interrompido na década de 80. Todas estas iniciativas devem resultar num catálogo raisonné da Coleção do MARGS, com edição prevista para os próximos quatro anos.

 

Mais informações sobre o Acervo podem ser obtidas pelo fone 55 51 3227 2311 ou pelo e-mail acervo@margs.rs.gov.br.

 



MUSEU DE ARTE DO RIO GRANDE
DO SUL ADO MALAGOLI
Visitação de terças a domingos,
das 10 às 19 horas. Entrada franca
Praça da Alfândega, s/n° - Centro
90010-150 - Porto Alegre - RS - Brasil
Fone (51) 3227-2311 - Fax (51) 3221-2646
museu@margs.rs.gov.br